Correio do Minho

Braga,

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Um governo à Pingo Doce

Datas que não podem ser esquecidas durante todo o ano

Ideias

2015-12-11 às 06h00

Borges de Pinho Borges de Pinho

Pese embora qualquer intenção de publicidade, e seus efeitos, a grande realidade é que o presente governo se nos apresenta como uma grande superfície comercial na medida em que nas suas “prateleiras” (leia-se ministérios) não faltam os mais variados produtos e “artigos”, quase que à vontade do freguês, dado se patentearem certas marcas que se nos afiguram fora de moda e mesmo alguns “modelos” com demasiado tempo de exposição, e até com o prazo de validade a expirar.

Mas isto de supermercados e superfícies comerciais têm muito que se lhe diga porquanto em Junho/Julho do corrente ano, no L. Eclerque de Braga, e em promoção, deparámos expostas numa das prateleiras várias latas de atum marca “Sócrates” numa embalagem de cartolina onde surgia a indicação de «atum posta em óleo vegetal», indexada a uma imagem bem rosada e apelativa. Que, diga-se, ainda conservamos como recordação já que tal produto da Cofisa, da Figueira da Foz, se apresenta com um prazo de validade alargado, como vem impresso.

Como aliás, reconheça-se, dentro do prazo de validade se encontra o actual governo, numa salgalhada de socratinos, seguristas, costistas, guterristas, sampaiistas, soaristas e outros, tudo numa amálgama de “produtos” e “marcas” conhecidas a que se juntaram alguns produtos de marca branca, os mais preferidos em tempo de crise,com que Costa quis contentar e presentear os seus prosélitos. E daí que prontamente, e por piada,

Logo foi denominado de “Pingo Doce” e como tal classificado porque “integrado”e “dependente” do grupo «Jerónimo Martins» (do Jerónimo de Sousa do PC e da Catarina Martins do BE), o que, diga-se, não é tão só mera emanação do usual espírito anedótico do portuguesinho porquanto na verdade Costa se apoiou nos acordos com tais partidos, ainda que tenha procurado responder e satisfazer as várias “vivências” do PS, rodear-se de “amigos” e conhecidos “homens de mão” e mostrar-se avesso a xenofobias, discriminações de sexo ou outras pelo que entre os 17 ministros e 41 Secretários de Estado se encontrem 19 senhoras, uma das quais invisual, e certos quadros de diversa etnia como a cigana e outras.

Numa amálgama de nomes e figuras em que ao “calo” político de uns se junta muita “verdura” e falta de traquejo governamental de alguns outros, até porque os oriundos do grupo da Câmara, e muitos dos seus fiéis, não se nos afiguram com “cabedal” bastante para irem além de um “yes man” nos debates mais acesos, fracturantes e de algum atropelo social.

Esperamos que nas reuniões do governo e mais sessões de trabalho não se venha a desaguar e a descambar em questões, quezílias, disputas e problemas de natureza e ordem doméstica, e com contornos familiares, pois então os ecos dessas reuniões tornar-se-ão verdadeiramente épicos, “gostosos” e até hilariantes para o país, “alimentando” os media, os facebooks e dando azo a mais anedotas e piadas.

Por acaso já alguém pensou ou imaginou uma eventual discussão e troca de palavras entre pai e filha num quadro de aplicação de uma medida legal ou de disponibilidade financeira (entre Vieira da Silva, ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e a Mariana, adjunta do primeiro ministro) ou, mais grave e ridículo ainda, entre marido e mulher (entre o Cabrita, ministro adjunto do primeiro ministro e a Ana Paula Vitorino, ministra do Mar) em ultrapassagem a toda uma qualquer problemática doméstico-familiar e de interesses!?

E nem sequer queremos trazer à colação as sempre possíveis e concretas interpelações ao primo de José Seguro, Jorge Seguro Sanches, como secretário de Estado da Energia, ao secretário de Estado das Infraestruturas Oliveira Martins, que é tão só filho do ex-Presidente do Tribunal de Contas e ex-ministro de Guterres e ainda ao filho de Mário Soares, agora Ministro da Cultura (!?), procurando saber o que pensam desta e daquela medida a tomar os paizinhos e o primo!?!... Aliás temos forçosamente de convir que isto nem parece um governo mas tão só uma reunião de família e um encontro de convívio entre amigos !... Mas isto não é tudo, diga-se...

Porquanto tal encontro ou convívio se configura e se apresenta com perversos contornos de, em “saudade” e “recordações”, se fazer toda uma “retoma” do passado, pois lá estarão figuras muito próximas de Sócrates e seus governos, como os Santos Silva, Cabrita, Vieira da Silva, Capoulas, Ana Vitorino, Pedro Marques, J.L. Carneiro, Prata Roque e outros, ainda que Costa procure “respaldar-se” no Centelho e seus pares do plano macroeconómico do PS e “apostar” forte na fidelidade e “artes” dos que consigo conviveram e trabalharam na Câmara (Graça Fonseca, na Modernização Administrativa, João Vasconcelos, na Indústria, João W. Meneses, João Soares, e outros).

Mas a grande e triste realidade é que no “naipe de governantes” há figuras de nulo consenso e com provas dadas no trauliteirismo, como Santos Silva, Cabrita e P.N. Santos, alguns outras de duvidosa e questionável acção em termos governativos, como João Soares, Pedro Marques, Azeredo Lopes e ainda muitas outras que, porque desconhecidas, tão só merecem o benefício da dúvida.

Alias, neste “naipe de governantes” continuam a predominar economistas, advogados e apregoados juristas pelo que é de se continuar a desconfiar de uma qualquer e real melhoria do país em termos de eficiência, progresso, segurança, realismo e justiça. Aliás, se nos surpreendeu a escolha da Ministra da Justiça, magistrada que conhecemos dos seus tempos de acessora na era do PGR José Narciso e cujas qualidades e trabalho tivemos a oportunidade de apreciar e enaltecer, é de todo lamentável e ofensivo que se venha dizendo que tal se ficou a dever ao facto de ser do MP e a toda uma intenção de se “anular” e “abafar” o processo de Sócrates.

Face ao carácter, personalidade, integridade e valores morais e intelectuais da figura em causa, tais “bocas” configuram-se como gravemente injuriosas e ofensivas e de repudiar. Aliás, Sócrates, agora “estranhamente” muito calado, já tem no governo o seu ex-advogado Prata Roque e outros, e não minguam fora muitas figuras sonantes que lhe são afectas como os Araújo, Dellile, Proença de Carvalho e outros que tais. Mas deixemos o governo governar porquanto “Vivemos tempos de bonecas russas (estalinistas e trotsquistas) que se encaixam umas nas outras” (Leonardo Ralha, CM 26.11.15) e tão só nos resta discordar que numa caricatura a carvão exposta na Rua do Souto, em Braga, figure o Costa com a Catarina ao colo, porque despropositada e não correcta.

Não é o contrário ?!... E o PCP não encaixa aí ?... Aliás, Jerónimo de Sousa disse que após as eleições “O PS estava com os pneus em baixo. Mas depois de ouvir o PCP percebeu que era possível dar corpo a uma solução política”, pelo que se nos afigura de todo oportuno, anedótico e com piada o exarado no «Quiosque»( CM de 8.12) quando se diz “que os comunistas são agora a apólice de seguro com reboque e assistência em viagem dos socialistas”.

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