Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Treinador: uma ‘nova’ profissão

Uma carruagem de aprendizagens

Ensino

2018-10-24 às 06h00

Ricardo Lima

Recuando no tempo, há uns anos atrás, para muitos dos treinadores, a arte de treinar era apenas um hobby, um complemente à sua atividade profissional.
Com o passar dos anos, a necessidade na procura de conhecimento e competência na área do treino, a exigência dos clubes, pais e sociedade sobre os resultados e os benefícios aliados ao desporto, tornou a atividade de treinar uma profissão, sendo para isso necessário a obtenção da Cédula Profissional de Treinador de Desporto para exercer o cargo.
Para se compreender melhor o fenómeno, importa realçar a evolução quanto ao número de treinadores em Portugal. Assim, segundo dados do IPDJ (Institu- to Português do Desporto e Juventude) até ao ano de 2016, existiam mais de 36 mil treinadores de desporto em Portugal contra os cerca de 6 mil de 1996 (ver figura).

No espaço temporal de 20 anos, o número de treinadores mais que sextuplicou na nossa sociedade. Desta forma, podem-se colocar algumas questões: a) As condições dos clubes acompanharam as necessidades dos atletas e dos treinadores?; b) O treinador, em Portugal, é visto como uma profissão, ou um complemento profissional? c) Que tipo de apoio têm os treinadores nas diferentes modalidades e escalões?
Seriam estas e muito mais questões que se podiam colocar quando se reflete sobre a profissão. Porém, todas estas questões devem ser refletidas por parte dos clubes, das Associações e das respetivas Federações Desportivas.
A necessidade de cada vez mais recursos humanos no treino, faz com que a oferta e a procura aumentem. No entanto, as condições devem também acompanhar a evolução na área do Treino Desportivo e o trabalho precário nunca deverá ter uma curva ascendente, antes pelo contrário! É nesse âmbito que se devem focar todos as partes interessadas do Treino e combater para melhores condições laborais, para podermos todos falar no Treinador como uma profissão com as mesmas regalias a tantas outras!

Com a valorização da profissão, através de feitos a nível mundial de treinadores Portugueses de excelência de diferentes modalidades, fez com que a sociedade olhasse com outra perspetiva para a formação de Treinadores e para os Treinadores de desporto em Portugal.
Começou-se a compreender que a base para o sucesso é o trabalho e a dedicação em exclusividade em prol de uma modalidade. Um bom Treinador não é aquele que ganha mais vezes, é o que se dedica a 100% ao treino, planeando, organizando, instruindo, gerindo e acima de tudo REFLETINDO!

Quando se fala em reflexão, pensa-se muitas vezes em questões intrapessoais, mas neste caso a reflexão interpessoal é de extrema importância para que, inicialmente, o clube possa crescer, as associações compreendam o trabalho realizados nos clubes e as federações valorizem o esforço e a dinâmica criada em prol de uma modalidade.
O treino continua a ser uma área com muita oferta e a necessidade de formação continua para renovação da cédula de Treinador de Desporto, torna a profissão ainda mais aliciante. Cada vez mais como referência no Ensino Superior, na área do Treino Desportivo, na Escola Superior de Desporto e Lazer, o Mestrado em Treino Desportivo, para além de ter uma fortíssima componente do saber-fazer aliado ao aprofundamento do conhecimento científico, técnico, profissional e metodológico, permite aos alunos adquirir certificação profissional de alto nível. A estrutura curricular do mestrado e a componente de estágio anual a realizar no 2º ano, com entidades desportivas de referência, visa o pedido de acreditação do grau II de Treinador de Desporto (em várias modalidades), ao Instituto Português de Desporto e Juventude.

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