Pedro Carreira: Foram negados investimentos por falta de acessos dignos

Entrevistas

autor

Rui Alberto Sequeira

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A qualidade, a eficiência e os trabalhadores fazem a diferença no processo de afirmação
da Continental Mabor. Pedro Carreira, presidente do Conselho de Administração da fábrica da multinacional alemã Continental, sublinha a estratégia de investimento na consolidação da empresa, a maior exportadora da região norte e a quarta no ranking nacional, mau grado o constante adiamento pelos governos da construção de acessos á empresa localizada em Lousado, Famalicão.

P - A Continental Mabor é a maior exportadora na região norte do país e é a quarta maior a nível nacional. Tem merecido dentro do universo do grupo Continental um reconhecimento do trabalho efectuado através do investimento feito pela multinacional alemã na unidade de Lousado, num contexto de concorrência externa e mesmo dentro do próprio grupo.
R - Ao longo destes anos temos conseguido diferenciar-nos no interior do grupo Continental como uma fabrica de referencia em vários dos seus indicadores. Um deles é o da qualidade. No ano que passou obtivemos pela quinta vez consecutiva o prémio da melhor fábrica em termos de qualidade do grupo Continental - divisão de pneus ligeiros - e pela terceira vez consecutiva uma das fabricas mais eficientes da mesma divisão. São indicadores de referência que nos facilitam o diálogo quando estamos a discutir investimentos feitos em Portugal. Conseguimos no decorrer dos últimos anos fazer um conjunto de investimentos e desenvolvimento que nos tem permitido crescer e ocuparmos a posição que hoje temos em Portugal.

P - Recentemente anunciaram um novo investimento em Lousado, uma nova unidade de pneus agrícolas. É uma diferenciação daquilo que têm vindo a produzir no sector?
R - No ano passado, em Agosto, fizemos a inauguração do espaço físico onde a fábrica de pneus agrícolas iria arrancar. Foi um investimento de 50 milhões de euros. Neste momento já iniciámos a produção dos primeiros ‘pneus teste’. Conseguimos fazer a aprovação dos pneus em tempo recorde e se tudo correr como o previsto, até final do próximo mês de Setembro estaremos com a fábrica a fazer laboração normal e a entregar os primeiros pneus agrícolas para o mercado mundial. A vocação da Continental Mabor é a exportação. Mais de 98 % do que nós produzimos é para ser exportado quer em pneus agrícolas, quer em pneus ligeiros. Entretanto conseguimos ‘convencer’ a casa-mãe a fazer um investimento de mais 100 milhões de euros na expansão da atual fábrica de pneus ligeiros.

P - A qualidade é o grande argumento que apresentam quando discutem investimentos para a unidade de Lousado?
R - Sabemos, porque temos de ser humildes, que estamos numa competição a nível mundial. O grupo Continental tem neste momento 20 fábricas espalhadas pelo mundo e todas querem ser as melhores. Nós conseguimos essa façanha durante os últimos cinco anos e num desses anos conseguimos ser também a empresa que mais melhorou. A qualidade é um ponto e isso é o que os nossos clientes percebem quando compram os nossos pneus, mas a eficiência é um dos aspectos concorrenciais com as outras fábricas do grupo. Se todos no grupo temos a mesma qualidade o que é que pode ser argumento para que os investimentos sejam realizados na Continental Mabor? A eficiência.

P - Este investimento na produção de pneus agrícolas é importante para o futuro da unidade de Lousado?
R - Há cem anos fazer a mudança de uma fábrica era algo muito complicado. In- felizmente nos tempos que correm é mais fácil, mudar de localização. É preciso perceber que o investimento é pesado; é feito em construção e em maquinaria que não se consegue colocar em contentores facilmente. Todo o investimento que estamos a fazer na nossa fábrica prevê logo à partida uma duração grande de permanência. O que nós estamos a fazer é garantir que os alicerces da empresa sejam de tal modo grandes que qualquer outro pensamento seja colocado de lado. Quando nós diversificamos ganhamos ainda mais im- pacto na organização da empresa.

P - O investimento na fabricação de pneus agrícolas e o investimento em pneus de alta performance faz seguramente parte dessa estratégia de consolidação da Continental Mabor em Portugal.
R - Tem sido a estratégia ao longo dos anos na empresa: garantir a longevidade da unidade, garantir o futuro da fábrica.

