Correio do Minho

Braga, terça-feira

Mais perto do que longe de nova crise económica
GNR deteve trio a furtar em pedreira de Gonça

Mais perto do que longe de nova crise económica

Sonho do título já não depende apenas dos Guerreiros

Entrevistas

2019-01-12 às 06h00

José Paulo Silva

Nuno Reis foi eleito recentemente provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Aposta numa maior estabilidade directiva da instituição e apela ao apoio de novos beneméritos. Em entrevista ao Correio do Minho e Rádio Antena Minho, elege o investimento nas respostas à terceira idade como prioridade do mandato. Promete uma Misericórdia mais atenta às situações de pobreza encapotada.

P – A Santa Casa da Misericórdia de Barcelos (SCMB) tem tido vários provedores nos últimos anos. É um sinal positivo de renovação ou cria alguma instabilidade?
R – Pode ser lido de duas formas. É importante as instituições renovarem-se, mas a estabilidade é fundamental para que os projectos cheguem a bom porto. É da vida que não é fácil haver substituições de lideranças fortes e transições pacíficas. A SCMB teve, no final do século passado e no início deste, uma liderança forte e uma provedoria que esteve mais de três décadas à frente da instituição. Não foi fácil a transição para as equipas seguintes. Espero que, a partir deste momento, haja condições para uma maior estabilidade.

P - Essa instabilidade tem a ver com o quê? Na SCMB joga-se alguma correlação das forças políticas?
R - Penso que não. Olhando para outras Misericórdias da região, olhando para Bernardo Reis, provedor da Misericórdia de Braga, para Bento Morais, provedor da Misericórdia de Vila Verde, identificamos líderes com muita capacidade.Quando existem líderes fortes, existem também equipas que os acompanham e condições para levar avante os projectos. Em Barcelos, estamos a falar de uma instituição que tem a seu cargo 400 colaboradores, 250 utentes idosos em lar, que presta mais de 700 tratamentos por dia na área da fisioterapia, que tem 55 doentes em cuidados continuados e que assegura assistência a 430 crianças. Estamos a falar de uma instituição relativamente grande. Aquilo que é a natureza solidária da instituição tem levado a que as provedorias, assumindo um carácter voluntário, por vezes não tenham a noção do que é a gestão de uma organização com uma matriz cristã muito forte.

P - Harmonizar aquilo que são as obras da Misericórdia com uma gestão mais pragmática?
R - E mais presente. Por um lado, a procura de lideranças mais fortes e de equipas mais estáveis. Por outro lado, a necessidade de as pessoas terem a consciência que o voluntariado tem de ser profissional e mais presente, obviamente sem remuneração. A SCMB não é já uma pequena organização e exige alguma atenção e cuidado.

P - A falta de lideranças fortes na SCMB de alguma forma limitou o crescimento natural da instituição?
R - Eu não quero que esta minha afirmação seja entendida como pejorativa ou como crítica negativa a quem quer que seja.

P - Mas a falta de continuidade de mandatos pode ter prejudicado alguns projectos?
R - Parece-me claro que, quando olhamos para as Misericórdias de Vila Verde, Póvoa de Lanhoso ou Braga, cada uma com as suas especificidades e apostas estratégicas, é evidente que a estabilidade as ajudou a que tenham, hoje, um papel muito importante. Parece-me evidente que a SCMB continua a ter um papel importantíssimo na área em que está inserida, mas tem condições para fazer um pouco mais e dar resposta às obras de misericórdia no século XXI. A resposta é: com estabilidade e com planeamento a longo prazo, a SCMB pode fazer mais.

P - Numa entrevista a uma rádio de Barcelos, defendeu a necessidade de a SCMB pautar a sua acção pela discrição e maior recato. Isso é o reconhecimento de que alguma polémica e politização podem prejudicar o trabalho da instituição?
R - É o reconhecimento de que o mais importante na SCMB não é a mesa administrativa, o maior importante é responder às necessidades que existem. Se há mais de cinco séculos, a rainha D. Leonor e o seu padre confessor deram origem à Irmandade da Misericórdia, não foi para terem protagonismo ou para terem mais preponderância na sociedade, foi para dar resposta aos mais desfavorecidos da sociedade. Objectivamente, a acção que devemos ter deve ser discreta e silenciosa, concentrando o foco no que é essencial: a assistência ao idoso, ao doente e à criança. Temos feito ver aos nossos colaboradores de que a nossa missão é nobre, que não está ao alcance de qualquer um. É nos nossos colaboradores que depositamos as maiores esperanças de prestar um melhor serviço à sociedade.

