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Celíacos: em caso de dúvida peça análises

Braga

2019-05-19 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Festa anual dos Celíacos voltou a juntar ontem crianças e adolescentes celíacos e as respectivas famílias. Equipa de Gastrenterologia do Serviço de Pediatria organiza encontro há 23 anos consecutivos.

“Não ser diagnosticado como doente celíaco é ter a doença e sofrer as consequências”. Por isso, e para evitar “o calvário” passado por muitas famílias, a responsável pela área de Gastrenterorologia e Nutrição Pediátrica do Hospital de Braga, Henedina Antunes, deixou, ontem, o apelo: “na dúvida, por favor, peçam análises ao anticorpo anti-transglutaminase e a imunoglobina A”.
A falar à margem da XXIII Festa Anual dos Celíacos, organizada há 23 anos consecutivos pela equipa de Gastrenterologia do Serviço de Pediatria do Hospital de Braga, Henedina Antunes alertou para o facto de nunca ser de mais falar na doença.

“Ao não ser diagnosticado, a pessoa sofre as consequências da síndrome de má absorção”, referiu aquela responsável, exemplificando: “não absorvem o cálcio e sofrem de osteoporose e não absorvem o ferro e têm anemia, sendo resistentes à terapia oral com ferro”. Os sintomas mais frequentes da doença, informou a médica, são os cabelos fracos, a dor abdominal, as dores de barriga, a barriga estendida, diarreia, obstipação e palidez. “Se têm alguém na família com doença auto-imune devem fazer logo a análise de sangue, que custa 7 euros ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e isso faz toda a diferença”, garantiu aquela responsável, referindo que as consequências da doença passam ainda por depressão, cansaço, pouca vontade de trabalhar e ficar mais susceptível às infecções. “Quanto mais cedo for diagnosticada a doença melhor, porque algumas lesões podem ser irreversíveis”, alertou a médica, referindo que não quer que as famílias passem pelo calvário que passam “antes de ver a luz”.

Aqui, o médico de família tem um papel importante. “Lutei muito na Direcção Geral de Saúde para colocar esse anticorpo acessível aos médicos de família. Além disso, quando vim para o hospital não havia esse marcador disponível e exigi”, lembrou. E Henedina Antunes voltou a insistir: “se suspeitam que são celíacos passem pelo médico de família e expliquem os sintomas que têm, porque, na dúvida, o médico de família vai pedir”.
O passo seguinte, se o resultado for positivo “é fazer uma endoscopia com biópsia, sendo que se deve fazer pelo menos seis biópsias do intestino delgado”, alertou a médica, contando um caso que aconteceu este ano: “tinha uma menina, que a mãe é celíaca, com marcadores muito pouco positivos. Tirei nove fragmentos e seis foram normais e os outros é que deram o diagnóstico de doença celíaca”.

À festa, que contou com a animação da Orquestra de Cordofones Tradicionais de Braga e um lanche inteiramente confeccionado sem glúten, não faltaram as famílias de crianças e adolescentes celíacos.
Entre as famílias presentes, Carla Araújo, de Braga, estava com o filho Afonso, de 13 anos, que é celíaco. “O meu filho passou a vida, até aos dois anos, no hospital. Eram diarreias atrás de diarreias. Foi uma batalha muito grande. Só aos 2 anos é que foi diagnosticada a doença celíaca, quando o levamos a uma dermatologista, por causa de uma ferida que não curava”, contou a mãe de Afonso, assegurando que depois do diagnóstico “mudou tudo”. “Acabou o glúten lá em casa e até pão aprendi a fazer”, contou Carla Araújo, garantindo que o filho leva uma vida “perfeitamente normal”.

Também Sílvia Pereira, de Viana do Castelo, tem uma filha celíaca. A pequena Carolina, na transição dos 4 para os 5 anos não evoluía no peso e a educadora chamou a atenção para a palidez dela. “Alertei a médica de família e a pediatra, mas não valeu de nada. Quando descobrimos já estava em estado avançado”, lamentou a mãe. Hoje, Carolina “está diferente e ganhou ânimo”, garantiu Sílvia Pereira, que teve de mudar a pequena para a escola pública por causa da alimentação.

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