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Entrevistas

2018-10-28 às 13h00

José Paulo Silva

ARTUR COIMBRA está a comemorar 40 anos de vida literária. Em entrevista ao Correio do Minho, jornal onde se iniciou na poesia, reconhece que tem “algum jeito para manejar as palavras”.

P - Quarenta anos de vida literária. Uma marca significativa?
R - De facto, é muito tempo. Quarenta anos que são quase 40 livros, na área da poesia, por onde comecei, e pela historiografia. Na historiografia estou mais à vontade, mas sinto-me um poeta. Acho que tenho algum jeito para manejar as palavras e tenho construído uma obra que os especialistas consideram que teve uma grande evolução deste o livro inicial, ‘O Prisma do Poeta’, publicado em 1978.

P - Teve um primeiro poema publicado no Correio do Minho...
R - Penso que em Dezembro de 1975, na altura em que estava a estudar no Liceu Sá de Miranda, em Braga. Nesses anos havia uma página literária no Correio do Minho, às quintas-feiras, onde colaboraram José Manuel Mendes,?Victor de Sá, Álvaro de Oliveira, Pinto de Matos e outras pessoas. Foi nessas páginas que comecei a dar os primeiros passos na literatura.

P - Tem ideia desse poema?
R - Olhando para trás, nem me reconheço nesses poemas. Eram muito juvenis e abstractos. No primeiro livro usei outros poemas. Por essa altura escrevi também um romance que nunca publiquei. Foram experiências juvenis. Publiquei mais uns quantos livros de poesia e depois enveredei pela prosa, sobretudo investigação historiográfica.

P - Como surge esse interesse pela História?
R - O meu curso de base é História. Fui convidado para integrar uma lista do Partido Socialista à Câmara Municipal de Fafe e fui vereador entre 1980 e 1982, na altura em que estava a tirar o curso na Faculdade de Letras do Porto. Pelos anos 90, fiz uma pós-graduação na Universidade de Coimbra sobre Assuntos Culturais no Âmbito das Autarquias. Uma disciplina que me marcou imenso foi História Local. Foi a partir daí que despertei para a História. Em 1997, publiquei o meu primeiro grande livro de História: ‘Fafe: A terra e a memória’. Foi um livro marcante. É o livro mais lido, mais requisitado, mais fotocopiado, mais plagiado também sobre a História de Fafe.

P - Continua com essa veia historiográfica?
R - Fui publicando mais livros de História. Temos vários livros sobre pessoas e instituições aqui de Fafe. Fui entermeando os livros de História com um ou outro de poesia.

P - Mas na celebração dos 40 anos de vida literária escolheu o legado da poesia.
R - Porque foi por onde comecei. Quarenta anos depois, quero celebrar o meu percurso literário com um livro de poesia. ‘Palavras à procura de voz’ recolhe poemas dos dois últimos anos. Este livro é simbólico.

P - Continua a escrever seguramente. Tem algo na forja?
R - Na poesia, costumo dizer que sou um escritor bissexto. Não tenho a exigência de fazer poemas todos os dias. A musa nem sempre anda por aí. A investigação é mais fácil e é o que eu continuo a fazer mais assiduamente. Em parceria com um colega meu de Fafe, o Paulo Moreira, já temos na tipografia um livro que vai sair no dia 17 de Novembro com o título: ‘Vitela Assada à Moda de Fafe: do Pasto ao Prato’. Esse livro contém a História da Confraria da Vitela Assada à Moda de Fafe, que tem cerca de cinco anos, dos festivais da vitela assada e um capítulo sobre a vitela na literatura em Fafe. O livro tem também pequenos capítulos sobre o vinho, o pão de ló e os doces de gema.
P -?Ainda há muito por explorar na História de Fafe?
R - Até aos anos 80 havia muito pouco publicado.?Havia apenas estudos muito lacunares e parcelares. No tempo de José Ribeiro como vereador, a Câmara Municipal organizou as Jornadas de História Local de onde saíram muitos textos. Nos anos 90 foi criada a revista Dom Fafes, que ainda hoje existe, onde os estudiosos vão publicando. Por essa mesma altura, a Câmara criou um Prémio de História Local que ainda hoje se mantém. Com tudo isto, tem-se publicado muita coisa sobre a História de Fafe, o que não quer dizer que esteja tudo estudado.

P - Esse conjunto de publicações já dão para pensar fazer uma História de Fafe?
R - Foi o que eu fiz com a segunda edição de ‘Fafe: A terra e a memória’, em 2016, que permitiu já incorporar e sintetizar os vários conteúdos que entretanto sairam sobre a História do concelho. É a obra de síntese mais recente e mais completa que há sobre Fafe. É a minha grande obra.

P - Olhando para a quantidade de livros que já editou, poderá pensar-se que é fácil publicar fora dos grandes centros. É assim?
R - Não tenho esse problema. Há sempre entidades que me vão encomendando e publicando livros. Há mais dificuldade ao nível da poesia, mas não tem sido um investimento de risco. Felizmente, não tenho tido problemas com a edição.

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