Correio do Minho

Braga, terça-feira

“Uma Responsabilidade Coletiva! Sobredotação”

“Novo tabaco” mata 600 mil crianças por ano

Escreve quem sabe

2018-10-09 às 06h00

Cristina Palhares

No próximo dia 20 de outubro, pelas 11h00 na Centésima Página apresentarei o livro intitulado “Uma Responsabilidade Coletiva! Sobredotação”. Irei apresentá-lo a convite dos seus autores, fazendo jus aos quase vinte anos que dedico a esta temática. Não na investigação, não na escrita, mas na transposição para a prática, junto de crianças e jovens com caraterísticas de sobredotação e talento, que fizeram dos meus sábados de manhã, ponto de encontro numa escola (a EB 2,3 de Lamaçães). Uma escola para lá da escola. A escola para lá da sala, das paredes, do quadro, do caderno… a escola que não é escola. A escola em que todos contam, um por um, porque diferentes.

Na contracapa do livro podemos ler: “Uma escola e uma educação inclusivas assumem o desafio diário nas suas práticas de uma atenção diferenciada às caraterísticas e necessidades de cada criança e jovem tendo como objetivo o desenvolvimento máximo dos seus recursos e potencialidades. Esperemos que a leitura e estudo dos capítulos deste livro sejam uma fonte inspiradora para a conceção, implementação, monitorização e avaliação da eficácia das medidas assumidas pelos órgãos da escola e aplicadas pelos professores e demais profissionais da educação que apoiam o seu projeto e ação educativa!”. Assim, o livro apresenta-nos uma compilação de 8 artigos sobre esta temática, reunidos pelo Presidente fundador da ANEIS, Professor Leandro Almeida e pelo atual Presidente, Dr. Alberto Rocha, reforçando o quão importante é uma “análise científica da sobredotação e excelência,

creditando desta forma o seu discurso e consultadoria junto das famílias e das escolas que assumem uma resposta proactiva e positiva às crianças e adolescentes de elevado potencial.” Queremos sim, continuar a dar uma resposta assente na investigação, na partilha, no conhecimento das muitos e variados modelos de intervenção que permitam enriquecer e ajudar a responder às necessidades destas crianças e jovens. Acreditamos também na máxima transcrita no verso da capa: “Tratar as pessoas de forma diferente pode ser a melhor maneira de atender às suas diferenças e proporcionar, no limite, a igualdade de oportunidades.” A escola inclusiva tem agora responsabilidades acrescidas: não é só a de colocar todas as crianças e jovens fisicamente juntos numa sala de aula, como ainda há pouco tempo me disseram: “agora temos os alunos todos dentro da sala, e sem ajudas, porque a escola tem que ser inclusiva”. Será que não é antes a escola inclusiva aquela que retira os alunos da sua sala de aula quando as respostas criadas para as suas necessidades estão fora dela? Será que não é antes a escola inclusiva aquela onde as paredes e portas deixam de existir para separar alunos por idades e se transformam em respostas inovadoras e criativas potenciando o desenvolvimento pessoal, social e emocional? Será que não é antes a escola inclusiva aquela que aceita e aposta na diversidade, promovendo e celebrando a diferença como apanágio do desenvolvimento da humanidade? Será?

Pois…. Gostava de acreditar. Que sim! Que a nossa escola assume a sobredotação como uma responsabilidade coletiva. Esta semana conversei com um pai – que me dizia ter “parado” o estímulo à sua filha a pedido da educadora para que o processo de leitura não se fizesse antes do tempo normal – aquele que dizem que é feito no primeiro ano da escolaridade obrigatória. Bem haja a quem iluminadamente determinou que as crianças só aprendem a ler a partir de setembro do ano letivo em que se inscrevem no sistema educativo português. Gostava também de em educação ter tantas certezas. Mas mais certeiro ainda: “Se ela souber ler antes de entrar para a escola vai ter um ano terrível”. Com profecias destas, quem se atreve? O pai não se atreveu por certo. Mas mesmo assim, mesmo sem estímulo e pelo contrário, retirando tudo o que pudesse estimular uma aprendizagem (autoaprendizagem necessariamente) a menina aprendeu a ler. Que azar!! Agora vai para o primeiro ano…. Pois vai. E já sabe ler… e aprende depressa… e tem interesses tão diferentes de alguns meninos da sua sala.

Mas no meio de todo o azar… algo nos vai valer. A escola agora é inclusiva! Saiu o decreto. Eu sei… eu sei. Vai ter que estar dentro da mesma sala de aula porque a escola é inclusiva. E como vai estar dentro da sala de aula tem que aprender o mesmo que os outros. Ai… afinal não. Os professores têm 20 e muitos alunos, quase 30, dentro da sala, mas têm que ser flexibilizadores… porque devem flexibilizar o currículo. E não é só para aquela menina que já sabe ler… é para cada um. Porque a escola é inclusiva. Saiu o decreto. Pois… mas os meninos e meninas não podem sair da sala… e eu que achava que ela podia ir até à biblioteca, à sala de computadores, ao corredor onde estão alguns jogos de estratégia… eventualmente a outras salas onde se dão matérias de acordo com os seus anteriores conhecimentos… desculpem. Enganei-me. É que a escola é inclusiva e por isso os alunos não podem sair da sala. Saiu o decreto!

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