Ricardo Rio: Não preciso de mais vereadores,peço garantia da maioria absoluta

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José Paulo Silva

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Ricardo Rio, recandidato da coligação ‘Juntos por Braga’ à presidência da Câmara Municipal, quer ter mais votos do que nas eleições de 2013. Se for reeleito, não exclui atribuir pelouros à CDU.
Ricardo Rio, 44 anos de idade, presidente da Câmara Municipal de Braga desde 2013, foi vereador desde 2005 e eleito da Assembleia Municipal de 2001 a 2005. Economista, colaborou com várias empresas e entidades.Foi também docente na Universidade Fernando Pessoa, no ISAG - Instituto Superior de Administração e Gestão do Porto, na Universidade Lusíada e no Instituto Superior de Estudos Financeiros e Fiscais.

P - Os seus quatro anos de mandato vão ser julgados pelos eleitores. Segundo os partidos da oposição - e recorrendo a um ditado popular -, o seu mandato foi de muita parra e pouca uva. Que obra é que leva para ser julgada?
R - Mau seria se a oposição chegasse à boca das urnas a elogiar quem está no poder. Chegámos ao final deste mandato com o sentimento de dever cumprido. Há quatro anos havia uma aspiração de mudança muito presente na sociedade bracarense. Era incontornável que ela acontecesse naquele momento, mesmo que houvesse uma recandidatura do então presidente de Câmara. A coligação ‘Juntos por Braga’ envolveu a população na construção do seu projecto. Uma das grandes mais valias deste mandato autárquico foi termos transformado um projecto de governo do concelho num projecto de desenvolvimento.

P - Não aceita a observação de que as expectativas não foram concretizadas?
R - Não.

P - Grandes bandeiras com o Parque das Sete Fontes ou a reabilitação da Fábrica Confiança que não foram concretizadas...
R - Não percebo por que é que a Fábrica Confiança é mais importante para os bracarenses do que um programa de saúde oral que serve milhares de utentes. Ou por que é que consideram que a Câmara deveria intervir noutros edifícios em detrimento daquilo que fez em alívio da carga fiscal ou em oferta de manuais escolares a todos os alunos do 1º Ciclo e de reforço dos apoios à habitação.

P - Isso são medidas que não estariam na primeira linha de prioridades do programa eleitoral da coligação ‘Juntos por Braga’ há quatro anos?
R - Estavam. As nossas bandeiras eram claras. Para além desta componente ima-terial, outra das nossas prioridades era a dinamização económica. Aí, acho que temos um balanço absolutamente irrepreensível.

P - Não é essa a opinião da CDU e do Bloco de Esquerda, pelo menos.
R - A CDU e o Bloco de Esquerda têm algum problema com o funcionamento do mercado e das empresas. Acham que todas as empresas são exploradoras e que todos os trabalhadores são mal pagos. O que se verificou em Braga nestes últimos quatro anos foi a redução de quase 50% do desemprego.

P - Há a considerar a conjuntura nacional e até internacional...
R - Um dado incontornável é que essa redução foi feita de uma forma quase homogénea ao longo de todo o mandato autárquico. Nem Passos Coelho nem António Costa podem dizer que foram os pais da recuperação económica em Braga. Outra coisa incontornável é que Braga cresceu muito mais do que outros concelhos do Norte de Portugal.

P - Isso teve mais a ver com a captação de investimento ou com a consolidação das empresas que já cá estavam?
P - Com as duas dimensões. O caso da Bosch é um exemplo evidente. Era, em 2013, o maior empregador privado do concelho com 2 300 trabalhadores. Nós aspirávamos ter, porventura noutro sector, outra empresa com o mesmo impacto no tecido económico. O que se verificou foi que a própria Bosch foi a nova Bosch, que praticamente duplicou a sua participação em Braga.

P - Qual foi o papel da Câmara?
R - Teve, neste e noutros casos, um papel fundamental na ligação ao tecido universitário, na criação de condições urbanísticas para a expansão, na criação de incentivos ao recrutamento e celebrou um contrato de apoio ao investimento com benefícios fiscais. A mesma coisa acontece na Delphi, que está a criar um centro de investigação e desenvolvimento em Braga que vai ter, a prazo, o mesmo impacto, contaminando um conjunto de outras empresas.

P - O PS defende a criação de um novo parque industrial de dimensão razoável. Como vê essa proposta?
R - Parece-me algo irrealista e irresponsável. Não faz sentido nenhum que a Câmara interfira no normal funcionamento do mercado. Pode interferir na tipificação dos solos e no combate à especulação nos parques industriais.

P - Não faz falta um novo grande parque industrial?
R - Ele está identificado: o ‘Innovation Arena’ para tecnologias limpas junto à Universidade do Minho e ao INL.

P - Ainda não existe.
R - Está em desenvolvimento. Não é um projecto municipal. Vai envolver os proprietários, a InvestBraga e outros investidores. Vai avançar no próximo mandato. Outra área já consignada é o ‘MedTech’ junto à Escola de Medicina e ao Hospital.

P - E para indústrias mais pesadas?
R - A zona envolvente ao complexo Bosch/Delphi está consignada. Junto ao aeródromo e autódromo temos uma zona reservada para indústrias mais ligadas ao sector automóvel e aeronáutica. O desenvolvimento económico não é só indústria. Veja-se o crescimento do turismo.

