Correio do Minho

Braga, quinta-feira

“A grande prioridade neste mandato é uma intervenção no nó de Infias”
Fábrica Confiança: Suspensão imediata da hasta pública

“A grande prioridade neste mandato é uma intervenção no nó de Infias”

Associações de Braga desenvolvem projectos de promoção da cidadania europeia

Entrevistas

2018-09-17 às 06h00

Rui Miguel Graça

“Ricardo Rio considera que a comunidade esteve afastada durante alguns anos dos Transportes Urbanos de Braga e que o seu objectivo é continuar a ligação criada em 2013. O autarca pretende continuar “a semear para colher no futuro”, de modo a concretizar uma “mudança cultural”.

“Ricardo Rio considera que a comunidade esteve afastada durante alguns anos dos Transportes Urbanos de Braga e que o seu objectivo é continuar a ligação criada em 2013. O autarca pretende continuar “a semear para colher no futuro”, de modo a concretizar uma “mudança cultural”.

No segundo mandato ao volante da presidência do município de Braga, o que podemos esperar desta semana da mobilidade em Braga?
Temos olhado para estas semanas europeias da mobilidade como uma oportunidade para, de uma forma, diria localizada, lançar algumas pistas e algumas apostas que queremos incutir. Não olhamos para a semana da mobilidade como um elemento alegórico, porque há o risco de concentrar neste período um conjunto vasto de iniciativas, mas que depois não têm sequência. O que queremos é introduzir elementos e políticas de acções concretas que depois possam ter continuidade no futuro e transfigurar a realidade da mobilidade no concelho.

Pode exemplificar?
Um exemplo disso mesmo é o School Bus. Foi implementado no ano de 2017 a título de projecto piloto e que este ano vai arrancar na semana europeia da mobilidade, mas como um projecto a desenvolver ao longo de todo o ano lectivo em articulação com um conjunto de equipamentos escolares. Tem como objectivo resolver uma das grandes entropias que existem, não apenas na cidade de Braga, mas também a nível nacional, que são os condicionamentos de trânsito nas zonas envolventes aos equipamentos escolares. O School Bus não é uma solução de transporte escolar, o foco não é esse, mas sim de alívio da carga de trânsito nas zonas mais condicionadas. É uma experiência com a qual contactei. As minhas filhas usufruíram do serviço no ano passado e registei bastante satisfação. É um primeiro contacto de jovens de tenra idade com os transportes públicos, o que serve igualmente para semear para o futuro.

Semear para colher no futuro. Há sinais positivos nesse sentido?
Temos que concretizar uma mudança cultural. A minha geração não usou muito os transportes públicos. Ainda hoje usa de forma marginal. É importante criar essa atratividade para que os transportes públicos sejam percepcionados desde tenra idade como uma solução de transporte perfeitamente ajustada às necessidades das pessoas.
Foram muitos anos perdidos, onde a comunidade no seu todo não foi capaz de desencadear acções que correspondessem aos anseios e às necessidades das pessoas, demonstrando que o serviço dos transportes públicos era capaz de satisfazer as necessidades de mobilidade dentro da cidade, de criar condições em termos de planeamento para que o transporte público fosse privilegiado e, obviamente, tivesse condições ainda mais preferenciais na circulação e no cumprimento dos horários e na cadência de circulação. Não foi por acaso que, desde que assumimos funções em 2013, temos trabalhado em três dimensões. Uma comercial, ou seja, em termos de preço congelamos o tarifário e até reduzimos o custo para muitas franjas da população; em termos de serviço temos vindo a criar uma série de linhas, mais frequências, melhorar as condições das paragens, melhorar os autocarros, promovendo a renovação da frota - chegam terça-feira [amanhã] os primeiros seis autocarros eléctricos, dos 30 por cento que queremos até 2020; e, por último, incutir algumas transformações na própria organização da cidade de maneira a privilegiar o transporte público.

De forma concreta quais são essas transformações?
Dou o exemplo das intervenções que estamos a desenvolver na rua do Raio, na envolvente ao Colégio D. Diogo de Sousa, no acesso ao Sá de Miranda, em que a criação de corredores Bus vão favorecer a circulação dos autocarros em zonas muito congestionadas.

