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Ideias

2019-05-24 às 06h00

Vítor Paulo Pereira

A maledicência é filha da preguiça. A campanha sombria que alguns partidos estão a fazer nestas eleições é bem testemunho disso. É claro que uma campanha negativa é, aparentemente, eficaz e é mais fácil de fazer porque não exige argumentos e muito menos propostas. Na verdade, até alimenta a boa fé dos convertidos, mas não entusiasma, não galvaniza e não convence para além do centro gravitacional do próprio partido. É, portanto, uma estratégia errada, mas a única possível para quem não tem trabalho a apresentar. 

Sabemos que as razões da insensibilidade europeia são complexas e diversas. Mas sejamos justos, esta forma de fazer política é também um grande contributo para elevada taxa de abstenção. E aqui nós, os políticos, temos todos culpa. Uns mais do que outros. No fundo, todos sentimos que não existe um discurso europeu. Há, de facto, um discurso pró-Europa. Mas não há um discurso europeu e corajoso. Ainda há tentação de dizer que vamos para a Europa para defender os interesses de Portugal, quando deveríamos dizer que vamos para a Europa para defender os interesses da Europa. Ao defendermos a Europa, não estamos, no fundo, a defender Portugal?

A Europa não pode ser aquilo que sobra dos escombros das batalhas políticas de cada nação. Constata-se que a maior parte dos países europeus, apesar de terem perdido grande parte do velho fulgor nacionalista, ainda não mostram uma vontade forte de ser Europa. Vivemos, de facto, uma crise de identidade e crescimento, que impede a vontade de criarmos pilares comuns que suportem uma verdadeira identidade social, económica, política e cultural no espaço da União. E não precisamos de sair do nosso país ver isso. Todos reconhecemos o papel que a integração europeia desempenhou no desenvol- vimento do nosso país, a vários níveis, mas ainda não sentimos um especial entusiasmo pela UE que continua lá longe. A abstenção prova-o.

Não podemos em nome de uma segurança ilusória ou por medos infundados, épocas de ouro ou nostalgia nacionalista, deixarmos degradar de forma irresponsável o quadro de cooperação que representa a UE. Somos diferentes, temos interesses divergentes, mas existe um quadro cultural e civilizacional que nos une e nos responsabiliza. Não nos devemos iludir, a Europa foi sempre a confusão livre que passou por muitos tormentos. Precisamos, pois, de encontrar um quadro de cooperação que assegure estabilidade e paz. Basta saber um bocadinho de História para sabermos que a Europa foi e poderá voltar a ser o mais violento dos continentes.
Não tenhamos dúvidas que não temos alternativas. Não há futuro para a Europa fora do quadro de cooperação conseguido até ao momento. O que temos, aquilo que conseguimos, até pode ser frágil, mas é o que de mais forte temos para enfrentarmos alguns dos graves problemas da actualidade. 

Temos, no entanto, de ser lúcidos, porque no atual estádio de desenvolvimento político da UE porventura não temos condições para dar passos mais arriscados. No presente a Europa precisa de encontrar soluções e resolver as questões estratégicas que dividem os estados-membros. Mas no futuro, temos de ser corajosos e começar a pensar numa democracia mais direta e próxima dos cidadãos, equacionar uma política de defesa comum sem quebrar o interesse atlântico, bem como trabalhar na uniformização fiscal.

Temos de ser corajosos, não podemos cair na ilusão e acreditar que a construção europeia está tão avançada que é impossível voltar atrás. A UE não é uma herança, mas sim uma conquista de todos dias que exige vigilância, espírito de cidadania e cooperação entre todos. Nunca é demais lembrar que é um projecto de solidariedade entre povos e nações, e não uma mera união económica reduzida a um debate que parece não ter fim, entre contribuintes e beneficiários.

Antes que seja tarde, temos de ser capazes de descobrir o caminho. Porque se não sabemos para onde queremos ir nenhum vento é favorável. Precisamos de avançar mais. 
Temos sido uma Europa envergonhada, uma Europa do possível, quando precisamos de uma Europa do entusiasmo.  O seu voto no dia 26 é um pequeno gesto, mas um grande contributo para essa Nova Europa. Vote. Votar é cuidar. 

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