Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Sustentabilidade e Crescimento Verde

A Casa de Chocolate

Ideias

2018-05-19 às 06h00

Vasco Teixeira

A Economia Verde já representa, globalmente, 4 biliões de euros, crescendo 4% ao ano. Na UE os setores verdes representavam, em 2010, 2,5 % do Produto Interno Bruto (PIB) global da UE e estima-se um crescimento anual de cerca de 30% até 2025.
O crescimento sustentável é uma das prioridades definidas no âmbito da Estratégia Europa 2020, através do qual se pretende promover uma economia que seja não só mais competitiva, mas também mais eficiente em termos de utilização dos recursos.
O ambiente e a gestão dos recursos naturais são hoje fatores de crescimento, reconhecendo-se a relevância crescente da Economia Verde. O Crescimento Verde é um desafio à escala global e oferece a possibilidade de resolver desafios económicos e ecológicos e de criar novas fontes de crescimento. Para se ter um crescimento sustentável é necessário apostar na Economia Verde. A Economia Verde é uma garantia de crescimento sustentável, mas implica também transformações estruturais.

A Europa enfrenta profundas mudanças estruturais que a Estratégia Europa 2020 identifica, em especial a transição para uma economia verde, hipocarbónica e eficiente em termos de recursos, o envelhecimento demográfico e a rápida evolução tecnológica. Para fazer face a estes desafios e convertê-los em oportunidades, a economia na UE terá de sofrer uma transformação fundamental.
O novo ciclo de desenvolvimento terá de estar assente num modelo de crescimento sustentável que deverá necessariamente incorporar os vetores económico, social e ambiental. As principais alavancas para o crescimento e o desenvolvimento sustentável são a ciência e o conhecimento, o empreendedorismo, a economia verde, a inovação e a política industrial.
O conceito de Economia Verde começou a ser perspetivado em 2008, como uma ferramenta para ultrapassar problemas ambientais e relacionados com a pobreza, no quadro do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Segundo as Nações Unidas, Economia Verde é aquela que resulta numa melhoria do bem-estar e da equidade social e simultaneamente reduz os riscos para o ambiente e a escassez de recursos.

Para a OCDE, Crescimento Verde significa promover o crescimento e o desenvolvimento económico assegurando ao mesmo tempo que os recursos naturais continuam a fornecer os serviços ambientais essenciais ao bem-estar humano. Para isto, o investimento e a inovação deverão ser incentivados, sustentando, deste modo, o crescimento e criando novas oportunidades económicas. A Estratégia de Crescimento Verde da OCDE tira grande proveito do volume substancial de análise e de políticas que tiveram origem na Conferência do Rio, há vinte anos.
A economia do futuro terá de ser eco-sustentável e não poderá ser desenvolvida baseada num modelo de extração de matérias-primas, produção, distribuição e utilização de produtos descartáveis seguindo-se na cadeia os inevitáveis resíduos. A transição da designada economia linear para a Economia Circular implicará novos paradigmas de como as empresas vão produzir, distribuir e até como vamos consumir.

A Comissão Europeia adotou um ambicioso pacote para promover a transição da Europa para uma Economia Circular, que reforçará a competitividade a nível mundial, promoverá o crescimento económico sustentável e criará novos postos de trabalho. O conceito é definido pela CE como: Economia Circular mantém o valor acrescentado nos produtos pelo maior tempo possível e elimina o desperdício'. Atualmente, a Europa perde cerca de 600 milhões de toneladas de resíduos, que poderiam ser reciclados ou reutilizados. Apenas cerca de 40% dos resíduos produzidos pelos agregados familiares da UE são reciclados.
A aposta nas energias renováveis, para além da produção de energia, contribui para um crescimento sustentável. Os investimentos em energias renováveis contribuem para a promoção de um desenvolvimento territorial equilibrado criando oportunidades em regiões com um menor grau de desenvolvimento socioeconómico.

A União Europeia visa objetivos ambiciosos nos domínios da energia e das alterações climáticas para 2020: reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa, aumentar para 20% a quota das energias renováveis e melhorar em 20% a eficiência energética.
Espera-se que a transformação da economia nesse sentido irá reforçar a competitividade e proporcionar fontes importantes de crescimento e emprego, dando resposta às necessidades económicas e sociais. Estima-se que a economia verde e os setores da saúde e das novas tecnologias irão criar mais de 20 milhões de empregos nos próximos anos. Os Estados Membro devem explorar estas áreas de grande potencial futuro e aproveitar estas oportunidades, mobilizando recursos e estabelecer relações com várias entidades tais como instituições de ensino e de investigação, organizações empresariais e parceiros sociais.

A estratégia nacional para a energia constitui uma agenda de competitividade para os mercados energéticos e para a economia portuguesa, induzindo crescimento económico e reduzindo a dependência energética do país.
Um dos objetivos que Portugal assumiu no Compro- misso para o Crescimento Verde, corresponde a aumentar o PIB verde a um ritmo de 5% ao ano e que as exportações nos setores verdes, ligados ao ambiente, tenham um crescimento de 5% ao ano. Pretende-se, também, duplicar o emprego verde até 2030, com um aumento anual de 4% e atingir os 40% de energias renováveis no consumo final de energia em 2030.

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