UMinho adapta brinquedos para crianças com paralisia cerebral

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Um grupo de estudantes da Universidade do Minho está a adaptar brinquedos doados às necessidades de crianças com paralisia cerebral, um “gesto de solidariedade e gratidão” que se repete há 11 anos, embora haja cada vez menos doações.
Ontem, a Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, transformou-se numa oficina do Pai Natal em que os duendes são alunos de Engenharia Electrónica e Computadores da Universidade do Minho que, com a magia aprendida no curso, e um “simples adaptador”, estão a tornar brinquedos electrónicos “normais” em brinquedos funcionais para crianças com necessidades especiais “mas sem custarem 200 euros”.

Há guitarras cor-de-rosa, cãezinhos de peluche, um urso contador de histórias, carrinhos, uma retroescavadora, e uma boneca que diz ‘I Love You’ quando lhe carregam na barriga. Um gesto básico para uns, mas impossível para algumas crianças.

“As crianças [com paralisia cerebral] não têm a sensibilidade para carregar nestes botões, muitas não conseguem mexer as mãos. Nós, por menos de um euro, conseguimos accionar um interruptor que pode ser accionado com o pé, com o pescoço, ou com o braço e que faz o brinquedo funcionar”, explicou à Lusa o Pai Natal improvisado, coordenador da iniciativa e professor da academia minhota, Fernando Ribeiro.

“A adaptação fica barata, os brinquedos adaptados custam 200 euros porque tem que ser certificado, tem que ser isto, tem que ser aquilo”, apontou.
Os primeiros brinquedos foram adaptados em 2006: “Nos primeiros anos tínhamos empresas que nos ofereciam os brinquedos, agora fazemos uma campanha de recolha de brinquedos usados. Costumávamos adaptar entre 60 a 70 brinquedos, mas agora são menos porque tem havido poucas doações”, explicou, lamentando a falta de matéria-prima, Fernando Ribeiro.

Naquela oficina, os duendes trabalham de graça e por prazer. “Aplicamos o que damos no curso e ajudar estas crianças que não têm possibilidades para ter brinquedos é um factor de solidariedade e gratidão”, justificou Inês Garcia, finalista do curso de Electrónica e Computadores, enquanto está às voltas com um cãozinho enroscado que teima em não respirar quando lhe carregam no interruptor.

Ao lado, uma boneca de trapos repousa. O que faz essa boneca, é a pergunta a que Inês responde: “Quando se lhe carrega na barriga diz ‘I love you’. O que vou fazer é colocar-lhe um adaptador que pode ser accionado com o pé ou o pescoço em vez de se necessário carregar-lhe na barriga”, explicou.
E o amor de uma simples boneca fica mais acessível. E o daquelas crianças também.
“No início, não éramos nós que entregávamos os brinquedos, depois pediram-nos para sermos nós porque as crianças perguntavam quem era o Pai Natal. Agora vamos nós, entregamos o brinquedo, ficamos lá a brincar e a experiência é única, não para eles, mas para nós”, disse o professor.
Finalmente, e perante o olhar de alívio de Inês, o cãozinho respirou.

Além da componente solidária, Fernando Ribeiro atribuiu à campanha de adaptação de brinquedos alguma pedagogia: “Os alunos apercebem-se que o mundo real não é aquele a que estão habituados”, salientou.
‘Oferece e faz uma criança feliz’, chama-se a campanha.

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