P - Para além da qualidade e da eficiência que já sublinhou nesta entrevista, qual tem sido o segredo da expansão, do crescimento, do desenvolvimento da Continental Mabor, que é hoje a maior exportadora da região norte e quarta maior a nível nacional?
R - Nós temos muitas máquinas, do melhor que existe no mundo. Mas as mesmas máquinas fabricam com qualidades diferentes e aquilo de que eu tenho estado sempre a falar é do que constituiu para mim o grande segredo do sucesso: as pessoas. É nelas que reside tudo aquilo que fazemos. Atrás de mim há uma equipa gigante de 1900 colaboradores. A fábrica original foi desenhada para produzir 14 mil pneus/dia, com esse investimento acabámos por conseguir produzir muitos mais. Produzimos sempre mais do que o previsto inicialmente e não era porque prevíamos produzir pouco, era porque já prevíamos mais do que aquilo que é feito em outras fábricas, achávamos que tínhamos capacidade de o fazer e conseguimos sempre provar que com o mesmo equipamento e com o mesmo investimento, em Lousado éramos mais eficientes.

P - A sua experiência profissional no grupo Continental levou-o ao Brasil e à Roménia onde dirigiu fábricas do grupo. Muitas vezes refere-se que o trabalhador português não tem uma mentalidade capaz de o fazer ser produtivo ou concorrencial. Essa capacidade produtiva tem também a ver com modelo de organização implementado?
R - Esta é uma matéria muito delicada. No Brasil, para além dos brasileiros e de portugueses tinha mais uma dezena de nacionalidades diferentes na fábrica.

P - Uma verdadeira babilónia.
R - Sim. Havia uma regra comum que era falarmos português. Depois quando fui para a Roménia tinha de falar romeno. Na Roménia havia também, tal como no Brasil uma multiplicidade de nacionalidades. Há uma característica dos portugueses que é única, na minha opinião, e que está no nosso DNA. Somos uma raça de descobridores. Fomos a toda a parte do mundo e se olharmos para aquelas ‘cascas de noz’ que saíram de Portugal á procura não se sabe bem do quê, sem saberem onde iam chegar, mas que se fizeram ao mar encontramos algo que é uma característica nossa. A vantagem que temos tido e isso resulta da cultura empresarial alemã é começarmos a ser pontuais, a ter disciplina e organização dentro da empresa.

P - Esse modo de trabalhar germânico, no sentido de mais pontualidade, mais organização é o sucesso de outros projectos empresarias com origem alemã que se encontram em Portugal?
R - Se olharmos para essas empresas todas elas vão tendo sucesso. O denominador comum são os trabalhadores portugueses e a outra base comum pode ser alemã ou outra. A maior dificuldade que eu tenho quando trabalho com outras empresas portuguesas e é regra para mim desde que comecei a trabalhar na Mabor, é o cumprimento de prazos e a disciplina no cumprimento dos horários.

P - A Continental Mabor é uma empresa que apesar da sua grande dimensão tem vivido praticamente sem conflitualidade laboral. É também um dos segredos do crescimento da unidade?
R - Tratemos bem e eles tratam-nos bem. Isto é uma regra base. Eu estou desde 2013 como presidente do Conselho de Administração, mas o trabalho não começou nessa data. Se vamos falar da Continental, os dois administradores anteriores fizeram um trabalho, que eu recebi deles, em conjunto com as comissões de trabalhadores e com todos os trabalhadores que passaram na empresa. Nós tivemos e temos as nossas discussões, conseguimos resolver as situações e mal será se não for assim. Quando estava no Brasil e chegávamos quase a um beco sem saída nas negociações com o sindicato de lá, era o próprio presidente do sindicato que dizia “sindicato fraco é aquele que não consegue resolver os problemas nas negociações porque convocar greve é fácil, resolver é que é difícil”.

P - Mas a empresa em Portugal tem uma politica salarial acima da média para o sector industrial?
R - Nós temos tido aumentos salariais todos os anos. Pagamos 14 meses e temos o equivalente a um décimo quinto mês que tem a ver com assiduidades e outros factores. Ainda recentemente demos um prémio especial de participação de lucros que é definido pela 'Casa-Mãe' para as empresas. Relativamente a salários nós dizemos que pagamos acima da média.

P - É o segredo da estabilidade social vivida na empresa.
R - É reconhecido pelos trabalhadores. Não quer dizer que não exista necessidade de negociar todos os anos. Se atendermos ao percurso da empresa temos tido as nossas evoluções salariais. Nos últimos 5 anos os aumentos foram superiores; em conjunto; a 10%.

P - Associado ao anunciado investimento de 150 milhões de euros há a contratação de mais colaboradores?
R - Estamos a prever contratar cerca de 200 pessoas nos próximos dois/três anos. É uma contratação que tem a ver com o 'Projeto Agro' em que iremos criar logo á partir 125 postos de trabalho e há depois os outros colaboradores que vamos colocar dentro do projecto PLD. Quando apresentamos projectos de investimento todos os nossos números são sempre muito conservadores. Em qualquer um dos projectos anteriores que tivemos em termos de incentivos, quer em retorno para o estado português, quer em termos de colaboradores contratados, ficámos sempre muito acima do previsto. Estes 200 duzentos trabalhadores que vamos contratar são o nosso compromisso neste momento, tendo em conta o período que estamos a falar.

