Uma casa onde a ciência se faz à medida de cada um

Braga, As Nossas Escolas

autor

Teresa M. Costa

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Há um local na cidade onde as estrelas ganham outro brilho e os planetas outra dimensão, mas há muito mais para descobrir no Planetário - Casa da Ciência de Braga. Que o digam os milhares de alunos que já por lá passaram desde que ele abriu portas, em Novembro do ano passado.
As crianças do Jardim de Infância (JI) e da Escola Básica do 1.º ciclo (EB1) de Trandeiras só vestiram a bata - porque curiosidade têm q.b. - e, por umas horas, foram cientistas, pequenos, mas só no tamanho. Os alunos da EB1 partiram à descoberta do ciclo de vida de um anfíbio e tiveram oportunidade de observar, à lupa, girinos e outras espécies presentes na água de um charco.

Ficaram a saber que as salamandras e os tritões não emitem sons, ou seja, não têm vocalização, como outras espécies.
Antes de chegarem ao laboratório, os alunos foram astronautas e, na visita ao planetário, viram, mais de perto a vida numa estação espacial.
Rodrigo Ferreira, de sete anos e a frequentar o 2.º ano, conta que gostou de “ver os planetas e os foguetões” e aprendeu que “os foguetões se desmontam para poder ir mais longe, onde os cientistas não podem ir e onde deixam uma máquina para estudar o local”.

Já o Pedro, de nove anos, ficou a saber que o planeta Terra tem uma atmosfera que a protege dos asteróides.
Na visita ao planetário, Pedro descobriu que o Mercúrio é o planeta que está mais perto do Sol, mas não é o mais quente, ‘lugar’ reservado a Vénus onde a temperatura ronda os 400.º C.
Entre a viagem aos planetas e as experiências no laboratório, Tiago, de oito anos, assume que gostou mais dos planetas e relata que aprendeu que “Urano está ao contrário” e que o foguetão, cada vez que é lamçado, fica mais pequeno.

Tiago revela que vai pedir aos pais para vir mais vezes à Casa da Ciência de Braga, onde também ficou a saber muitas coisas sobre as rãs e os sapos.
A professora desta turma, que junta 17 alunos do 1.º, 2.º e 3.º anos, da EB1 de Trandeiras, Fátima Ferreira, explica que a visita ao Planetário - Casa da Ciência é mais dirigida para o 3.º ano, mas como a turma é mista vieram todos “e é benéfico para todos” porque “aprendem todos um bocadinho”.
“A ver as coisas e a fazer aprendemos melhor” confirma Guiomar Sà Machado, a educadora que acompanha as 14 crianças do JI de Trandeiras.

Guiomar Sá Machado não tem dúvidas de que “a aprendizagem pela vivência é uma vantagem” já que as crianças têm oportunidade de explorar os aromas, o tacto, as cores e as formas. Como na visita ao planetário onde as crianças são desafiadas a percorrer o sistema solar, comparando os planetas, ora a uma bola, ora a um crepe.
O pequeno Guilherme teve um pouco de medo do escuro, mas também aprendeu que “o escuro não faz mal nenhum e até ensina coisas” explicou a educadora.
No final, Guiomar Sá Machado quis saber qual foi a sensação de entrar numa nave espacial e viajar pelo universo. “Eu gostei dos planetas”, “eu dos homens na lua” ecoaram várias vozes e houve quem gostasse de tudo.

Mesmo os mais pequenos mostraram que já sabiam muitas coisas, mas também aprenderam de novo, entre meteoritos, asteróides e crateras. Antes desta ‘viagem espacial’, as crianças do JI de Trandeiras puseram mãos à obra na oficina pedagógica ‘Que cheirinho’ de onde levaram, cada um, o seu sabonete feito com ervas aromáticas, e que vai de encontro ao projecto da horta com aromáticas.
“É uma experiência para repetir” assume Guiomar Sá Machado, que defende que “todo o ensino deveria ter esta vertente prática que é gratificante a 100 por cento.”

Uma aula de ciência(s) diferente

É só para as escolas que o Planetário - Casa da Ciência de Braga, localizado em Gualtar, abre as portas, durante a semana, cumprindo a missão de complementar o curriculum com actividades adaptadas a cada ano escolar. “Conseguimos auxiliar o processo educativo e fazer com que o dia seja diferente despertando nos alunos a curiosidade científica” afirma o director da Casa da Ciência de Braga, João Paulo Vieira, que concretiza: “os alunos têm uma aula diferente com recursos que não têm na escola”.

A Casa da Ciência nasceu da ‘Orion’ - Sociedade Científica de Astronomia do Minho, mas vai além da astronomia e o objectivo é abordar outras áreas curriculares.
Além do planetário, os alunos encontram uma oferta diversificada que é concertada com os professores em função do curriculum, sendo a linguagem e os instrumentos ajustados conforme as idades. “O nosso trabalho tem sido de adaptação às necessidades e interesses de cada grupo” explica João Paulo Vieira que justifica: “a divulgação da ciência faz-se se as crianças ouvirem as coisas certas de forma certa”.

Mais difícil tem sido gerir a agenda, numa casa visitada por uma média de 900 alunos por mês e com algumas limitações de espaço, já que não pode receber mais de 90 participantes em simultâneo.
A maioria das escolas que visita o Planetário - Casa da Ciência de Braga são do concelho, fruto do protocolo estabelecido com o município e que prevê visitas gratuitas para alunos dos jardins de infância e 1.º ciclo, havendo 50 por cento de desconto para os restantes níveis de ensino.

O município de Braga assegura, também, e sempre que necessário, o transporte dos alunos.
Para o público em geral, e famílias em particular, as actividades são pré-agendadas, mas “há sempre alguém a bater à porta” aponta o director, que salvaguarda que “não é um espaço só de visita, ou seja, a oferta é muito concreta”.

Já houve workshops sobre protecção da natureza, sobre como manipular um telescópio e, recentemente, um café-ciência sobre a descoberta de sete novos planetas. Para breve está anunciado um curso de astronomia, sendo objectivo abrir noutras áreas. Quer no caso das escolas, quer do público em geral, a missão desta Casa da Ciência é suscitar a curiosidade e o debate.

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