MANUEL MOREIRA: Durante dois anos carreguei a Câmara de Amares sozinho

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José Paulo Silva

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P - A meio do mandato autárquico anterior desvinculou-se do Partido Socialista e fez um acordo com o PSD. Foi agora reeleito pela coligação PSD/CDS/ /PP. Quer explicar essa mudança?
R - Foram momentos de alguma perturbação com o PS, nomeadamente com a ‘ comissão política concelhia’ de Amares. O PSD, a meio do mandato, fez comigo um trabalho excelente. Fui reeleito como independente pelo PSD/CDS-PP. Não queria muito falar do passado.

P - Já disse que essa era uma mudança que voltaria a tomar.
R - Foi uma posição assumida, porque não tinha ao meu lado gente do PS capaz de me ajudar a levar em frente um projecto para Amares. O PS de Amares e a Federação Distrital Braga não foram correctos comigo.

P - O governo da Câmara Municipal de Amares esteve em causa nessa altura?
R - O governo da Câmara Municipal sentiu-se debilitado. Em certos momentos pensei em desistir. Durante dois anos carreguei a Câmara Municipal sozinho, porque a vereadora Cidália Abreu estava de licença de parto. Não desisti porque o PSD de deu a mão e ajudou-me a levar em frente o projecto que tinha para Amares.

P - Já confessou que não estava à espera de uma vitória tão expressiva nas eleições autárquicas 1 de Outubro.
R - Tinha, de facto, uma perspectiva de vitória. Reconheço que o povo de Amares me deu uma vitória estrondosa. Ganhei todas as freguesias com maioria absoluta.

P - Em 2013, estava bastante apreensivo com a situação financeira da Câmara Municipal de Amares. Como está a situação actualmente?
R - De facto, recebi uma Câmara com muitos problemas financeiros. Hoje, temos uma Câmara perfeitamente equilibrada em termos financeiros. Estamos a trabalhar com orçamentos realistas. Não temos problemas financeiros.

P - No início do seu primeiro mandato prometeu a redução do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para a taxa mínima. Essa taxa vai manter-se?
R - Vamos continuar a ter a taxa mínima de IMI porque essa é uma forma de ajudar as pessoas. Num concelho com muitas dificuldades económicas, tomámos várias medidas no sentido de ajudar as pessoas.

P - Essas medidas permitiram recuperar a quebra demográfica do concelho?
R - Conseguimos estancá-la. Tivemos um período muito complicado de emigração e desemprego. Demos muitas regalias às pessoas de Amares: pagamos transportes escolares do pré-escolar ao 12º ano, pagamos manuais escolares aos alunos do 1º ciclo, ajudamos no pagamento de renda a muitas pessoas, pagámos obras em mais de 50 casas, estamos a comparticipar medicamentos e mais de 200 pessoas. Com tudo isto o concelho está melhor.

P -  O concelho de Amares sente dificuldade na captação de investimento industrial?
R - A maior dificuldade que Amares tem é não ter um parque industrial municipal. Mesmo assim, nos últimos três anos, abriram muitas empresas em Amares. Através do gabinete do empreendedor, ajudámos com incentivos e outras acções a abrir 42 empresas, o que é um número significativo para a dimensão do nosso concelho.

P - Há perspectiva a lacuna do parque industrial neste mandato?
R - Não é muito fácil pela limitações do nosso Plano Director Municipal (PDM). Nos últimos quatro anos, diversas empresas foram para Vila Verde, Barcelos e Famalicão porque não conseguiram ficar em Amares.
P - Em inúmeras intervenções tem reforçado muito a ideia de Amares como destino turístico.
R - O nosso desenvolvimento futuro passa por aí. Olhando à nossa dimensão e aos nossos valores patrimoniais como os mosteiro de Rendufe e de Santa Maria de Bouro ou o Santuário da Abadia, olhando às casas de alojamento local de qualidade que temos, aos nossos rios Cávado e Homem, ao Monte de S. Pedro Fins ou às Termas de Caldelas, o nosso grande passo em frente é a aposta na indústria do Turismo.

P - A Câmara Municipal de Amares tem apostado também numa série de eventos como bandeiras de promoção do concelho...
R - Nós temos vários eventos dos quais nos orgulhamos muito: o Festival de Papas de Sarrabulho, o Festival das Francesinhas, o Carnaval, a Feira Franca, as Festas Antoninas, o Vira Pop e o Encontrarte. Vamos investir mais neste evento, porque é muito forte em termos artísticos.

P - Disse recentemente que o Santuário de Nossa Senhora da Abadia é um ‘diamante por lapidar’. Não sendo este património municipal, o que é que a Câmara pode fazer?
R - O Santuário de Nossa Senhora da Abadia é, de facto, propriedade da Confraria. É uma pérola da natureza que ali está. Ao longo de muitos anos muito pouco se fez por este património. É impressionante o número de pessoas que, entre os meses de Maio e Setembro, passam pelo concelho de Amares, a pé, a caminho de S. Bento da Porta Aberta.

