Um minuto de desorientação foi fatal para os Guerreiros

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Paulo Machado

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O SC Braga regressou a casa, depois da viagem a Setúbal, sem pontos na bagagem e ainda a reflectir como foi possível aquela enorme escorregadela — a meio do primeiro tempo — que acabou por ser fatal neste duelo. O Setúbal conquistou os três pontos, com uma vitória por 2-0, e dois golos apontados no espaço de um minuto, por Gonçalo Paciência e João Amaral.

Imagine um piloto de ralis a fazer uma condução perfeita numa prova, mas de repente comete uma falha que acaba por sair da rota e dificilmente volta para a frente da prova. Pois bem, foi o que se passou no jogo de ontem com o SC Braga, na medida em que a equipa minhota até entrou bem no jogo e estava a dominar. Mas, ao minuto 23, tudo se transformou. Matheus saiu da baliza para agarrar a bola, mas acabou por cometer carga sobre Vasco Fernandes, no entender do árbitro, que deu origem a uma grande penalidade, convertida com sucesso por Gonçalo Paciência.

Logo a seguir, a defesa do SC Braga volta a cometer um erro grave, aproveitado por Paciência que desmarcou João Amaral para este fazer, à vontade, o segundo golo do desafio.
Os erros de ontem acabam por dar razão a “chavões” que muitas vezes são aplicados pelos treinadores, como “é necessário estar concentrado desde o primeiro ao último minuto” ou “qualquer deslize pode ser fatal”.

Ainda assim, convém assinalar que a equipa orientada por Abel Ferreira procurou reagir e recuperar da desvantagem, mas viu-se muito pouco. Paulinho esforçou-se no ataque, nas desta vez sem grandes espaços para brilhar. O meio-campo funcionou mal, com Fransérgio e Danilo a anularem-se. Xadas ainda tentou alguns rasgos individuais, mas faltou-lhe inspiração.
Nota de destaque para a equipa do Setúbal, fruto de uma disciplina táctica exemplar, com especial destaque para a forma coesa como actuou. João Amaral e Gonçalo Paciência foram determinantes quando apareceram em jogo, revelando eficácia.

No decorrer da segunda parte, Abel Ferreira ainda tentou mudar o rumo dos acontecimentos, com as entradas de João Carlos Teixeira, Vukcevic e Hassan. Todavia, as dificuldades em furar a muralha defensiva do Setúbal mantiveram-se e foi notório a incapacidade para explorar os flancos na tentativa de chegar ao golo. A equipa bracarense ainda criou algum perigo em lances de bola parada, exemplo da intervenção de Rosic (60 m) na sequência de um canto. Antes disso, destaque para um lance polémico por carga de Vasco Fernandes sobre Paulinho, ainda na primeira parte, na área do Setúbal, que o árbitro deixou passar em claro.

Abel Ferreira: “Aqueles dois minutos fizeram toda a diferença”

Foi uma derrota complicada para o SC Braga, mas Abel Ferreira faz questão de manter a serenidade. “Aqueles dois minutos fizeram toda a diferença para o resultado final. Nos primeiros vinte minutos, as oportunidades foram nossas, entrámos muito bem no jogo, a relva estava rápida, mas com o vento que estava, o jogo ficou muito mais lento. Depois do penálti, o nosso adversário estava em vantagem e sofremos o segundo. Perante uma equipa que já ia defender e ia jogar em contra-ataque ficou mais difícil. Procurámos com as substituições que fomos fazendo dar maior profundidade ao ataque. Sabíamos que se fizéssemos um golo isso seria possível, mas não foi um bom jogo da nossa parte. O nosso adversário foi feliz e nós cometemos erros que não podemos cometer. O jogo resume-se a esses dois minutos que foram de muita dificuldade para nós”, apontou o treinador da equipa bracarense.

O lance da grande penalidade cometida por Matheus suscitou dúvidas, mas o treinador do SC Braga deixou uma mensagem: “A única coisa que vos digo é para analisarem os lances, particularmente aquele do Matheus [na grande penalidade] e outro lance no final da primeira parte sobre o Paulinho, mas não quero ir por aí. Umas vezes vamos vencer, outras vamos aprender. Hoje [ontem] temos de fazer uma análise em relação ao que podemos melhorar”, salientou.

Depois deste jogo, vem aí uma jornada da Liga Europa no arranque de um ciclo duro para os minhotos, mas Abel Ferreira continua firme. “Temos de perceber que o campeonato é uma maratona, nada ficou decidido aqui. Temos um objectivo que é ficar nos quatro primeiros, mas o campeonato é longo, não há jogos a eliminar. O jogo com o Hoffenheim, é um grande desafio e estamos a aqui para nos desafiarmos, com vontade de passar à fase seguinte. Depois temos a Taça da Liga e estamos aqui para dar resposta. Não estava tudo bem antes deste jogo, nem está tudo mal depois deste jogo. Logicamente sabemos que o resultado conta, mas temos de fazer uma análise fria e saber que cada jogo tem uma história”.

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