P - A médio/longo prazo estão a perspectivar mais investimentos em Lousado ou o espaço está a ficar diminuto para se fazer mais?
R - Estarmos satisfeitos não está no nosso DNA. Estes investimentos que estamos a fazer e aquele que anunciámos acontecem num espaço temporal mais curto o que não quer dizer que não estejamos a pensar no que vamos fazer a seguir. O espaço que temos actualmente dá para fazer os dois projectos e ainda dará para fazer algo mais. Mas, primeiro, temos de ter uma garantia e esse é que é o nosso próximo problema que é como conseguir entrar com os camiões dentro da empresa. Reparem, estou a falar de 400 camiões/dia - ainda antes deste investimento - que circulam numa estrada que dá para passar um camião para cada lado. Nós fazemos sair da fábrica todos os dias 600 toneladas em pneus e entrar na fabrica outras 600 toneladas, se dividirem por 20 toneladas/camião dá logo à partida sessenta camiões. Entre a fábrica e o armazém a cada cinco minutos sai um camião com pneus, para além de mais um conjunto de actividades inerentes ao funcionamento da empresa.

P - O grande constrangimento é a falta de acessibilidades. Um problema que se arrasta há muitos anos sempre com promessas adiadas de uma variante à EN 14 que sirva o pólo industrial de Lousado em particular a Continental Mabor.
R - Essa tem sido a grande discussão com os diferentes governos. Temos tido muitas promessas. Várias alterações foram realizadas, mas recentemente o anuncio que foi feito no sentido de melhorar a mobilidade nem sequer se aproxima daquilo que necessitamos. Á partida, a única melhoria que poderá acontecer é apenas uma ligeira ligação entre o nosso armazém de pneus e a auto estrada. O constrangimento que temos que é a entrada e saída de fabrica vai manter-se. Neste momento vemos com sérias preocupações a ausência de compromisso que continua a existir em relação aos acessos á Continental. Foram proferidas declarações que dizem unicamente respeito a uma melhoria da EN 14 que vai permitir ligar o armazém do produto acabado à Nacional 14 e que depois vai ligar à A3. Somos o quarto maior exportador nacional e, portanto, deveremos representar qualquer coisa para a economia nacional. Merecíamos respeito para com as promessas que eram os acessos.

P - Parece contraditório que o Estado português, independentemente dos governos, tenha ao longo dos anos reclamado da necessidade de captar investimento estrangeiro, não resolva o problema dos acessos para a Continental Mabor e para outras empresas localizadas no polo de Lousado.
R - Eu acho completamente fora de qualquer rota de entendimento este permanente fazer de conta que não existem problemas. Já nos deslocámos a diversas instituições e entidades. Há dois anos com a Estradas de Portugal finalmente conseguimos chegar a um entendimento de quais seriam as nossas necessidades, mas agora parou tudo.

P - Têm-se levando questões de natureza ambiental por parte de representantes governamentais e a necessidade de se realizarem estudos para a construção da variante à Nacional 14.
R - Havia um traçado original que colidia com o nosso armazém e a fábrica Agro. Houve um entendimento com as Infraestruturas de Portugal de que essa ligação seria reformulada. Havia um conjunto de impactos que tinham de ser estudados. Ora não é isso que estamos a discutir. Nós estamos a discutir a construção dos acessos porque aqueles que fazem a ligação á fábrica não têm impacto algum. É uma estrada que já existe, tem de ser alargada e fazerem-se acessos condignos; ou uma ligação na Nacional 14 que também não tem impacto; ligação esta que vai ter um traçado que vai ligar a uma rotunda e que vai fazer a travessia do rio Ave. É essa parte que “impacta” neste processo. Ambas as rotundas existem, faltam é infraestruturas de ligação.

P - Como é que na Alemanha a administração da Continental observa todo este processo que já se arrasta há anos.
R - Nós temos uma imagem que demorou muitos anos a construir. Em resultado do nosso trabalho na Continental Mabor passámos a ser recebidos quase com tapete vermelho. Hoje damos cartas para o mundo inteiro e foi nos reconhecida capacidade intelectual, técnica e de liderança. Tudo isto é muito bonito, mas depois choca com a outra realidade e na Alemanha perguntam-nos o que se passa? Qual é o compromisso de construção das acessibilidades? Onde estão as infraestruturas? Qual é o Portugal com que estamos a lidar? O problema - provavelmente - é que nós vamos fazendo os investimentos com base num compromisso e não fazemos “finca pé” do género: 'ou fazem as infraestruturas ou não fazemos investimento'. Se calhar teríamos melhores resultados, mas não é essa a nossa forma de estar. Estamos muito mais interessados em fazer os alicerces e as fundações da empresa garantindo que os investimentos vão sendo concretizados e fazendo alguma pressão junto dos governos com a apresentação dos nossos resultados.

