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Entrevistas

2019-02-16 às 06h00

Rui Alberto Sequeira

Hugo Soares recandidata-se á liderança do PSD bracarense em nome da clarificação da estratégia local do partido. Na entrevista á radio Antena Minho e ao Correio do Minho sublinha a salvaguarda do espírito critico construtivo do partido em relação á Câmara e considera inaceitável a penhora das contas do Município. Em ano de legislativas e depois das críticas severas á liderança de Rui Rio diz estar pronto para o combate político, se o partido e o líder o quiserem.

P - É há quatro anos líder da concelhia bracarense do PSD, um período de tempo que coincide, aproximadamente, com a governação municipal da Coligação Juntos por Braga (PSD/CDS/ /PPM). Que avaliação faz destes dois percursos políticos quase paralelos?
R – Quando se é poder existem dificuldades que se colocam á atividade partidária, desde logo a responsabilidade de sabermos separar aquilo que é o partido daquilo que é câmara municipal. No meu primeiro mandato retirei da comissão política local do PSD todos os militantes que tinham ligação com o Município para dar um sinal político de separação total entre partido e autarquia.

P – Tem sido saudável essa separação das águas?
R – É saudável e é fundamental para salvaguardar o espírito critico e a independência de ambos os lados.

P – O PSD em Braga já aprendeu a ser poder, depois de 37 anos na oposição?
R – Eu creio que o tempo foi o melhor conselheiro e o partido está hoje preparadíssimo para ser poder durante muitos anos.

P – Houve ganhos políticos nessa separação?
R – Houve ganhos de independência e de respeito por cada um dos órgãos – câmara e partido – valores que eu prezo muito.

P – As eleições para os órgãos concelhios do PSD foram antecipadas para o próximo dia 15 de março. Alguma razão especial para esta alteração?
R – São eleições que decorrem do exercício do mandato, mas decorrem também da vontade por mim manifestada de marcar já as eleições, em consequência da vivência interna do PSD nacional nos últimos meses. Eu tenho responsabilidades nacionais no partido. Tive especiais responsabilidades naquilo que aconteceu no PSD no último mês e meio e, portanto, julgo que era importante eu assumir também as minhas responsabilidades a nível local. É evidente que as posições que tomo no PSD nacional, faço-o em meu nome pessoal e enquanto figura do partido com dimensão nacional, mas, não deixo de ser o presidente da concelhia de Braga. Decidi, por isso, que era preciso haver uma clarificação interna no PSD em Braga. Parece-me que a única forma de clarificar é ser candidato, dar a palavra aos militantes e serei candidato nas eleições do dia 15 de março.

P - Sente divergências em relação á sua liderança em Braga?
R - Quando eu falo em clarificação refiro-me á necessidade de confrontar os militantes bracarenses com o caminho que temos percorrido até ao momento, quer do ponto de vista local, quer nacional. Hoje o PSD Braga tem uma dimensão nacional que já não tinha há alguns anos. Quando existe um projeto e ideias é preciso chamar os militantes para o debate e creio que a melhor maneira de o fazer é ser novamente candidato e deixar os militantes dizerem por onde querem seguir, ou então aparecer uma outra candidatura alternativa para disputar as eleições.

P - Se for reeleito de que forma vai gerir o próximo mandato e a relação com a liderança nacional do PSD?
R - O facto de ter discordado profundamente da estratégia que o líder do PSD tem seguido, não significa que quem discorda não seja leal e que não esteja mobilizado para o combate contra os adversários políticos. Outra visão, mais preocupante, é pensar que só está do nosso lado quem dá "palmadinhas nas costas". Os mandatos nas concelhias servem essencialmente para preparar as autárquicas e por isso é importante no PSD Braga continuarmos a fazer o trabalho que temos feito, de muita proximidade com as pessoas nas freguesias, com os nossos autarcas e continuarmos a fazer critica construtiva de apoio ao projeto autárquico.

P - A critica construtiva anda ausente.
R - Se dissesse que o PSD e eu próprio concordamos com tudo aquilo que são as decisões da CMB, seria fazer um mau juízo político de quem nos lê e ouve. Nas questões de fundo e são essas que importam, porque estão sufragadas esmagadoramente pela maioria dos eleitores, temos estado em total sintonia. Não escondo que a situação financeira da Câmara é algo que preocupa qualquer pessoa que esteja atenta á realidade política do concelho.

P - Coloca a tónica da situação financeira atual em resultado da herança recebida da anterior gestão municipal socialista, mesmo depois de cinco anos de governação da Coligação Juntos por Braga?
R - O PSD tem de saber assumir as suas responsabilidades pela governação do Município e tem-no feito, não pode é deixar de explicar ás pessoas de onde é que surgem estas situações. Esta divida que levou á penhora dos saldos bancários da CMB tem origem na construção do estádio municipal. Não é da nossa responsabilidade a decisão de construir, nem deste processo ter corrido tão mal do ponto de vista financeiro.