Misericórdia tem de voltar para o terreno

P – No seu discurso de tomada de posse, focou a atenção que tem de ser dada a uma pobreza escondida ou envergonhada. Que tipo de respostas pode dar a SCMB a essa realidade?
R – A realidade da pobreza envergonhada é transversal no nosso País. Felizmente, na nossa região ainda vamos tendo uma cultura de fraternidade e de boa vizinhança que vai ajudando a minorar as dificuldades que as pessoas vão tendo, mas a pobreza envergonhada é uma realidade que existe, até entre as pessoas que servem as instituições sociais.

P - Daí a ideia de criar um gabinete de atendimento aos colaboradores?
R - Eu gostaria que o nosso departamento de recursos humanos ganhasse um âmbito e uma esfera de actuação mais alargados, que se transformasse num departamento das pessoas. Nunca teremos a capacidade ir ao mercado concorrer com empresas privadas na contratação de pessoal, sob o ponto de vista das condições monetárias, mas podemos criar condições de enquadramento para que a SCMB seja uma entidade com as melhores práticas no apoio aos colaboradores.

P - Desculpe insistir: que respostas pode dar a SCMB às situações de pobreza encapotada?
R - Esse é o grande desafio. O iceberg tem uma face acima da água e outra abaixo da água. A que está acima da água, o barco pode visualizá-la à distância e contorná-la.?Mais difícil é visualizar o que está debaixo da água. A?SCMB tem de ter mais recursos capacitados em termos de intervenção social, tem de voltar a reactivar uma presença mais forte na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, tem de voltar a ir para o terreno e não se limitar o que tem feito, e bem, no combate à pobreza. Quando temos uma rede social genericamente boa no distrito de Braga, temos organizações que estão a concentrar esforços no tal iceberg acima da linha de água, esquecendo que o que está abaixo é também muito importante. Teremos de ser capazes ser ainda mais comunicativos e abertos à colaboração, com técnicos que percebam que não podem estar fechados dentro dos gabinetes, que terão de ter uma presença muito mais activa no concelho. Disse-o de uma forma simbólica, mas isso vai acontecer: o provedor não terá gabinete, o seu gabinete fará parte do gabinete de atendimento das pessoas. O provedor não ficará condicionado aos serviços centrais, vai ter de andar por todas as unidades. A acção dos colaboradores mais ligados à intervenção social tem de ser voltada para fora.

P - Como vai reforçar o quadro de colaboradores quando a generalidade dos provedores das Misericórdias se queixam de financiamento público? A menos que a SCMB tenha muitos beneméritos...
R - Poderia e deveria ter mais. Temos de ter humildade para pedir para fazer face às necessidades que temos para a requalificação dos nossos lares e de outras unidades. A?SCMB voltará, de uma forma humilde e transparente, a dizer que precisa de todos aqueles que estão disponíveis para dar um pouco de si, não apenas em termos de trabalho, mas também de recursos.

P - Mas é certo que as Misericórdias e outras IPPS vivem sobretudo do financiamento público.
R - Exemplo disso é a realidade inalterada de algum tempo a esta parte: o que é pago pelo Estado para algumas tipologias de cuidados continuados. As instituições que asseguram cuidados de longa duração são prejudicadas relativa- mente às que asseguram serviços para convalescença. Como podemos reforçar mais a área da intervenção social com carência de recursos? Gerir é também identificar prioridades e, em função dos recursos, alocar melhor os que existem. Teremos de reavaliar as necessidades internas de contratação e concentrar esforços na área da intervenção.

P -?Sem necessidade de aumentar o número de colaboradores?
R - Há necessidade de melhorar a distribuição dos colaboradores. Há também a possibilidade garantir necessidades por entidades externas, não obrigando à contratação pura.

P - As perspectivas para 2019 quanto às comparticipações estatais das valências sociais não melhoram?
R - Devemos pugnar por salários mais dignos e criar condições para que as empresas e instituições possam pagar melhor. Nos últimos anos, o salário mínimo nacional foi aumentado, e ainda bem, mas a administração central esquece que é preciso criar condições para o cumprir.
Quando olhamos para algumas Misericórdias que fizeram algumas apostas, nomeadamente na área da infância em detrimento de outras áreas como a terceira idade ou a saúde, vemos que estão a passar por momentos muito complicados, com dificuldades em pagar salários e assegurar a sua sustentabilidade futura. A?SCMB, na sua valência de infância, tem um resultado negativo anual de 200 mil euros. Tem de gerar noutras áreas algum excedente que permita o pagar esse resultado negativo. Daí a importância de fazermos planeamentos estratégicos.

