Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Um “até sempre” à “mãe” das Bibliotecas

Uma carruagem de aprendizagens

Voz às Bibliotecas

2018-11-08 às 06h00

Carla Araújo

A crónica deste mês não poderia deixar passar em branco a recente notícia do falecimento da mais incontornável e importante figura do panorama das bibliotecas portuguesas, Maria José Moura. O comunicado da Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, do passado dia 2 de novembro, dizia: “Faleceu a nossa colega e amiga Maria José Moura. A DGLAB associa-se a todas as manifestações de pesar pelo falecimento desta figura que, reconhecidamente, teve um papel determinante na Leitura Pública no Portugal democrático, em particular, com a implantação do Programa da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas.” No mesmo comunicado lia-se: “A investigadora Maria José Moura, responsável pela criação da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, em 1986, morreu hoje, em Lisboa, aos 81 anos… era considerada, por muitos, a 'mãe' da Rede de Bibliotecas Municipais", e que foram muitas "as diversas homenagens que lhe foram feitas, em Portugal e no estrangeiro, que reconheceram a mulher que serviu a causa das bibliotecas durante toda a vida".

Maria José Moura foi também, em 1973, sócia fundadora da BAD, Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, de que é Associada Honorária, e onde já desempenhou nomeadamente as funções de Presidente da Direção, Presidente da Assembleia Geral e recentemente Vice-Presidente do Conselho Diretivo Nacional.
Foi na representação desta instituição que, em dezembro de 2012, Maria José Moura esteve pela última vez na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, de Vila Nova de Famalicão.

Nessa ocasião a Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco encontrava-se a comemorar os seus 100 anos de vida e de história e inserida no programa do V Encontro de Serviços de Apoio às Bibliotecas Escolares, subordinado ao tema “Bibliotecas Públicas e Bibliotecas Escolares: Um SABE(R) em construção”, levou a efeito a realização de uma mesa redonda que se intitulava “Passado, Presente e Futuro: Os Desafios da Leitura Pública em Portugal”. Ora como não podia deixar de ser, para além de outras figuras igualmente distintas, como Henrique Barreto Nunes, Fernanda Ribeiro, Manuela Barreto Nunes e Maria João Sampaio, Maria José Moura marcou presença e deixou o seu incansável contributo ao tema que lhe era tão querido.

Maria José Moura lembrava nessa mesa redonda que as bibliotecas públicas estavam a atravessar um momento difícil e que, por isso, o caminho a seguir tinha necessariamente que passar pelo trabalho colaborativo e em rede para ultrapassar as dificuldades que se avizinhavam. Afirmou, também, que as bibliotecas públicas, tal como vários outros setores da sociedade, teriam que acompanhar a evolução dos tempos e lembrou que no futuro a biblioteca pública teria de repensar o seu papel, que a leitura deveria ser pensada em moldes diferentes e que o modelo tradicional de bibliotecas públicas já estava em crise. Lembrou, também, para o facto da biblioteca pública garantir o acesso à informação de uma forma democrática e concluiu que uma sociedade que não cuida das suas bibliotecas é uma democracia sem-abrigo.
Que sábias reflexões nos deixou a todos e que trabalho incansável deixou no setor das bibliotecas públicas e da leitura pública em Portugal.
Bem-haja, estimada Maria José Moura.

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