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Cada vez mais exigências e cada vez menos pessoal nas escolas
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Cada vez mais exigências e cada vez menos pessoal nas escolas

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Cada vez mais exigências e cada vez menos pessoal nas escolas

As Nossas Escolas

2019-10-10 às 06h00

Teresa M. Costa Teresa M. Costa

Falta de assistentes operacionais e técnicos é assumida como um dos constrangimentos que persiste no Agrupamento de Escolas André Soares que continua a centrar os projectos no aluno.

A falta de assistentes operacionais e técnicos é um dos constrangimentos que marca o arranque de mais um ano lectivo no Agrupamento de Escolas André Soares.
Ao rácio, que, mesmo completo, não corresponde às necessidades das escolas, junta-se a mobilidade.
“Se esta mobilidade é um direito, é para a escola uma preocupação” assume a directora do Agrupamento, Graça Moura, que confirma a perda de assistentes operacionais mobilizados para outras funções na Câmara Municipal de Braga.

Só este ano lectivo, já houve quatro saídas por mobilidade, sendo que os assistentes operacionais que saem têm anos de serviço e a sua substituição exige tempo, aprendizagem e conhecimento da realidade das escolas.
Só que os milhares de alunos - 2200 na totalidade do Agrupamento - “não se compadecem com estas fragilidades” denuncia Graça Moura que aponta que nalgumas escolas o rácio até está completo, mas “é de todo absurdo”.
Na escola-sede, há “contextos muito sensíveis” como o acompanhamento e manutenção das condições nos balneários que exigem, em permanência, um assistente masculino e outro feminino.
A supervisão da fila da cantina onde são servidas, diariamente, entre 500 a 600 refeições, também exige recursos humanos, exemplifica a directora do Agrupamento que reconhece que para ter alguém a supervisionar a fila é preciso fechar outros serviços.

A escassez de assistentes operacionais é acentuada por baixas médicas. O ano passado havia quatro profissionais com baixa de longa duração e, este ano, já entraram mais três de baixa médica.
As exigências do serviço do dia-a-dia levam ao “cansaço daqueles que, com brio profissional, desempenham as suas funções” afirma Graça Moura. que lembra que a requalificação das escolas acarretou também novas exigências em termos dos espaços.

Outro problema reside nos serviços administrativos. Além de vários assistentes técnicos ausentes por doença, as constantes alterações normativas e a complexidade dos processos administrativos requerem mais pessoas e mais formação a assistentes, muitos deles mais mais de 30 anos de serviço, refere a directora do Agrupamento André Soares.
Esta é uma preocupação que já foi levada ao Conselho Municipal de Educação, descreve Graça Moura, mas que continua sem resposta.
Os problemas registados com os manuais escolares, este Verão, são apenas um reflexo deste problema.

Se professor faltar alunos vão para outras turmas

A escassez de professores no 1.º ciclo do ensino básico faz com que não haja quem acompanhe os alunos no caso do professor titular faltar.
Em caso de falta pontual do professor titular, no Agrupamento de Escolas André Soares a opção será distribuir os alunos pelas outras turmas da escola, explica a directora, Graça Moura.
No 2.º e 3.º ciclos e nos jardins de infância existe um plano e uma equipa de ocupação dos tempos livres dos alunos, mas no 1.º ciclo não existe essa possibilidade devido à escassez de recursos.
E quando estão em causa pessoas, os imprevistos podem surgir e o professor ter que faltar, assume a directora do Agrupamento que admite que a solução encontrada “poderá criar constrangimentos”, mas será sempre uma situação pontual.

Dia sem turmas incentiva a participação cívica dos alunos

O Agrupamento de Escolas André Soares está empenhado em dar voz aos alunos pelo que duas ou três no ano lectivo, haverá um dia sem turmas em que os alunos se vão juntar para debater temas ou problemas da escola e/ou da actualidade.
Os temas serão debatidos em grupos coordenados por um aluno numa iniciativa que se enquadra na autonomia e flexibilidade da escola.
O objectivo é que os alunos “se habituem a ouvir, a partilhar opiniões com pessoas diferentes, que não apenas os colegas da turma, desenvolvendo uma cultura de participação e de verdadeira cidadania” explica a directora do Agrupamento, justificando que o tema/questão serão adequados à idade e ao contexto dos alunos.
Este dia sem turma irá decorrer no 1.º ciclo e na escola-sede com a particularidade das conclusões dos alunos serem apresentadas aos encarregados de educação em sessões públicas, anuncia Graça Moura.