P - Mas muitos já não passam pela Abadia, que era um trilho tradicional e histórico...
R - Temos de pensar uma estratégia para o Santuário de Nossa Senhora da Abadia, que é uma riqueza impressionante. Para levar lá gente temos de criar algumas condições. A Confraria de Nossa Senhora da Abadia tem uma candidatura conjunta com a Câmara Municipal para o restauro dos claustros e eventual aproveitamento hoteleiro. Espero que a candidatura, no valor de mais de um milhão de euros, seja aprovada. A Abadia tem de ter mais atractivos.

P - Até ao momento, o concelho de Amares parece não ter beneficiado muito de fundos comunitários, no âmbito do programa Portugal 2020. Que perspectivas tem para o futuro a este nível?
R - Em 2013, entrei na Câmara Municipal de Amares numa fase de fecho do anterior quadro comunitário de apoio. Nesta altura temos um envelope financeiro de cerca de 10 milhões de euros para investir. Temos já em obra a requalificação da Escola do 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico, no valor de 2,5 milhões de euros; temos quatro milhões para instalar 37 quilómetros de rede de saneamento básico; temos a regeneração urbana da Praça do Comércio a rondar os dois milhões de euros; temos a requalificação do espaço da feira semanal no valor de 600 mil euros; e temos o projecto de mobilidade entre as duas escolas e a Praça do Comércio no valor de meio milhão de euros. Resta um projecto, que para mim é fundamental: a praia da Ombra, na freguesia Ferreiros. Conseguimos desactivar a estação de tratamento de águas residuais que ali funcionava, que era um autêntico cancro ambiental. Aguardamos que o projecto da praia da Ombra, no valor de 750 mil euros, seja aprovado.

P - Vai avançar a requalificação da Praça do Comércio, em Ferreiros, um espaço que foi intervencionado há não muito tempo. O que é que vai ser feito agora?
R - O trabalho feito anteriormente foi feito certamente com a melhor das intenções e é sempre fácil criticar os outros. Fizemos duas audições da população, o projecto está pronto, a Praça vai ficar muito mais agradável e com outros materiais. Com esta intervenção, o comércio local vai dar um passo em frente.

P - As próximas Festas Antoninas já decorrerão na nova Praça?
R - Não, porque a Associação de Festas pediu-me para não iniciar as obras antes das Antoninas. Vamos avançar com o concurso e só iniciar as obras depois de Junho de 2018.

P - Já estará a delinear as grandes linhas estratégias e calcular os números do próximo plano de actividades e orçamento da Câmara Municipal de Amares para 2018. O que podemos esperar?
R - Ganhei em todas as freguesias. Só trabalhando em parceria com as juntas de freguesias é que se obtêm resultados. Vamos continuar assim. Esta semana reuni com os executivos para definir obras.

P - O que falta ainda fazer nas freguesias?
R - Sobretudo obras de viação rural e a qualificação de espaços públicos. É preciso repensar o abastecimento de água. O nosso trabalho passa muito pela melhoria das condições de vida nas freguesias. Em termos de equipamentos escolares, os problemas estão resolvidos. Falta a requalificação da Escola Secundária que não é nossa.

P - É corrente a ideia de que a fase obreirista das câmaras municipais já passou, que já não há necessidade de grandes investimentos físicos. Em Amares não é assim?
R - Temos ainda muitas lacunas. O alargamento da cobertura de saneamento básico para os 70 % é muito bom, mas eu gostava de levar o colector até Bouro e servir as freguesias de Dornelas, Goães. Santa Marta e Santa Maria de Bouro. Tive uma reunião recente com a empresa ‘Águas do Norte’ e vou ter uma outra para pressionar a que o colector de saneamento básico chegue a Bouro.
P - Há ainda problemas de abastecimento público de água num concelho que tem dois rios.
R - Neste ano de seca estamos com problemas porque a barragem da Caniçada não está a debitar água. Com a ajuda da Agência Portuguesa do Ambiente conseguimos descargas duas horas por dia. Temos de repensar bem o futuro da água que é um bem escasso. Com estas alterações climáticas vamos ter muitos mais problemas no futuro. Temos de começar a poupar. Vamos introduzir em Amares uma campanha de apelo à poupança de água. A começar pelas escolas.

P - A manter-se este tempo de seca, haverá problemas de abastecimento público?
R - Nesta altura tenho um auto-tanque a levar água ao depósito de Cernadela para abastecer a vila de Caldelas. Veja a gravidade da situação num concelho atravessado por dois rios. Muitas vezes as pessoas não têm noção da gravidade da situação. Temos de gastar o mínimo possível. A sensibilização da população é essencial.

P - O projecto da ecovia do Cávado e Homem não tem tido grandes avanços. Em que fase estamos no concelho?
R - O projecto de arquitectura está feito. Estamos na fase de orçamentação e de caderno de encargos. A negociação dos terrenos com os proprietários é um problema. É meu objectivo para este mandato autárquico ter concluído o troço da ecovia entre as freguesias de Goães e Lago. É um projecto da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Cávado que tem tido avanços e recuos. Temos de dar um passo em frente.

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