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‘O Beco da Liberdade’ convida a reflectir sobre o sentido da condição humana

Braga

2019-09-22 às 12h25

Isabel Vilhena Isabel Vilhena

‘O Beco da Liberdade’ é o título do mais recente romance de Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça e juiz jubilado do Supremo Tribunal de Justiça. O livro foi apresentado ontem no salão nobre da Universidade do Minho.

A vida, a justiça, o bem e o mal. E o que será humanamente mais importante: julgar ou compreender. Este é o convite à reflexão do terceiro romance ‘O Beco da Liberdade’ de Álvaro Laborinho Lúcio apresentado ontem no salão nobre da Universidade do Minho.
“Este livro surge num período que tendemos a transitar para uma época pós-humana e nesse sentido não deixarmos de pensar, profundamente, o sentido da dimensão humana e da própria condição humana”, explicou ao ‘Correio do Minho’ Álvaro Laborinho Lúcio.

‘O Beco da Liberdade’ tem como personagens principais Floriano Antunes, jornalista, que tem uma história que necessita de ser reescrita, e um juiz, Guilherme Augusto Marreiro Lessa, agora viúvo e reformado, que, 50 anos depois de ter aplicado ao réu de um “estranho homicídio” uma pena leve, vai responder, acusado de um outro crime de natureza sexual.
“A história desenrola-se em duas partes: a primeira nos anos 60 do século passado e a segunda acontece agora. É uma história que envolve personagens muito representativas de qualquer um dos dois períodos, nomeadamente o período dos anos 60 numa comarca de Trás-os-Montes ainda muito marcada por um certo conservadorismo que representava a época e ao mesmo tempo há um conjunto de outras personagens que são inovadoras e pretendem que haja um progresso significativo”, conta Laborinho Lúcio, esclarecendo que “o romance não é um livro sobre a justiça, nem sobre os juízes, mas é um livro sobre o julgamento, ou seja, como nos julgamos uns aos outros, o que é isso da condição humana e como se vive essa relação entre o bem e o mal. E é isso que acontece na segunda parte no diálogo entre um juiz e um jornalista e que em diferentes momentos aquele juiz vai ser julgado pela prática de um crime de natureza sexual.

O jornalista vai rescrever uma história que ficou por escrever da primeira vez porque o seu artigo foi cortado pela censura”. É neste diálogo entre este dois homens que o autor da obra procura estabelecer “a distinção que o juiz faz entre o que é explicar a vida e o que é compreender a vida. Ele diz que compreender a vida tem que se fazer no mundo do caos, sendo certo que a norma acaba por ser ela própria, por um lado, a defesa da liberdade, mas por outro lado, o beco da própria liberdade. É nesta dimensão da relação que nós temos com a norma que nos permite viver uns com os outros, mas ao mesmo tempo o caos que permite atingir o máximo de cada um de si mesmo. É nesta relação que estabelecemos entre o bem e o mal na consciência de que não há nenhum bem que não detenha alguma parte de mal e não há nenhum mal que não detenha alguma parte de bem”, rematou o antigo ministro da Justiça e juiz jubilado do Supremo Tribunal de Justiça.
O lançamento do romance realizou-se no âmbito do programa cultural da 10.ª edição do Festival de Outono da Universidade do Minho.

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