P- A oposição pede números.
R - Segundo um estudo das universidades do Minho e do Algarve sobre a etapa de Braga do Rally de Portugal, na qual investimos 300 mil euros, houve um retorno entre 7 e 7,8 milhões de euros. Cada uma das manifestações culturais, desportivas ou sociais que vão ocorrendo na cidade têm um impacto sobre o tecido económico e projectam a imagem de Braga.

P - Se for reeleito, vai continuar a apostar nos grandes eventos desportivos?
R - Sim. Tal como os eventos culturais e outros, eles são alavanca para a promoção da cidade. Em 2018, com a Capital Europeia do Desporto, teremos uma panóplia riquíssima de eventos desportivos em quase todas a modalidades desportivas.

P -Terá uma projecção e impacto diferentes da Capital Iberoamericana da Juventude?
R - A Capital Iberoamericana cumpriu aquilo que era o seu desígnio: afirmar Braga como referência ao nível das políticas de juventude. Conseguimos esse reconhecimento.

P - Está arrependido da opção pela doação dos terrenos do Parque Norte ao Sporting Clube de Braga? Braga não precisa de um parque urbano?
R - Aquele nunca seria o parque da cidade. O que estava previsto era um conjunto de valências desportivas e, de forma residual, zonas de fruição pública. Considerando que não teríamos recursos para construir a piscina olímpica e os outros equipamentos, tínhamos de aproveitar um projecto que é uma mais-valia. O PS e o BE tiveram uma política de obstaculização e difamação ao projecto da academia do Sporting de Braga. Hoje pagam esse preço quando vêem os mais jovens ali a praticar desporto.

P - Neste processo, estava à espera de posições diferentes do PS e da CDU?
R - Este processo foi o retrato fiel do que foi a oposição neste mandato. Tivemos da parte da CDU muitos confrontos e divergências, mas uma postura sempre muito séria e correcta do vereador Carlos Almeida, que nunca hesitou em apoiar a Câmara quando considerou que isso era fundamental para os interesses dos bracarenses. Tivemos uma postura muito desestruturada do PS, a reboque das pequenas queixas nas redes sociais. Se calhar, é um preço que vão ter que pagar no dia 1 de Outubro. Quando se ouve as pessoas a dizer que votam nas pessoas e não nos partidos, que resultado teríamos domingo se fosse Carlos Almeida vereador do PS...

P - Está a apelar ao voto na CDU?
R - Não. Obviamente, faço apelo ao voto na coligação ‘Juntos por Braga’.

P - O seu objectivo parece ser enfraquecer o PS?
R - Esse é um objectivo que está cumprido pela atitude do PS de notório enfraquecimento de uma força alternativa de oposição.

P - Por que é que pede o reforço da sua maioria absoluta na Câmara?
R - Não preciso de mais vereadores. Pedimos é a garantia da maioria absoluta e mais votos. Mais votos é o reconhecimento do trabalho realizado e um estímulo. Não coloco como objectivo ter o sétimo vereador. Queremos ter maioria na Assembleia Municipal.

P - Expressou o desejo de conquistar todas as freguesias para a coligação ‘Juntos por Braga’. Não é um desejo totalitário?
R - Totalitário seria querer todos os vereadores na Câmara Municipal. Não há nenhuma freguesia governada por ‘Juntos por Braga’ que não mereça ser reeleita. Em relação aquelas em que não somos ou nunca fomos poder, é tempo de experimentar algo diferente.

P - Tem sido acusado de funcionar como agente imobiliário no processo da Fábrica Confiança. O edifício está já vendido ou não?
R - Não. E, como tenho dito, não há um único interessado na compra. Caso optemos por alienar, será num procedimento transparente e aberto para obter o maior encaixe financeiro possível e com duas medidas incortonáveis: a salvaguarda arquitectónica e da memória do edifício.

P - O que mudou desde o seu envolvimento na compra da ‘Confiança’?
R - Na altura, defendíamos a reabilitação da ‘Confiança’ dentro de um cenário de prioridades que, entretanto, imergiram dentro de outros valores. Consideramos hoje mais prioritário, do ponto de vista da reabilitação urbana, investir no Mercado Municipal e no Parque de Exposições de Braga.

P - Em relação à compra do S.Geraldo, parece que chegou contrariado a um acordo com a Diocese de Braga?
R - Nós considerámos positivo o projecto que estava definido para o S. Geraldo. O mercado urbano e as valências adjacentes eram positivos para a cidade. O que nos levou a inverter a nossa posição neste processo...

P - Foi a pressão da opinião pública?
R - Não. Não escamoteamos as opiniões dos cidadãos. A partir do momento em que houve constrangimentos ao projecto que condicionou o edifício Pé Alado e em que surgiu a necessidade de um centro ‘media arts’ para a nossa candidatura a cidade criativa da UNESCO, chegámos a um entendimento com a Diocese.

P - A remunicipalização da Agere tem sido muito discutida e defendida pela CDU e Bloco de Esquerda.
R - Eu também gostaria de ter a Agere 100% pública. Não me parece que seja algo que possamos concretizar no próximo mandato autárquico. Estamos a libertar recursos para a extinção da parceria público-privada e para investimentos. A remunicipalização seria um desejo mas não pode ser concretizada. Há mais de 15 anos os privados pagaram 28 milhões de euros pelos 49 % da Agere.

P - Aceita a proposta do PS de redução em 30% da tarifa dos parcómetros?
R - Os bracarenses foram sobrecarregados com uma concessão nociva da responsabilidade do PS.

P - O PS propõe agora a redução desse custo.
R - Essa proposta, face ao legado do PS, é como vir com um regador apagar um incêndio. O que importa fazer é resgatar a concessão.

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