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Gratidão une Bombeiros Voluntários de Esposende e comunidade

Cávado

2020-01-14 às 06h00

Isabel Vilhena Isabel Vilhena

Fundada há 129 anos, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende assinalou anteontem o aniversário com uma cerimónia simples, mas plena de significado.

Fundada há 129 anos, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende assinalou anteontem o aniversário com uma cerimónia simples, mas plena de significado.“A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende é uma instituição que é muito bem aceite e muito querida pela população”, afirmou João Nunes, presidente da direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.
‘Obrigado’ foi a palavra dominante na cerimónia comemorativa do 126.º aniversário dos B.V. de Esposende. Uma gratidão recíproca, quer por parte dos bombeiros que prestam os serviços à comunidade, quer da população que sente “uma imensa gratidão” pelos soldados da paz.

“Sente-se a generosidade das pessoas, do município e das empresas que estão sempre ao lado dos bombeiros”, realçou João Nunes, que assumiu há pouco mais de um ano a direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende. Uma missão que de algum modo “já lhe corre nas veias”, tendo em conta que o seu pai Manuel Cerqueira Nunes (conhecido por Sr. Nunes) fora dirigente dos Bombeiros de Esposende durante 60 anos consecutivos.

Por seu turno, o presidente da assembleia geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende, Agostinho Teixeira, sublinhou a força da palavra ‘obrigado’. “O que aqui nos traz aqui não é recolher o aplauso da população pelo serviço prestado, quer no combate a incêndios, na protecção, quer no socorro no âmbito da saúde. Mas aquilo que nos traz aqui hoje é demonstramos a nossa disponibilidade e garantirmos que vamos continuar a ser disponíveis, eficientes e capazes na concretização dos objectivos que idealizam a nossa organização estatutária”.

Na habitual cerimónia de apresentação de cumprimentos na Câmara Municipal de Esposende, Agostinho Teixeira, sublinhou que “a câmara municipal é a casa de todos nós”, deixando a garantia da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Esposende de que prosseguirá com a sua missão, disponibilizando-se “a praticar todas as acções necessárias para salvar e proteger as populações, bem como toda a nossa disponibilidade para cooperar nas diferentes iniciativas que vierem a ser produzidas que tenham por objecto o bem da comunidade”, sublinhou o presidente da assembleia geral dos B.V. de Esposende.

Tributo aos bombeiros que já partiram

Os bombeiros que já partiram não foram esquecidos no extenso programa comemorativo dos 129 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.
Depois da missa na Igreja Matriz, solenizada pelo Grupo de Câmara da Igreja Matriz de Esposende, em sufrágio de bombeiros, dirigentes e benfeitores, os soldados da paz rumaram ao cemitério de Esposende onde foram depositadas coroas de flores junto das sepulturas dos bombeiros e dirigentes já falecidos.
A homenagem prosseguiu com a romagem ao cemitério de Belinho para prestar uma sentida homenagem aos bombeiros que faleceram a caminho de um incêndio em Fafe.

O acidente ocorreu em 2009, a poucos quilómetros da saída da A7, quando rebentou um dos pneus do jipe em que seguiam os cinco elementos dos Bombeiros Voluntários de Esposende, vitimando três dos bombeiros de Esposende.
“Durante o tempo que decorre desde a fundação até aos nossos dias, muitos foram aqueles que integraram o corpo de bombeiros de Esposende e muitos outros, homens e mulheres, deram corpo à parte administrativa da associação, mas também dinamizadora de todas as capacidades necessárias para prover o corpo de bombeiros de meios para alcançar os seus desígnios e também para garantir a continuidade, sendo que muitos estão aqui sepultados”, assinalou Agostinho Teixeira, presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.

