Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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“Um jogo para ainda hoje recordar”

Semana Europeia da Mobilidade: incentivo para uma Europa mais eco-friendly

Conta o Leitor

2019-08-10 às 06h00

Escritor Escritor

Carlos Alberto Rodrigues

“Se não houver frutos, valeu a beleza das flores… Se não houver flores, valeu a sombra das folhas... Se não houver folhas, valeu a intenção da semente…”
(Henfil)

Escrever sobre o SC BRAGA é sempre um ato de Amor e Paixão, adjetivos entranhados bem no íntimo de cada braguista um fator de paixão e orgulho. Neste particular de jogos inolvidáveis ficaram na minha (nossa) memória ou porque foi importante no seio da competição ou porque se tratou de um jogo que pelas incidências, mexeu com o coração dos adeptos, a escolha é vasta e até se fosse a escrever amanhã outras linhas sobre o assunto por certo o jogo que relataria seria outro.

Assim, nesse aspeto, recordo com saudade mas com um sorriso nos lábios, o ano de 1982, jogo das meias-finais da Taça de Portugal época 82/83 que opunha no velhinho 1.º de Maio - a rebentar pelas costuras – o SC Braga ao Benfica, com a vitória a sorrir ao “braguinha” por duas bola a uma com os golos da nossa equipa a serem marcados pelo açoriano Armando Fontes (os dois).
Foi uma partida de futebol jogada num Sábado vésperas de Aleluia.

Antes de chegar ao jogo do tudo ou nada para atingir a final, os bracarenses tinham começado a caminhada com uma vitória caseira por 2-0 sobre o Ermesinde seguindo-se o P. Ferreira com vitória na Mata Real por 1-0. A terceira “vítima” dos arsenalistas foi o Cova da Piedade, a quem venceu por 2-0 na margem sul do Tejo. Já em plenos oitavos de final, e agora em pleno 1º de Maio arrumou, por uma bola a zero a turma do Amora, enquanto nos quartos a anteceder o jogo referência deste artigo, apesar de ter sofrido o primeiro golo na prova, conseguia por outro lado o maior pecúlio em golos marcados: três. O adversário que até costuma ser de má memória nestas coisas de taça: o Leixões e logo em pleno estádio do Mar.

Era chegada a altura de jogar no 1.º de Maio com o Benfica e deixar de fora da conquista da prova rainha do futebol português um dos maiores candidatos.
2-1 foi o resultado. Feitas as contas em relação aos golos marcados e sofridos tinha-se conseguido uma performance de onze golos marcados contra apenas dois sofridos. A estes juntar-se-iam os quatro golos da final perdida para o Sporting.
Paralelamente, na mesma época, o SC Braga no campeonato nacional terminara ao fim das 30 jornadas num aceitável 7.º lugar correspondente a 11 vitórias 8 empates e 11 empates e com 34 golos marcados e 42 sofridos o que dita a média de um ponto por jornada pois terminou com 30 pontos.

De volta ao jogo contra o Benfica, o jogo que interessa, começaram bem as coisas com o SC Braga apoiado por uma ruidosa e alegre massa associativa – passou também por aí o sucesso - com Fontes a marcar na primeira parte e depois a desfazer o empate já a meio da segunda parte.
Foi um jogo com todos os ingredientes necessários para uma bela partida.
Numa toada de parada e resposta com um palco á medida do que o espetáculo merecia (um pouco a antítese do que é hoje o espírito da nossa prova rainha, a mesma que arrastava multidões eliminatória atrás de eliminatória e com os chamados “tomba-gigantes” a aparecerem em praticamente todos os patamares até à final do Jamor. Até nisso o espírito atual transfigurou-se e cada vez mais “fazemos figas” para que os mais “pequenos” (os Davides) virarem “grandes” por uma vez que seja, Golias.

Começou por ser um jogo sem correr muitos riscos, mas tomando a iniciativa do jogo e depois, um pouco à imagem do SC?Braga atual, sempre à espera do erro do adversário, espreitava as oportunidades que iam aparecendo sempre com homens muito fortes na frente de ataque como eram os casos de Fontes (a figura do encontro, ao marcar os dois golos da sua equipa), Mundinho Joy ou Chico Faria. Mas não era só no ataque que pontificavam nomes de meter respeito. Senão vejamos aquela que costumava ser a equipa -tipo dessa época:
Guarda-Redes: Valter (um dos meus preferidos, a par do Conhé, Hélder Rui Correia Quim ou Eduardo)
A defesa era feita de “betão” quase impermeável: lá encontrávamos na direita Artur, na esquerda o João Cardoso (quem não se lembra das meias pelo tornozelo, calções no cai que não cai e aqueles remates em folha seca que deliciavam a plateia braguista?) Eram acompanhados por Dito, Nelito ou Guedes, que tínhamos “pescado” nesse ano ao Varzim. No miolo do terreno uma autêntica parada de estrelas da altura com jogadores bem acima da média (não fosse o desgaste na Taça e certamente que no campeonato podíamos ser uma agradável surpresa, mesmo assim: José Serra e Vítor Oliveira, do Ginásio de Alcobaça tinham vindo os fabulosos Vítor Santos e Spencer ou o outro José, o Carlos. Finalmente, na linha avançada e depois de ter passado pelos vizinhos do V. Guimarães, Mundinho um poço de energia, um verdadeiro “touro” cheio de raça e força cuja envergadura física por si só impressionava e colocava em sentido qualquer defesa. A ele juntava-se a restante armada, comandada por Fontes que foi dos melhores marcadores do campeonato, junto com Joy, Chico Faria, Germano ou Malheiro. Gostava de ter muitas mais memórias sobre o jogo mas pela tenra idade que apresentava creio que está contado aqui um dos melhores desafios que vi tendo como protagonista o nosso Braguinha com aquele sabor especial de ter sido contra o Benfica.

Apenas recordo que ficamos, no final da partida, com a ideia de que podíamos ter marcado mais um ou dois golos, mas os dois marcados pelo Açoriano que o SCB foi buscar ao Lusitânia dos Açores (creio eu, se a memória não me atraiçoa).
Só um último reparo: não imaginam a minha tristeza (e de todos os outros braguistas) aquando do golo encarnado: parecia que estávamos na Luz. Por isso (não só mas também) é que hoje um dos meus maiores prazeres e felicidade é reparar que essa mistura entre o encarnado e o vermelho tende cada vez mais a dissipar-se e acredito que falta menos do que julgamos para os ver reduzidos ao cantinho que é reservado às claques dos adversários. Na impossibilidade de apresentar o escalonamento das equipas dessa meia-final, deixo viva a memória do jogo disputado em Oeiras, no Jamor que ditou a derrota por 4-0 do SC Braga frente ao Sporting de Oliveira, Jordão... O Treinador do SC Braga à data era o Senhor de nome Quinito, que na final apareceu engalanado à altura da circunstância de fato e gravata numa imagem ainda hoje muitas vezes comentada. Que saudades!

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