Tem existido uma discussão pública em torno dos pilaretes. Que análise faz?
Os pilaretes são, infelizmente, um mal necessário. Vejo muitas vezes as pessoas apelarem ao reforço da presença policial, a uma fiscalização mais apertada e isso seria muito desejável se possuíssemos os meios humanos para conseguir ter, praticamente, um polícia em cada esquina. Os pilaretes não fazem parte de uma moda específica de Braga - vemos isso de Norte a Sul do país -, e infelizmente aquilo que se verifica em várias cidades é que existe uma conduta muito pouco cívica por parte das pessoas de desrespeito das leis, do código da estrada, pelos próprios peões e estes pilaretes não são barreiras arquitectónicas, uma vez que são facilmente percepcionadas pelas pessoas e são soluções que, em bom rigor, libertam os passeios para que os peões possam circular livremente. No fundo, é uma iniciativa que se integra no conjunto de outras medidas que estamos a implementar para valorizar a dimensão pedonal, como é o caso das zonas 30, da melhoria das zonas envolventes às urbanizações mais densificadas, aquilo que tem a ver com a melhoria das condições de segurança das passadeiras, algo que até é dramático em algumas zonas do concelho de Braga, concretamente no que diz respeito a atropelamentos em passadeiras e de peões. Aliás, nesse prisma, estamos a introduzir uma série de medidas no âmbito da sobre-elevação de passadeiras para lhes dar maior visibilidade, de promover a acalmia do trafego e dar mais condições de segurança aos peões e tivemos até projectos, como é o caso do 'Eu já passo aqui', em que envolvemos as escolas enquanto instrumento de uma consciência cívica.

O crescimento ao nível turístico obriga também a essas intervenções?
São políticas que não podem ser vistas de forma isolada. Há uma série de intervenções que estão a ser desenvolvidas que vão ao encontro de vários objectivos. Na área pedonal, por exemplo, hoje podemos valorizar a passagem de um deserto urbano para uma zona pedonal continuamente utilizada para fins turísticos, sociais, económicos. Uma das áreas que temos promovido intervenções é a questão dos acessos de viaturas ao centro histórico, criando mais disciplina, mais fiscalização e criando maiores condições de segurança para os próprios cidadãos. Naturalmente que há uma nuance, que nós temos consciência que essas medidas acabam por causar algum transtorno do ponto de vista das operações logísticas do tecido económico e, por isso, queremos inovar, olhar para o exterior e perceber o que se está a concretizar, de modo a importar soluções de vanguarda.

E as bicicletas? Que lugar vão ocupar em Braga?
As bicicletas são uma grande aposta. Temos o objectivo de ter dez por cento da população a utilizar a bicicleta ao longo dos próximos anos e isso não se faz apenas com a criação de ciclovias e de ecovias. Faz-se também com uma consciência para as responsabilidades que a utilização da bicicleta acarreta. Tem que existir uma lógica de coexistência e de respeito entre a bicicleta, o automóvel e a circulação pedonal, de modo a que se protejam os ciclistas e que promovam a sua utilizam. Estamos a criar e a melhorar várias vias. O investimento que estamos a fazer na variante da encosta é disso sintomático, a extensão da ciclovia à Universidade do Minho, a ligação até à ecovia do Este são exemplos.

Estudos apontam para a zona da Universidade do Minho como uma das mais poluídas do concelho. Essa extensão da ciclovia pode ser um passo importante na redução das taxas de poluição?
Por esse e mais motivos. Há desde logo uma dimensão física, já que uma população mais jovem terá mais propensão para aderir a uma modalidade de deslocação através de uma bicicleta do que uma população mais envelhecida. Esse é um público preferencial para campanhas de angariação de novos utilizadores. Nesse mesmo sentido, tenho visto com pena o projecto das bicicletas partilhadas aparentemente não avançar de imediato, mas acho que é algo, seja de iniciativa municipal, seja pela Universidade do Minho ou de âmbito privado, que vai avançar. O bike sharing, o car sharing vão surgir mais tarde ou mais cedo. São tendências consolidadas ao nível tecnológico e estou certo que, havendo massa crítica, que chegaremos soluções desse género na cidade de Braga.

Relativamente à Avenida Júlio Padre Fragata. O desejo de unir a cidade à Universidade e a diminuição dos problemas de trafego naquela zona esmoreceram?
Não está de todo esquecido esse objectivo de recoser a nossa cidade e de voltarmos a ligar a zona universitária ao centro da cidade. Esse é um projecto que foi sofrendo avanços e recuos ao longo dos anos, por questões de natureza técnica, financeira. Não está de todo posto de lado, nem coisa que se pareça. É um projecto que espero concretizar no meu ciclo político, enquanto presidente da Câmara Municipal de Braga. Mas não podemos admitir que será concretizado num futuro imediato, até porque, do ponto de vista imediato, ao nível rodoviário, a nossa prioridade vai para o nó de Infias. Apesar de existir uma dimensão que não depende da Câmara Municipal, até porque muitas daquelas propriedades não são da esfera municipal, mas esperamos concretizar até ao final mandato.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.