Numa cerimónia singela e sentida, os soldados da paz do presente renderam “tributo” aos bombeiros já falecidos “pelo desempenho das suas funções e pelo trabalho desenvolvido em prol da associação e dos Bombeiros Voluntários de Esposende. Uma homenagem a todos aqueles que puseram de pé uma instituição, não deixando abalar os alicerces que foram construídos e que resistem até aos nossos dias”, afirmou Agostinho Teixeira, mostrando-se “orgulhoso da associação e do corpo de bombeiros capazes. É com imensa alegria que vemos que os objectivos associativos se mantém fiéis aos desígnios de outrora com um avanço extraordinário na parte do socorro e do combate, mas, sobretudo, com o espírito intenso que preside à solidariedade humana: disponibilidade voluntariamente sem olhar à condição social, credos ou raças. Sem caras, mantemos sadia a nossa missão na sociedade e mantermos fiel o princípio de darmos amor, confiança, protecção e assegurarmos o bem-estar da comunidade esposendense e não só”, vincou o presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.

Bombeiros precisam renovar a frota

Com uma frota envelhecida, os Bombeiros Voluntários de Esposende necessitam renovar o parque de viaturas. “Temos necessidade de renovar o nosso parque automóvel porque, só no ano passado, tivemos que abater quatro viaturas com mais de 20 anos e quase um milhão de quilómetros percorridos, para além das obrigações legais que não permitem manter essas viaturas em circulação”, explicou João Nunes, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Esposende.

No âmbito da renovação do parque automóvel, os bombeiros adquiriram uma nova viatura que foi benzida anteontem pelo pároco de Esposende durante a cerimónia comemorativa do 129.º aniversário.
“Temos em vista neste ano 2020 adquirir mais uma viatura, estamos a trabalhar nesse sentido, de modo a que o corpo activo que é a razão de ser da associação, possa ter todos os equipamentos necessários, nomeadamente viaturas, para que em cada dia melhorem o serviço que é prestado a toda a população, não só do concelho de Esposende, mas a todas aquelas que necessitam nas várias áreas de intervenção, desde o socorro, emergência e toda a área hospitalar”, apontou João Nunes, acrescentando ainda a “necessidade de se fazer alguma intervenção no edifício dos B.V. de Esposende que já tem 36 anos”.

Autarca defende criação de quadro legal

A tento e sensível às necessidades sentidas pelas corporações dos bombeiros, o autarca de Esposende, Benjamim Pereira, defende um olhar sério e efectivo por parte do Estado.
Para o presidente da Câmara Municipal de Esposende “é absurdo e ridículo que instituições desta natureza com esta dignidade tenham que andar a pedir às pessoas para terem viabilidade económica e sustentabilidade financeira para sobreviver”, defendendo que “há muito tempo que o Estado já deveria ter criado um quadro legal capaz de dar autonomia financeira a estas instituições dentro das regras normais, tal como acontece com as forças de segurança, nomeadamente a GNR ou a PSP que não andam a fazer peditórios na rua para o exercício da sua actividade. Vivendo com mais ou menos folga financeira, a verdade é que não precisam disso. E era assim que deveria ser com os bombeiros”.

Benjamim Pereira vai mais longe e afirma que “é sujeitar os bombeiros a um processo de uma certa humilhação perante o poder político e isso não é aceitável e o que fica em causa em última análise é o salvamento e a protecção das pessoas e dos seus bens. Neste quadro nunca em situação alguma deveria ficar dependente do apoio municipal ou teria que ser definido um quadro que definisse, exactamente, qual era o apoio que deveria ser criado pelo município”.

Benjamim Pereira aponta a ideia da criação da taxa municipal de protecção civil “que teria sido uma excelente solução”, argumentando que “qualquer cidadão está disponível dentro dos seus parcos rendimentos e para quem não pudesse pagar teria isenções, mas seria fácil aplicar esta taxa de protecção civil por cada fogo existente em Esposende, aplicando valores residuais, mas que tudo junto seria muito importante para a sustentabilidade dos bombeiros. Esta taxa a complementar com a obrigação do Estado, estas instituições viveriam de uma forma mais tranquila, dentro daquilo que são as limitações do nosso país”.
Segundo o edil com “a alteração profunda da sociedade, onde haverá cada vez menos voluntariado e esse não será o suporte para as corporações de bombeiros e o caminho terá que passar pela profissionalização”.

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