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“Estou farto de tantas dificuldades”

Ensino

2019-10-09 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Escola de Medicina da Universidade do Minho celebrou ontem o 19.º aniversário. E em dia de festa, o presidente da escola “tocou na ferida”, exigindo “maior flexibilidade e autonomia para encontrar mecanismos para ter sustentabilidade financeira.”

Em dia de celebração do 19.º aniversário da Escola de Medicina da Universidade do Minho (UMinho), o presidente “pôs o dedo na ferida” e confessou estar “farto de tantas dificuldades”. Nuno Sousa aproveitou ainda para deixar o apelo: “estamos a ficar para trás e a perder competitividade, dêem-nos maior flexibilidade e autonomia para encontrar mecanismos para ter sustentabilidade financeira”.
Durante a cerimónia solene realizada ontem, que incluiu também a homenagem a cinco personalidades, o presidente da Escola de Medicina confirmou que, “toda a gente reconhece o trabalho desenvolvido, apesar de tantas dificuldades”. Mas não é só a componente financeira que está em causa, que “é muito relevante”, mas há um conjunto enorme de dificuldades. “Não acreditam nas pessoas que estão à frente das instituições e criam mecanismos que tornam muito difícil fazer alguma coisa no dia a dia pela coisa pública”, lamentou o presidente, deixando o repto: “não podemos ter receio de ser diferentes e depois prestamos contas do nosso trabalho, mas para isso precisamos de maior autonomia e flexibilidade”. E exemplos não faltam: “a escola contratou três investigadores de carreira, a ser pagos pelo nosso orçamento, e demorou três anos, quando o processo podia ter sido feito em três meses”.

Depois há outra questão que Nuno Sousa não compreende: “todas as áreas recebem estudantes internacionais, porque é que Medicina não pode? Ninguém consegue explicar e ninguém faz nada”. Outra situação que o presidente criticou foi o acesso à especialização. “Estamos a desperdiçar quando não temos excesso, é preciso assegurar alguma especialização para os nossos jovens serem autónomos”, atirou. E Nuno Sousa foi mais longe: “estamos a ficar para trás e a perder competitividade, mas nós não estamos aqui para desistir, mas por favor dêem-nos condições para continuar. Queremos fazer desta escola um cluster que o país e orgulhe. Nós não desistimos, mas por favor deixem-nos trabalhar”.

Também o reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, assumiu estar “farto de ver incumpridos os compromissos formalmente assumidos”, destacando vários dossiers. “Não são aceitáveis os enormes atrasos nos reembolsos de mais de 11 milhões de euros, é um valor pesadíssimo que corta radicalmente o trabalho da instituição e não é aceitável o Estado não cumprir o prometido”, acusou.

Sobre o hospital universitário também há “contornos inexplicáveis” para o processo não avançar e, por isso, a UMinho, a Escola de Medicina e o Hospital de Braga vão voltar a reunir durante a próxima semana.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, assumiu que “a Escola Médica da UMinho já é uma referência e um cluster, porque forma grandes médicos. Este é um curso notável, que ensina comunicação e humanização e isso é absolutamente essencial”. E sobre o discurso do presidente da escola, que “pôs o dedo na ferida”, Miguel Guimarães foi peremptório: “somos incapazes de dar resposta às necessidades dos nossos doentes e estamos a defraudar as expectativas dos nossos alunos”.
O bastonário alertou também para o acesso à especialização, lamentando que o país esteja a “desvalorizar o mais importante: o trabalho das pessoas”.

Novo Currículo avança no próximo ano lectivo

A Escola de Medicina da Universidade do Minho está a trabalhar no novo currículo, que arrancará no próximo ano. “Há 19 anos introduzimos um currículo inovador e serviu muitíssimo bem a nossa instituição e o país. E apesar de sentirmos que estamos a formar médicos de grande qualidade e com óptimos resultados temos consciência que o futuro da prática médica está a alterar-se”, assumiu o presidente da escola. E Nuno Sousa explicou: “há um conjunto de competências que emergem do uso mais intenso das tecnologias e temos que trazer isso para a casa da Medicina”.
O novo currículo, que está a ser trabalhado “por toda a gente” há três anos, tem como base o objectivo de cada estudante criar o seu próprio currículo. “Há um conjunto de novas competências comuns a todos, mas o novo currículo aposta na área digital, organização e gestão de sistema de saúde, novas formas de comunicar e até de investigar”, destacou Nuno Sousa.

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