P - Um dos pilares importantes numa empresa passa pela qualificação dos colaboradores. Qual é a realidade da Continental Mabor?
R - Só no ano passado gastámos cerca de 400 mil euros em formação não financiada ou cofinanciada. Pagámos para que os nossos colaboradores tenham formação. Qualquer operador na fábrica tem até três meses de formação base. Nós fazemos muita formação porque as escolas, as universidades principalmente, não preparam, com algumas excepções, as pessoas para a vida prática. Existe demasiada preocupação com a teoria e menos com os aspectos práticos relacionados para o desempenho do aluno enquanto colaborador dentro de uma empresa. A nossa aposta foi à 25 anos sermos cofundadores de uma empresa de ensino dual (qualificação teórica e a prática em contexto de trabalho sendo que o peso da prática é superior à da qualificação teórica). Grande parte dos nossos técnicos vêm de uma instituição chamada Forave. Apoiamos o ensino dual e temos apostado ao longo dos anos na formação e na contratação de recurso humanos com um grau técnico cada vez mais elevado até porque todos os nossos equipamentos são altamente sofisticados.

P - Mencionou o papel das universidades na formação; no contexto da investigação e desenvolvimento qual tem sido a estratégia seguida?
R - Criámos um gabinete de inovação dentro da Continental Mabor que está a ser responsável pelo desenvolvimento de soluções de informática de controlo de equipamento para todo o grupo Continental. Isto significa que estamos a desenvolver em Portugal tecnologia para o mundo inteiro. Criámos aqui um centro de pesquisa e desenvolvimento para os pneus agrícolas. Estamos a criar, a partir de Lousado, um conjunto de soluções para todo o mundo e a desenvolver técnicos que sejam capazes de fazer face aos desafios; quer dizer que estamos a apostar também com as universidades que vão trabalhando connosco ao longos dos anos. A par da produção é mais uma forma de nos consolidarmos em Portugal.

P - A Continental Mabor vai, de acordo com o que já disse, contratar 200 novos colaboradores. Qual é o perfil desejado?
R - Vamos ter os operadores normais e depois iremos contratar pelo menos entre 10 a 15 engenheiros.

P - A relação da Continental Mabor com a Câmara Municipal de Famalicão é boa?
R - Da minha experiência nos diferentes países onde trabalhei, a relação com a autarquia de Famalicão é das melhores que podemos ter. Há um completo entendimento de quais são as necessidades da empresa e do concelho.

P - Quais são as perspectivas da empresa para este ano?
R - O ano está a decorrer, mas eu diria que as expectativas ainda são optimistas. Existem alguns sinais da economia mundial que teremos de seguir. Não há por esta altura a mesma euforia registada em anos anteriores. Estamos a trabalhar dentro dos nossos objectivos e este ano perspectivamos produzir mais de 18 milhões de pneus.

P - A produção de pneus agrícolas o que é que pode representar a prazo na unidade Lousado?
R - No passado já produzíamos pneus agrícolas. Fizemos uma paragem e regressámos agora com um pneu radial, moderno. Temos uma marca forte. Diversificámos o nosso portfólio.

P - No âmbito dessa diversificação do portfólio está previsto a Continental Mabor avançar para outros produtos? Há margem de progressão?
R - Há certamente e com o mesmo espirito de investimento e de luta. Para outros voos teremos de regressar ao estado português. Mas eu não me sinto com coragem de antes de ir ao estado português; propor o que quer que seja á Administração da Continental sem estar resolvido o problema das acessibilidades.

P - No futuro podemos pensar em ‘pneus inteligentes’.
R - A Continental no seu todo não faz só pneus. Somos uma das maiores empresas automotivas do mundo. Estamos por exemplo a apostar na condução automóvel automática e o “pneu inteligente” era uma questão de tempo. Já estamos a trabalhar em sensores que podem ser colocados no próprio pneu e que vão interagir com o automóvel e com o condutor.

P - Essa investigação já é feita em Lousado?
R - Estamos a equacionar a possibilidade de um dia vir aplicar os sensores nos pneus. Mas para já não está a ser feito. Só há duas fabricas do grupo, no mundo, a aplicar um anti furo automático que se encontra no pneu e um sistema que reduz o ruido dos pneus nos carros eléctricos. Nós em 2010 conseguimos trazer esse nicho de mercado para a Continental Mabor e somos juntamente com uma fábrica na republica Checa os únicos a desenvolver esta tecnologia.

P - No passado houve investimentos que não foram para Lousado por causa do problema dos acessos?
R - Houve investimentos que estiveram em cima da mesa que foram recusados e foi explicado que não havendo ligações adequadas não se ia criar um Centro de Desenvolvimento de Soluções Software que iria albergar até mil pessoas.

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