P - Os bracarenses podem questionar se o PSD não sabia da derrapagem financeira na construção do estádio.
R – Na Assembleia Municipal recebemos periodicamente uma lista das ações pendentes em tribunal e os respetivos valores. Ninguém pensará que todas aquelas ações sejam perdidas pelo Município, mas a verdade é que é isso que tem acontecido e tem consequências financeiras para a autarquia. De facto, quem governa há cinco anos tem de ter a capacidade de assumir as suas responsabilidades. Isto não significa que a CMB não deva fazer uma gestão a olhar para as necessidades e tem feito. Os nossos adversários políticos queixam-se da falta de obras de "encher olho” que nós, numa lógica de razoabilidade na gestão autárquica, não temos executado. Termino como comecei: estou muito preocupado com a situação financeira.

P – A autarquia não deveria ter-se precavido para estas situações?
R - Esta foi uma situação que aparentemente a CMB ainda não resolveu porque está dependente da aprovação de um empréstimo para pagar a divida que resulta de uma decisão judicial. Uma situação como esta que resulta numa penhora dos saldos bancários parece-me que não foi bem gerida. Há erros de alguém porque uma câmara municipal não pode chegar ao ponto de ter saldos penhorados. Revela uma falta de respeito muito grande de quem o fez.

P - Existe uma responsabilidade política ou técnica?
R - Há uma responsabilidade desde logo de quem mandou executar uma sentença e mandou penhorar os saldos bancários sabendo, como era público, que a CMB estava a diligenciar o pagamento da divida através da contração de um empréstimo. Isto é um desrespeito total á autoridade política da câmara.

P - Houve neste processo um tratamento discricionário dado á CMB?
R - Acho inaceitável o que aconteceu. Braga tem sido nos últimos noticiada nacional e internacionalmente pelos melhores motivos. A cidade está diferente, respira pujança económica, cultura, as obras têm trazido um valor acrescentado ao concelho. O apoio ás freguesias tem sido uma constante assim como o reforço das políticas sociais para os bracarenses

P - Existem responsabilidades internas da gestão camarária ou o Município foi vítima?
R - Haverá uma responsabilidade da CMB em ter deixado a situação arrastar-se, era publico que a câmara estava a fazer um esforço para contrair um empréstimo. Não quero ser mal-entendido, mas o que me parece é que chegar ao ponto de se penhorar os saldos bancários demonstra um total desrespeito pela câmara. Quem esperou dez anos e sabendo que a autarquia estava á beira de encontrar uma solução, poderia esperar mais uma semana.

P – Haverá outras motivações nessa intenção?
R – Longe de mim pensar que o intuito é fragilizar a governação da autarquia.

P – Ricardo Rio e o PSD apontam para um terceiro mandato de governação da câmara?
R – Se me pedirem um prognóstico eu diria que Ricardo Rio, o PSD e a coligação têm todas as condições para vencerem as próximas eleições autárquicas. Precisávamos de ter em Braga uma oposição mais firme e mais estruturada porque isso também fazia bem á câmara. O PS após 37 anos de poder está em frangalhos, á procura de uma liderança com autoridade, com ideias, com projeto de cidade. Esta minha ideia concorre para eu dizer que Ricardo Rio voltará a ganhar as próximas autárquicas em Braga.

P – Com o CDS? Como é que estão as relações entre os dois parceiros da Coligação?
R – Sim são questões que a seu tempo serão analisadas. As relações decorrem com normalidade.

P – Foi um dos artífices da atual solução governativa, as expetativas para Braga que a Coligação tinha quando ganhou as primeiras eleições correspondem áquilo que esperava cinco anos depois?
R – A melhor marca desta gestão não é só o crescimento económico, a captação de investimento, a criação de riqueza, as políticas sociais de proximidade, o reforço do apoio ás famílias mais carenciadas, uma aposta fortíssima na cultura – a grande marca é que a cidade começou a construir-se com todos. Braga era uma espécie de quintal fechado ao país e á região.

P – Este segundo mandato da Coligação foi reforçado com mais votos e mais um vereador e por isso é natural que se espere mais deste executivo em diversas áreas de atuação. O parque das Sete Fontes foi uma bandeira política e que não sai das boas intenções.
R – Em relação ás Sete Fontes criou-se uma expetativa legitima em particulares que adquiriram terrenos naquela zona. É preciso acautelar essas expetativas, a vontade política genuína de proteção do património lá existente e a criação de um parque verde da cidade. Esse trabalho técnico de mecanismos urbanísticos que inibam a construção, que proteja a construção, mas que ao mesmo tempo não acarrete ónus excessivos de indeminização, para a CMB; leva o seu tempo. Estamos ainda muito a tempo de durante este mandato, podermos ter o parque verde para a cidade.

P – Mas com a maioria reforçada, este executivo municipal não poderia ser mais arrojado na decisão política?
R – Pode, deve e tem sido. Na questão da “Confiança” a câmara decidiu de acordo com o programa eleitoral e mesmo assim – e bem – há quem conteste. Quero com isto dizer que o respaldo eleitoral permite tomar estas decisões.

