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Doença obsessivo-compulsiva: alterações cerebrais começam durante a infância
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Doença obsessivo-compulsiva: alterações cerebrais começam durante a infância

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Doença obsessivo-compulsiva: alterações cerebrais começam durante a infância

Ensino

2019-05-22 às 09h14

Redacção Redacção

Doença obsessivo-compulsiva está associada a alterações cerebrais logo a partir da infância. A conclusão é de um grupo internacional de investigadores, da qual fazem parte cinco portugueses da Universidade do Minho.

O maior estudo de alterações na estrutura do cérebro em doença obsessivo-compulsiva mostra que existem alterações cerebrais a partir da infância. Entre a equipa internacional de investigadores encontram-se Pedro S. Moreira, Paulo Marques, Madalena Esteves, Ricardo Magalhães e Nuno Sousa, da Escola de Medicina da Universidade do Minho.
A doença obsessivo-compulsiva está associada a alterações cerebrais logo a partir da infância. A conclusão é de um grupo internacional de investigadores, da qual fazem parte cinco portugueses da Universidade do Minho, que além de confirmar a existência de mudanças na estrutura cerebral, demonstrou que estas surgem logo em idade pediátrica, alavancando mais um contributo para uma doença que afecta cerca de 1 a 3% da população.

Em comunicado, a UMinho explica que a equipa de investigação analisou as alterações na assimetria da estrutura cerebral, um factor importante na organização do cérebro humano para várias funções — por exemplo, em pessoas saudáveis, o lado esquerdo está associado ao processamento visual e espacial, enquanto o lado direito aos processos de aprendizagem de linguagem.
“Trata-se de um dos maiores estudos de imagem cerebral alguma vez realizados com doentes com Perturbação Obsessivo Compulsiva e procurava compreender se existiam assimetrias entre as diferentes regiões cerebrais, isto é, se as regiões do cérebro das pessoas que sofrem desta doença têm tamanho diferente quando comparamos o hemisfério direito com o hemisfério esquerdo”, explica Pedro Morgado, professor e investigador da Escola de Medicina da UMinho e um dos autores do artigo, citado no comunicado.

As diferenças surgiram e logo no caso pediátrico, onde se observaram diferenças face ao grupo de controlo na assimetria do volume do tálamo – um importante centro integrador da informação que chega ao nosso cérebro – e no globo pálido – uma estrutura fulcral no controlo dos movimentos.
“O tálamo e o globo pálido são áreas que já se sabia estarem envolvidas na doença. Este estudo demonstra que a assimetria está presente em idades precoces, mas que, por razões que ainda desconhecemos, essas diferenças já não são aparentes nos adultos que sofrem da doença”, destaca Pedro Morgado. As diferenças apresentadas demonstram ainda que a hereditariedade da doença pode ser importante, abrindo caminho à exploração das alterações genéticas que podem determinar esta assimetria. 

Apesar de haver estudos que relacionavam esta doença com assimetrias na estrutura cerebral, as amostras pequenas limitavam a confiança nos resultados obtidos.
Neste caso, a partir de 16 bases de dados pediátricas – 501 pacientes com OCD e 439 saudáveis -, bem como 30 bases de dados adultas – 1777 pacientes e 1654 de controlo – do grupo de trabalho de Perturbação Obsessivo Consultiva do consórcio ENIGMA, os investigadores conseguiram construir uma amostra importante para analisar as alterações cerebrais e poder perceber se a doença obsessivo-compulsiva é caracterizada por padrões anormais de assimetria estrutural do cérebro.

Esta equipa de investigação está enquadrada no ENIGMA, um consórcio mundial dedicado ao estudo do cérebro em que vários grupos de todo o mundo participam e do qual fazem parte seis investigadores do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho.
Para além de Pedro Morgado, que coordena a equipa portuguesa e também a consulta de Perturbação do Espectro Obsessivo-Compulsivo do Hospital de Braga, também participaram no estudo os investigadores Pedro S. Moreira, Pedro Morgado, Paulo Marques, Madalena Esteves, Ricardo Magalhães e Nuno Sousa.

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