Prioridade é requalificar respostas à terceira idade

P - Há sub-financiamento de certas áreas assistenciais?
R - Sem dúvida. É uma realidade do conhecimento dos ministérios da Saúde e da Segurança Social, de alguns anos a esta parte. Ainda como deputado na Assembleia da República tive oportunidade de alertar os dois ministérios para a necessidade de rever o que estava a pagar às instituições sociais, sob de pena de algumas fecharem portas. Temos muitas exigências em termos de recursos humanos especializados na área da Saúde, mas temos muita dificuldade em fazer perceber a quem manda que às exigências tem de corresponder a transferência de financiamento.

P - Qual é a realidade na SCMB?
R - Apresentaremos em Março as contas de 2018.

P - Mas ainda estão numa situação de algum equilíbrio financeiro?
R - Há quatro anos, tínhamos um desafio muito grande de sustentabilidade na área da Saúde, porque a SCMB tinha feito uma aposta nos cuidados continuados.

P - Houve quem dissesse que foi uma aposta demasiado arrojada...
R - Foi temerária no que diz respeito à abertura sem estar contratualizado com o Estado metade do funcionamento dessa unidade. Quando a mesa administrativa anterior tomou posse, essa unidade gerava um resultado negativo mensal muito significativo que poderia colocar em causa a própria instituição. Hoje, isso já não acontece. A SMCB fechou o ano de 2017 com o EBITDA (n.r.: lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) positivo e deverá fechar 2018 também com EBITDA positivo, sendo que, tendo em conta a necessidade de obras, isso não significa nada, porque os recursos que poderemos de vir a mobilizar serão escassos. Temos vindo a amortizar e a renegociar o empréstimo para a construção da unidade de cuidados continuados

P - Esta é uma área onde pode haver crescimento?
R - Os estudos que existem têm apontado carências de cuidados continuados sobretudo na área da Grande Lisboa. O que pode dizer é que, a nível local, as nossas taxas de ocupação têm andado sempre na casa dos 98 por cento. Dos 55 doentes que temos connosco, 50 são oriundos daRede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.?Cinco camas são geridas de forma privada. Se tivéssemos mais capacidade instalada, as novas camas seriam ocupadas.

P - Mas a SCMB não projecta aumentar a unidade de cuidados continuados?
R - A nossa prioridade é requalificar as unidades de apoio a idosos, os lares onde pensamos que devemos ter ainda melhores condições. Há coisas que não podem ser mais adiadas. Numa primeira fase, a nossa prioridade é criar condições para que os 38 idosos que estão a ser assistidos no Lar da Misericórdia possam ser ins- talados, transitoriamente, noutra unida- de para podermos intervir num edifício antigo, o que vai obrigar a um estudo arqueológico e a pareceres de entidades oficiais.

P - É um projecto para 2019? Para este mandato?
R - Criar condições para poder iniciar as obras é um projecto para este mandato. Vai obrigar a que noutras unidades da SCMB, cuja capacidades não esteja totalmente utilizada, como o Infantário Rainha Santa Isabel ou o Centro Social de Silveiros, se procedam a obras que permitam alojar provisoriamente esses 38 idosos. No futuro, até por força do envelhecimento da população terão de se criar condições para ter mais respostas à terceira idade.

P -?Sem necessidade de novas construções?
R - Precisamente. Olhar para a criação de condições para as obras no Lar da Misericórdia como uma intervenção de futuro que permita aumentar as respostas à terceira idade.

Estamos em condições de dar bom uso ao Hospital

P - O Hospital de Santa Maria Maior é propriedade da SCMB. Está cedido ao Estado. Fala-se há muito tempo da construção de um novo Hospital para Barcelos. Como vê o regresso do edifício do actual Hospital à Santa Casa?
R - Fala-se há tanto tempo do novo Hospital. O actual é propriedade da SCMB, arrendado por um preço simbólico. Enquanto cidadão barcelense, gostaria que o concelho pudesse ter um Hospital novo.

P - Atendendo ao processo que ocorreu em Braga com a entrega do Hospital de S. Marcos à Santa Casa da Misericórdia, a mesa da SCMB projecta alguma coisa para as instalações do ‘Santa Maria Maior’?
R - Temos conhecimento do que se passou em Braga e temos de estar preparados para que não nos aconteça a mesma coisa, ou seja, que o Estado, de um dia para o outro, transfira o edifício, provavelmente em condições que não sejam as ideais. Se esse cenário se vier a colocar, teremos de estar preparados.

P - Neste momento, não equaciona uma reutilização futura desse edifício?
R - É uma questão que ninguém nos colocou. Provavelmente, não é um cenário que tenhamos de colocar a curto prazo. Em termos de planeamento, estamos já a perspectivar aquilo que depende de nós e que vai obrigar a uma actuação imediata. O que não depende de nós...