Agrupamento aderiu ao Plano Nacional das Artes

No ano em que se comemora o tricentenário de André Soares, o Agrupamento de Escolas que leva o seu nome quer sensibilizar os alunos para a obra e o talento do patrono.
“Celebrando a arte, a beleza, a história, queremos que se desenvolva o currículo, envolvendo os alunos, os professores, os assistentes, os encarregados de educação, as instituições da comunidade” vinca a directora do Agrupamento de Escolas André Soares, Graça Moura.
O Agrupamento de Escolas é uma das várias entidades que integra a comissão organizadora das comemorações dos 300 anos de André Soares que arrancam a 25 de Novembro deste ano e se prolongam até 30 de Novembro de 2020.

No Agrupamento André Soares, as comemorações vão abarcar a arte, o desporto, a ciência, a leitura. “Consegue-se ensinar muitas coisas à volta de um tema - neste caso em torno da figura de André Soares - deixando uma marca nos alunos” acredita Graça Moura.
Neste Agrupamento, este é um ano experimental no domínio das artes, com a adesão ao Plano Nacional das Artes que aposta no desenvolvimento de um projecto cultural de escola envolvendo, também, diferentes parceiros.
O plano é despertar a sensibilidade artística dos alunos que se pode manifestar em diferentes artes.
Todas as turmas têm que ter pelo menos três actividades de envolvimento cultural no decorrer do ano lectivo, dentro ou fora de portas, que pode ser uma ida ao teatro, uma pintura feita ao ar livre ou receber um cantor/artista.
Além do ensino articulado da música, o Agrupamento André Soares está, pelo segundo ano, a “ensaiar” o ensino articulado de teatro na escola sede e na EB1 de S. Lázaro.

A expectativa é que, este ano, seja homologado o plano de estudos para o ensino articulado de teatro para funcionar, no próximo ano lectivo, nos mesmos moldes da música, anuncia a directora, lembrando que a experiência-piloto decorre em parceria com a Companhia de Teatro do Porto e com a Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão.
O curso básico de teatro está a ser acompanhado pelo Ministério da Educação e, no ano lectivo transacto, decorrer em nove escolas dos concelhos de Vila Nova de Famalicão, Vila do Conde e Braga. No caso de Braga, só é possível com o apoio financeiro do Município local.

Programa “retenção zero” é mais um passo para escola inclusiva

Pelo segundo ano, e depois da experiência do ano anterior, o Agrupamento de Escolas André Soares desenvolve o programa “retenção zero” no contexto de uma escola inclusiva.
“Uma escola para todos é uma escola que não deixa nenhum aluno para trás e que potencia as suas capacidades até ao máximo que puder” afirma a directora do Agrupamento.
Um aluno que não consegue aproveitamento, acompanha e turma e não reprova, mas, no ano seguinte, é enquadrado em contextos de aprendizagem diversificados que pretendem desenvolver competências como a auto-estima e a auto-confiança, entre outras.
Graça Moura faz já uma avaliação positiva do primeiro ano do programa e, este ano, há um maior e uma maior responsabilização de alunos e encarregados de educação. Neste contexto, foi assinado um contrato.
A escola inclusiva passa, também, pela integração de alunos com deficiência. Há dez anos que o Agrupamento de Escolas André Soares integra estes alunos, alguns com deficiência profunda. “Os nossos alunos já se habituaram a este contacto” na escola-sede e na EB1 de S. Lázaro, onde existem unidades multideficiência.
“Temos experiências interessantes de alunos que trabalham e apoiam aqueles que têm maiores necessidades” afirma a directora.


Gabinete dá apoio a alunos e à família migrante

O Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família Migrante, criado o ano passado na escola-sede em parceria com a Associação Juvenil Synergia, está aberto a toda a comunidade e “tem sido fantástico” atesta a directora do Agrupamento de Escolas André Soares.
O Agrupamento acolhe alunos de quase todas as nacionalidades e o número tem aumentado, sobretudo brasileiros, consolidando uma diversidade que já acontecia no Centro Escolar do Fujacal.
Graça Moura explica que o gabinete ajuda a resolver uma diversidade de questões, incluindo o apoio ao português como língua não materna. “Temos alunos que não falam português” confirma a directora.

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