Falta de pessoal não docente deixa escola “sempre pelas pontas”

Entrevistas, As Nossas Escolas

autor

Patrícia Sousa

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Apesar do início do novo ano lectivo ter decorrido “dentro da normalidade” e com os professores quase todos colocados, o Agrupamento de Escolas Sá de Miranda continua com falta de pessoal não docente. “Se faltar um ou dois funcionários, sobretudo na Escola Secundária Sá de Miranda, será logo muito complicado, por isso, esta falha continua a ser a nossa dor de cabeça e é um assunto de uma gravidade extrema. Estamos sempre pelas pontas”, lamentou a directora do agrupamento, Margarida Antonieta Silva, defendendo a abertura do museu da escola à comunidade, que continua a ser im- possível face a esta realidade.

No passado dia 13 de Setembro, primeiro dia de aulas, o Agrupamento de Escolas Sá de Miranda acolheu os cerca de 2300 alunos nas 12 unidades educativas que o integram. Este ano lectivo, os professores estavam quase todos colocados na fase do arranque de aulas, mas na fase de preparação não. Neste período havia ainda algumas lacunas e alguns professores foram colocados mesmo em cima do início das aulas”, contou a directora. Tendo em conta o facto deste ano ser um ano de “grande mudança, “correu tudo de forma bastante serena”. E Margarida Antonieta Silva explicou: “de quatro em quatro anos temos concurso que realmente origina a muita mobilidade de docentes e este ano lectivo temos mais de 40 professores novos no agrupamento”.

Mas a “grande dor de cabeça” continua ser a falta de pessoal não docente. “Aqui na escola secundária este é um assunto de uma gravidade extrema. Neste momento, temos uma pessoa de baixa médica há uns anos e todos os restantes funcionários no activo. Mas basta faltar um ou dois e a situação fica logo muito complicada”, alertou.
E para piorar a situação, “foi publicada agora uma nova legislação relativamente àquilo que são os rácios dos funcionários que também não ajuda muito, continuando a não prever aquela situação excepcional que temos aqui, de alguma património que devia ser mais preservado”, constatou aquela responsável.

Margarida Antonieta Silva voltou a insistir na abertura do museu da escola à comunidade. “Temos património que devia ser explorado e aberto à comunidade, porque há aqui alguma informação que representa a história dos liceus de Portugal e merecia estar aberto ao público”, desafiou a directora, referindo que aquele espaço está aberto ao público, mas “tem de ser dinamizado”. E Margardia Antonieta Silva foi mais longe: “está aberto, mas não chega, porque são muito poucos aqueles que vêm cá voluntariamente. Os cidadãos precisam de outro tipo de dinâmicas, de incentivo e de interacção que os leve a vir cá com alguma regularidade, mas isso, infelizmente não acontece e nem ao fim-de-semana está aberto”.

Quando alguma instituição solicita uma visita antecipadamente, o agrupamento consegue receber as pessoas com a colabo- ração de alguns profissionais. “Ainda nos meses de Verão, vários grupos de ATL visitaram o museu com as crianças e os mais novos gostam de ver o espólio e o património que temos”, contou a directora, lamentando não ter possibilidade de fazer mais.
Sobre o ‘mega agrupamento’, a directora confidenciou que “há muito tempo se sente o pulsar do agrupamento”.

E a responsável confessou: “é mais difícil trabalhar em departamentos com mais de 40 docentes quando se tratam de realidades tão diferentes. Uma coisa é planificar para crianças de 10 anos e outra completamente diferente é para jovens que estão a frequentar o 12.º ano”. Por isso, “as planificações dos professores intensificam e o trabalho colaborativo global é difícil, contudo estabelecemos pontos no que é importante, que é detectar algumas fragilidades que notamos nos alunos e actuar mais na base como medida preventiva”, frisou.

Educação multidimensional é a base do projecto educativo

As relações humanas e sociais são o pilar de funcionamento do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, onde a educação multidimensional está na base do projeto educativo. “O trabalho entre as 12 unidades educativas que integram o agrupamento tem sido feito devagar e paulatinamente, mas há uma aceitação muito grande entre todos e isso é fundamental”, confidenciou a directora do agrupamento, Margarida Antonieta Silva.
Ser professor, continuou a directora, “é uma missão” e no agrupamento “há ainda a apropriação dos professores pelos seus alunos, que é extremamente importante”. E Margarida Antonieta Silva atirou: “sendo um liceu antigo tem a reputação de algum distanciamento, mas isso não existe na realidade, há um carinho muito grande entre todos. Há uma relação muito forte e isso é muito importante para fomentar o trabalho dos próprios alunos”.

A coadjuvação é uma das provas do bom relacionamento no agrupamento. “A Matemática é um dos projectos com professores do 2.º ciclo, que já começamos há dois anos e tem tido muitos efeitos e uma boa recepção por parte dos professores do 1.º ciclo”, admitiu aquela responsável, garantindo que essa postura vem “contrariar um pouco o hábito de dizer que há alguma dificuldade em eles aceitarem o trabalho”.

E o certo é que já há resultados. “O ensino da Matemática vai evoluindo e é necessário que as crianças quando chegam ao 5.º ano venham com um tipo de estratégias, linguagens e raciocínio científicos para não sentir tanto a diferença e, por isso, é natural que com o tempo este projecto vá produzindo efeitos. É uma das nossas grandes apostas que tem tido muito receptividade e que no fundo surge nesta perspectiva de agrupamento”, defendeu.

Outro projecto que surge com esse objectivo e que vai já para o terceiro ano é a ida dos alunos do 4.º ano à secundária. “Os alunos do 4.º ano têm um dia de aulas na secundária, já com o objectivo de se apropriarem do que é pertença do agrupamento e eles adoram a experiência”, garantiu.

Orçamento Participativo ajuda a concretizar sonhos

O Agrupamento de Escolas Sá de Miranda tem, neste momento, três projectos em andamento graças ao financiamento conseguido através do Orçamento Participativo Escolar da Câmara Municipal de Braga.
Um dos projectos vencedores foi o ‘Vamos levar música às escolas’. Inicialmente direccionado para os cavaquinhos, o certo é que se diversificou os instrumentos musicais. “O projecto do agrupamento está integrado na área das Actividades Extra Curriculares - Expressão Musical, onde os mais novos têm instrumentos para aprender e desenvolver competências nessa área”, referiu a directora.

Também financiado pela autarquia bracarense é o projecto que está a dotar as escolas do 1.º ciclo de computadores para iniciar os alunos na programação e tecnologias da informação e comunicação. “O projecto não foi escolhido, mas a Câmara Municipal de Braga abraçou a ideia pela pertinência e estamos a equipar as escolas, permitindo desenvolver competências na área da programação e isso é fundamental no desenvolvimento do raciocínio matemático que é transversal”, defendeu Margardia Antonieta Silva, referindo que “os professores fazem a coadjuvação nas aulas de oferta complementar aos alunos dos 3.º e 4.º anos”.

Outro dos projectos vencedor no Orçamento Participativo Escolar que vai avançar para o terreno é a construção de um miradouro na quinta da escola-sede. “Este projecto tem a ver com a observação de aves e como a quinta tem pequenos socalcos vai ser construído um miradouro. O objectivo é que as pessoas possam ali observar a fauna e a flora”, adiantou a directora, garantindo que aquele espaço “vai ser aberto com alguma regularidade ao fim-de-semana para a comunidade usufruir.”

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