P -?Mas prevê que o edifício do ‘Santa Maria Maior’ possa ser reaproveitado para funções sociais, caso avance o novo Hospital, ou antevê outras utilizações?
R - Se um dia a questão se vier a colocar e se nós estivermos ligados à SCMB, o que garanto é que estaremos preparados para o que esse cenário vier a implicar. Também lhe digo que, relativamente às 14 obras de misericórdia, algumas podem ser concretizadas aproveitando edifícios no centro da cidade de Barcelos. O edifício do Hospital está em continuidade com a sede, dois lares e a igreja. Estaremos preparados para lhe dar um bom uso, percebendo a experiência, não diria traumática mas negativa, da Misericórdia de Braga em dar uma solução ao edifício do Hospital de S.?Marcos.

Misericórdias foram almofada social nos tempos da crise

P – Falou atrás da necessidade de envolver mais os barcelenses na vida da SCMB, voltando a um passado em que as Misericórdias viviam sobretudo dos beneméritos. Faz sentido voltar a esses tempos?
R – Faz todo o sentido, tendo em conta aquilo que foi o início das Misericórdias e aquilo que são os desafios actuais e aqueles que se prevêem. Em 2007, com o início da crise económica e financeira, as instituições de solidariedade social foram uma almofada fundamental para dar resposta a muitas situações de pobreza reconhecida e de pobreza envergonhada. Penso que, pelas condições geopolíticas na Europa e no Mundo, poderemos estar mais perto do que longe de voltar a nova crise económica. Nessa altura, as instituições do sector social vão ser ainda mais importantes do que são hoje. É preparando a necessidade de estarmos melhor quando chegar essa altura que temos de nos voltar para a sociedade pedindo que nos ajudem a ajudar.

P - E as instituições têm essa estrutura nesta altura? Já disse que os apoios do Estado não são os devidos para o trabalho que estas fazem. Numa perspectiva de nova crise, estão preparadas para aguentar esse impacto?
R - Neste momento, fazem o que podem com os recursos que têm. Devem fazer a reflexão interna que eu defendo para a SCMB no sentido de perceber as áreas em que vamos ter mais e melhores respostas. Isso é fazer a nossa parte. Alguém terá também que fazer a sua parte. Se essa crise chegar, nós teremos necessidade de beneméritos privados mas também da compreensão da administração central relativamente ao papel que desempenhamos.

P - Este conjunto de problemas fazem a SCMB não investir numa área em que as Misericórdias portuguesas apostam actualmente: a recuperação de património? Esta é uma segunda prioridade?
R - As coisas são tão importantes que não poderão estar desligadas. Se criarmos condições para realizar obras no Lar da Misericórdia, que é um imóvel classificado, estaremos a preservar o nosso património.

P -?Mas há formas de tornar esse património mais disponível para a comunidade?
R - Sem dúvida. Relativamente ao arquivo histórico e às obras artísticas da instituição, há necessidade de maior cuidado nas condições de conservação e também de disponibilização de parte desse acervo para estudos e consulta. Gostaríamos que a academia visse na SCMB um laboratório vivo, o qual possa ajudar a criar conhecimento e a destapar a memória de cinco séculos. Gostaríamos de ter uma resposta para dar à sociedade minhota em termos de um núcleo museológico mais aberto. À talhe de foice, entendo que a SCMB pode fazer divulgação cultural. Na nossa cerimónia de juramento, tivemos o Coral de Galegos S. Martinho que é um bom exemplo dos artistas e intérpretes que temos na nossa sociedade e que estão ainda por conhecer.

P - Neste aspecto, SCMB esteve pouco voltada para a sociedade?
R - Eu prefiro colocar as coisas mais do lado positivo. No ano 2020, a SCMB cumprirá os seus 520 anos e cumprirá 500 anos desde o momento em que o rei D.?Manuel I, percebendo que a SCMB não conseguia, sozinha, dar assistência aos pobres e doentes que existiam na altura, determinou a fusão do Hospital da Vila de Barcelos, como se chamava na altura, com a Gafaria da Quinta da Ordem. Esse passado, que terá dois momentos importantes em 2020, obriga-nos a ter uma posição positiva de participação cultural diferente e mais consistente, não apenas concentrada no mês de Maio em que se comemora o nosso aniversário, mas ao longo do ano. Um bom exemplo disso é que tivemos crianças da Academia de Música de Viatodos que, em vésperas de Natal, encheram a Igreja da Misericórdia de Barcelos com músicas natalícias. Teremos de abrir as portas da nossa Igreja para que os bons artistas que existem possam ter um palco para serem conhecidos. Ao mesmo tempo, estaremos também a formar melhores colaboradores, proporcionar aos nossos irmãos bons espectáculos. É um dever cultural que a SCMB tem.

Deixa o teu comentário

Últimas Entrevistas

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.