Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Tempos de Páscoa

Oi! Olá!

Ideias

2019-04-19 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

«O Senhor nunca perdeu este contacto direto com o povo, sempre manteve a graça da proximidade, com o povo no seu conjunto e com cada pessoa no meio daquelas multidões. Vemo-lo na sua vida pública, mas o mesmo aconteceu desde o princípio: o esplendor do Menino atraiu docilmente pastores, reis e idosos sonhadores como Simeão e Ana. E foi assim também na Cruz: o seu Coração atrai todos a si (cf. Jo 12, 32): verónicas, cireneus, ladrões, centuriões...»

Papa Francisco, Homilia da Missa do Crisma, Roma, 18.abr.2019.

Em Braga, onde esta Semana Santa anunciada com a Bênção e Procissão de Ramos, como tradicionalmente acontece, seguida da majestosa procissão do Senhor dos Passos. O tempo parecia estar sintonizado com a cidade e com estas manifestações de caráter religioso, da “nossa Roma portuguesa”, encerrando com alegria o tempo quaresmal.
Mas, ao final da tarde, todos fomos surpreendidos pelas notícias vindas de Paris: a catedral de Notre Dame estava a arder. A hora crepuscular da cidade da luz fora transformada pela enorme bola de fogo que, de um momento para o outro, devorava aquela pérola da arquitetura religiosa gótica. Paris parece ter-se “apagado” e, qual cerimónia fúnebre, as pessoas estavam atónitas e pairava sobre elas o desânimo e o receio de perder uma das “joias” mais importantes da cidade. Este receio unia todos os parisienses, fossem eles franceses ou das múltiplas nacionalidades que ali vivem e trabalham, estes momentos foram o que poderíamos designar como, perdoem a ousadia, um raro, mas rico, momento de vivência ecuménica, verdadeiramente genuíno. Tudo isto, porque a Catedral de Notre Dame de Paris não é, nem nunca será, só um monumento religioso, com a sua longevidade, cuja construção se iniciou em 1136 e terminou em 1345, nestes séculos que por ela passaram, ela foi testemunha das vivências da cidade, do país e do mundo, tornando-se fiel depositária desses tesouros e de todos os que, periodicamente, o homem, o artista, lhe quis colocar não a desfigurando, antes, qual compêndio, onde se foi registando o pensamento do homem e da cidade, tornando cada vez mais um testemunho das sociedades e dos tempos, alguns deles bem dolorosos.
Tal como no passado, onde diversas preciosidades se perderam, mas a catedral permaneceu pairando sobre Paris, também agora, algumas desapareceram para sempre, mas estas e outras, permitirão, na sua reconstrução, deixar a marca do artista e do pensamento da sociedade do século XXI. Notre Dame ficará ainda mais valorizada, enquanto monumento vivo que testemunha a nossa passagem na terra, mantendo-se como a silhueta marcante que evoluí, que se recusa a permanecer estática na cidade da luz.
Regressando a Braga, onde a Semana Santa, fiel à sua tradição, se preparou para sair à rua, mas sempre dependente do tempo que parece quer dar razão ao ditado «abril águas mil», ao motivar o cancelamento da saída, na quarta-feira, do cortejo bíblico «Vós sereis o meu povo», popularmente conhecida por “Procissão de Nossa Senhora da Burrinha”. Tenhamos esperança que, na quinta-feira, a Procissão do “Ecce Homo” e, na sexta-feira, a Procissão do Enterro do Senhor, possam percorrer com solenidade as ruas do centro histórico de Braga.
Sem deixar de ser o referente fundamental do turismo religioso desta época, as procissões da Semana Santa são, antes de mais, uma manifestação de religiosidade e de fé, que se sente, nos figurantes e protagonistas que as constituem, mas sobretudo na postura das pessoas que, nas ruas da cidade, assistem, com recolhimento, à sua passagem. No sábado, na Sé Catedral, a Vigília Pascal será a última celebração, enquadrada no tríduo pascal.
No domingo de Páscoa, a Eucaristia solene da Ressurreição do Senhor e a Visita Pascal – o Compasso, encerrarão as festividades da Semana Santa e da Páscoa, embora o Compasso, em alguns lugares de certas paróquias continue a realizar-se. No calendário escutista, este é o tempo de estar “alerta para servir” junto das comunidades paroquiais e arquidiocesanas com o mesmo espírito que Cristo nos deixou «O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos.» (Mc 10,45).

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