Correio do Minho

Braga, sexta-feira

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(Vermi)Compostagem

O sofisma

Escreve quem sabe

2013-06-01 às 06h00

Ana Cristina Costa Ana Cristina Costa

É um processo controlado de decomposição de matéria orgânica (restos de comida e outros materiais), utilizando minhocas (Eisenia fétida) para a transformar num produto semelhante ao húmus, chamado vermicomposto. É utilizada normalmente por quem não tem acesso a solo, isto é, que vive em apartamentos.

São vários os benefícios proporcionados pela produção e uso do composto, nomeadamente, o aumento de microrganismos benéficos e de matéria orgânica no solo, maior porosidade e melhoria da estrutura física do solo, plantas mais robustas, fornecimento lento de macronutrientes e micronutrientes, efeito tampão do pH do solo e a optimização dos resíduos orgânicos disponíveis que assim se transformam num recurso, redução da emissão de gases com efeito de estufa (GEE), diminuição dos custos com a recolha de resíduos, aumento da vida dos aterros, envolvimento dos cidadãos, auxiliando na mudança de estilos de vida destes.

Fatores que influenciam a atividade da minhoca vermelha ou americana
- Temperatura - de 15 a 25ºC degradam mais rapidamente a matéria orgânica, o frio e o calor diminui a sua atividade e pode matá-las,
- pH - 5 a 9, fora dele tentarão escapar da caixa ou morrerão,
- Humidade - respiram através da cutícula que tem de estar húmida,
- Arejamento - necessitam de oxigénio - indispensável o arejamento do vermicompostor,
- Luminosidade - fogem da luz.

Como fazer a nível doméstico
1. Local (para a caixa de minhocas): escuro, abrigado do frio e calor, seco e ventilado (varanda ou garagem).
2. Vermicompostor
- caixa de plástico, esferovite ou madeira;
- deve ter orifícios na tampa e partes laterais (arejamento) e no fundo (escoamento de eventual excesso de humidade);
- grande superfície em comparação com a altura e profundidade, ex: 90cmX60cmX25cm;
- Tamanho (depende da quantidade de resíduos).
3. Comida
Qualquer tipo de vegetal desde que em pedaços (exceto citrinos).
Iniciar o processo
Cortar tiras de jornal (2 cm de largura, evitando as folhas coloridas), amarrotadas em bola;
Forrar o fundo com esse papel humedecido;
Adicionar uma mão cheia de terra (acrescentar microrganismos);
Juntar as minhocas (por cada kg de resíduos adicionado por semana são necessárias 300g de minhocas);
Colocar os restos de comida;
Cobrir novamente com cama.

Manutenção
Revolver cuidadosamente o material com um ancinho;
Se estiver seco (borrifar com água ou juntar cama humedecida) se estiver molhado (não adicionar alimento muito rico em água, adicionar cama seca e colocar a caixa num local pouco húmido);
Colocar alimento (afastar a camada de jornal superior para um dos lados, espalhar a comida e cobrir com a cama);
Adicionar mais cama sempre que esta desaparecer.
Separação do composto
Colocar cama nova em metade do vermicompostor;
Adicionar comida só à nova cama e esperar que elas se concentrem nessa zona (demora 1 ou 2 semanas);
Retirar o composto e colocá-lo na tampa e espalhá-lo, deixando num dos cantos um pequeno monte;

Expor à luz;
Passado uns minutos retirar cuidadosamente o composto espalhado, verificando se não tem casulos (recolocá-los na caixa pois daí eclodirão novas minhocas); guardar o composto em local arejado (está muito húmido) ou utilizá-lo;
Espalhar agora o vermicomposto do monte, deixando ainda um pequeno monte;
Repetir a operação até que quase só tenha minhocas no monte, então devolvê-las ao vermicompostor.

Aplicação do vermicomposto
Deve ser aplicado no Outono ou na Primavera, imediatamente antes de plantar ou semear. Caso contrário pode ser seco e guardado.
Ou pode ser usado fazendo “chá de vermicomposto” - colocar o vermicomposto num pano fino fazendo uma “boneca” e atar, mergulhá-la num regador com água e deixar assim de mo-lho 3 dias, após o que pode ser utilizado como ativador de uma pilha de compostagem. Pode também desdobrar-se cada litro em mais 9 e usá-lo para regar as plantas envasadas como fertilizante líquido foliar ou radicular. E é um fungicida de prevenção e tratamento, se borrifado em ambas as faces da folha. O armazenamento do chá não deve ultrapassar 2 semanas.

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