P – Concorda com a solução encontrada para reinstalar a feira semanal?
R – Não concordo. Dizer só isto é fácil, mas outra coisa é juntar os interesses em conflito e resolver a situação. Se eu gosto de ver a feira cortar uma estrada na cidade? Não. Aquilo é mau, na minha opinião. Dá um ar quase “terceiro-mundista” a uma cidade como Braga, virada para o futuro.

P – O Município neste processo poderia decidir de outra maneira, não está dependente de terceiros.
R – Eu deslocalizava a Feira Semanal para o parque norte da cidade, para junto do estádio, mas depois era preciso convencer os feirantes da solução encontrada, longe do centro da cidade. Esta solução atual, na zona do Parque da Ponte foi o compromisso possível com os feirantes.

P – A palavra dada pelo presidente da CMB aos feirantes era que após as obras do Fórum Braga voltariam para o espaço que ocupavam antes.
R – A razão pela qual aparentemente a Feira não voltou ao local onde se realizava teve a ver com a necessidade e acautelar o piso do parque de estacionamento que seria danificado com a montagem das tendas. Parece-me sensato.

P – A saída de Carlos Oliveira da administração da InvestBraga pode provocar uma perda de dinâmica?
R – Carlos Oliveira teve um papel fundamental na projeção de Braga através da intervenção da InvestBraga. Entendeu que tinha chegado ao fim de um ciclo e decidiu sair. Se me perguntarem quem é a pessoa mais bem preparada para dar continuidade ao trabalho, respondo: Ricardo Rio.

P – S. Geraldo e Pousada da Juventude. Concorda com a forma encontrada pelo executivo municipal para reabilitar estes dois equipamentos, pagando as obras em algo que não é seu?
R – Em relação á Pousada da Juventude, sim. No caso do S. Geraldo, tenho mais dificuldades em concordar. (Silêncio) Eu não via como prioridade e disse-o publicamente, o negócio do S. Geraldo, mas percebo a decisão da Câmara.
P – A CMB sentiu-se pressionada pelas redes sociais e outros movimentos?
R – Um executivo municipal com a legitimidade que este tem, quis ouvir aquilo que lhe parecia ser a voz maioritária da sociedade civil bracarense. Eu teria decidido de outra maneira depois de ter feito a minha análise de prioridade política para o S. Geraldo. O que é que interessava á cidade? A recuperação do S. Geraldo. Tem de ser um equipamento com valências publicas? Eu acho que não.

P – O regresso do Hospital de Braga (HB) para a gestão pública promete ser um dos temas das próximas legislativas, em Braga.
R – Eu discordo profundamente desta decisão ideológica do governo. Ao contrário do estereótipo que os “histéricos ideológicos” da extrema esquerda querem fazer passar de que os privados só têm lucros, a gestão do HB está a dar prejuízo face ao maior número de serviços que tem de prestar designadamente com os medicamentos relacionados com o VIH/Sida, esclerose múltipla e hepatite C.

P – Como é que observa o aparecimento da Aliança, o partido do ex-líder do PSD, Pedro Santana Lopes?
R – O aparecimento da Aliança pelo seu posicionamento político, pela sua liderança e por ter ido buscar quadros ao PSD é um adversário que tem de ser combatido sob pena de se perder eleitorado para o novo partido.

P – Tendo apoiado Santana Lopes nas diretas para a liderança do PSD como é que viu a sua saída?
R – Vi com tristeza e a saída ainda está por explicar. Apoiei Santana Lopes porque foi o único que me pediu apoio; depois porque estive do princípio ao fim com Passos Coelho a acreditar no que fizemos pelo país e não escondo que me magoaram muitas posições de Rui Rio. Mas o que pesou na decisão foi achar que Santana Lopes tinha mais margem de progressão no combate político para criar desgaste ao governo socialista.
P – O que é que Luís Montenegro pode trazer á liderança do PSD se um dia for eleito presidente do partido?
R – É uma análise que não faço já. Tem certamente muito a trazer ao PSD, tal como outros militantes.

P – De qualquer maneira esteve ao lado de Luís Montenegro na contestação á estratégia do presidente do partido
R – Se a pergunta é: se houver eleições em outubro no PSD e Luís Montenegro for candidato…
P – Depois das legislativas?
R – Vamos ver, mas se Luís Montenegro for candidato é evidente que o apoio porque é alguém em quem acredito politicamente e como pessoa.

P – Seja qual for o resultado nas legislativas deverá haver eleições para a liderança nacional?
R – As eleições no partido devem ocorrer em função do resultado eleitoral.
P – Eleições para a liderança do PSD ainda este ano?
R – Essa é uma decisão que cabe ao presidente do partido.

P – Qual é a opinião do militante e dirigente Hugo Soares?
R – Imaginem que o PSD ganha as eleições é evidente que o mandato do presidente do partido deve ser cumprido. Imaginem que o PSD tem um resultado digno. Porque é que deve haver eleições antecipadas? Agora imaginem que o PSD tem um resultado francamente mau. Eu acho que deve tirar consequências.

P – O que é que entende por um mau resultado?
R – O PSD é o maior partido no parlamento com 89 deputados, agora imaginem que o PSD tem um resultado abaixo dos 31%. Eu acho um resultado péssimo que deve merecer uma leitura do presidente do PSD.

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