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Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019 – O Jardim mais votado pelo público - “Vertigem (IR) Reversível”
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Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019 – O Jardim mais votado pelo público - “Vertigem (IR) Reversível”

Alto Minho

2019-11-15 às 19h19

Redacção Redacção

De autores portugueses, a conceção da ideia pertence a dois jovens investigadores, naturais de Barcelos, que em comum partilham a paixão pela jardinagem amadora.

Os visitantes do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima 2019, 15ª edição sob o tema “Os Jardins do Fim do Mundo” votaram maciçamente no Jardim “Vertigem (IR) Reversível” que nos reporta para uma viagem até ao juízo final.
De autores portugueses, a conceção da ideia pertence a dois jovens investigadores, naturais de Barcelos, que em comum partilham a paixão pela jardinagem amadora. E sobre a sua criação consideram que retrata uma “viagem metafórica ao juízo final, onde no purgatório somos confrontados com a dicotomia resultante da nossa inação, quando restam dois minutos para a meia-noite, ou catástrofe global. Mas resta ainda esperança, caso deixemos de ignorar os pecados do capital.”
Confira a apresentação do jardim aos visitantes:
“Num ímpeto laicizador do juízo final, apresenta-se o Jardim • Vertigem (ir)reversível. 
De simetrias curvilíneas e proporções áureas, o Jardim de biomas em transmutação (de)gradativa baliza-se entre a pureza do alfa (?) argênteo e a decadência do ómega (?) ferrugento, entreligadas pelo passeio pecaminoso plúmbeo e pela contracorrente purificante alva. O declive e as linhas suaves convergem para o ponto focal e elevado do Jardim, conferindo ao purgatório vertiginoso a sensação de precipício. Ascendendo-o, é-nos revelado, através da porta abissal com chaves do céu, a dicotomia premente quando restam 2 minutos para a meia-noite... 
As balizas gregas aludem ao Mundo como o principiamos a conhecer e como o findamos a corromper. No percurso sinuoso, deambula-se sobre os 7 pecados do capital que compendiam as causas que aproximam perigosamente a catástrofe global, advinda das alterações climáticas e da sexta extinção em massa. Encontram-se subtérreos sendo alumiados lívida e tremulamente, como metáfora da hipocrisia em ignorar o que nos encandeia reiteradamente. No riacho serpenteante, lava-se os pecados explícitos com virtudes implícitas, especialmente daqueles que os encaram e não os recalcam. 
As transmutações nos biomas ajardinados são apanágios da inépcia (???) e da esperança (???) humanas. Os biomas assemelham-se a embriões (umbilicados à dupla hélice vital), para relembrar que se está a privar de futuro o futuro de nós. Com as alterações climáticas, o Mundo e a Vida não perecerão mas desfigurar-se-ão! O que hoje é tropical irisado, amanhã poderá ser mediterrâneo perfumado; e o que é este último, poderá ser desértico sequioso. O contralateral é a crença da reversão climática, onde o hoje, quiçá depois de amanhã, voltará a hoje. 
Envolto por uma atmosfera transcendental, o purgatório acolhe os incautos. Os 3 degraus elevam à porta a apontar ao céu, cujas fechaduras aludem à dicotomia angustiante abaixo: paraíso vs. inferno. Lá, no abismo, o relógio Dalíano sobre a balança da justiça pende o destino para o negrume desvitalizado. Marca 23h:58min, em acerto com o Relógio do Apocalipse, onde a meia-noite eufemiza a catástrofe global antropogénica. Mas o prato da direita está vago! Com máxima urgência onere-se-o com economia verde, circular e sustentável, ética e educação, que certamente a balança equilibrar-se-á. A Vertigem é, afinal, Reversível!


Quase como sendo premonição, o jardim mais votado, vai continuar em exposição na 16ª edição do Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima, em 2020, enquadrando-se no tema escolhido “As Religiões nos Jardins”.
A segunda preferência do público recaiu sobre o “Jardim da Amizade” que reflete um jardim rico em elementos da cultura oriental com apontamentos da cultura portuguesa. Este jardim, tem o intuito de enaltecer as relações entre Portugal e China, reconhecendo o seu valor cultural e histórico. Dá relevo também à coragem dos Portugueses em navegar por mares desconhecidos e conhecer outros povos e também à fusão com as tradições Chinesas. Cada elemento contemplado neste jardim tem um significado histórico e cultural para os macaenses, chineses e portugueses. 

A seleção das novas propostas para a edição 2020, que tem como tema As Religiões nos Jardins, decorrerá no corrente mês.

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