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Braga, terça-feira

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Reabilitação do Bom Jesus fica concluída em Junho de 2019

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Braga

2018-10-11 às 06h00

José Paulo Silva

Projecto ‘Bom Jesus: Reabilitar II’ decorre em velocidade cruzeiro. Confraria do Bom Jesus do Monte garante conclusão da reabilitação do Santuário em meados do próximo ano.

No final de Junho de 2019, as últimas empreitadas de requalificação do Bom Jesus do?Monte estarão concluídas. O investimento, na ordem de 1,9 milhões de euros, é considerado “fundamental” para o sucesso da candidatura do santuário bracarense a Património Mundial, na categoria de Paisagem Cultural, que será apreciada, no próximo ano, pela assembleia geral da UNESCO.
“O sonho será sermos eleitos na próxima assembleia geral da UNESCO, entre Julho a Setembro de 2019, em Baku, no Azerbeijão”, afirmou, ontem, o vice-presidente da Confraria, Varico Pereira, durante uma visita aos derradeiros trabalhos do projecto ‘Bom Jesus: Requalificar II’.

Nesta altura decorre a segunda fase dos trabalhos de conservação e restauro do interior da Basílica do Bom Jesus, a par da beneficiação do Pórtico, de seis capelas e de parte do escadório.
Depois da “avaliação muito positiva” dos peritos do ICOMOS, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, os responsáveis da Confraria confiam no trabalho “diplomático” das autoridades portuguesas para “convencer os embaixadores de cerca de 80 países a votar” a candidatura a Património Mundial.
“Do ponto de vista técnico, de obras e de criação de zonas de protecção, o trabalho está feito”, considerou Varico Pereira, sublinhando Mário Paulo Pereira, tesoureiro da Confraria, que “a candidatura tem condições para ser ganhadora”.

O vice-presidente da Confraria considerou o trabalho de reabilitação do Santuário do Bom Jesus do Monte concretizado nos últimos anos como “acção fundamental para a integridade do bem”, algo valorizado pela UNESCO nos processos de classificação patrimonial.
Depois de uma fase de reabilitação de áreas de circulação do Santuário, desde 2012 que a Confraria do Bom Jesus do Monte tem investido no restauro e conservação dos escadórios, capelas e Basílica, bem como no ordenamento da área florestal daquela estância.
O projecto ‘Bom Jesus: Requalificar II’ previa um investimento global de 2,3 milhões de euros, mas a Confraria conseguiu, com os concursos públicos que promoveu, reduzir em cerca de 500 mil euros a factura desta última fase de reabilitação do património edificado e artístico do Santuário.

Quer a conservação e restauro do interior e recheio artístico da Basílica, quer a reabilitação do Pórtico e das seis capelas da área poente do escadório têm como prazo de conclusão o dia 30 de Junho de 2019, limite que os dirigentes da Confraria e os responsáveis das empresas contratadas acreditam vai ser cumprido.
As obras beneficiam de comparticipação de 80 % do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, assegurando a Confraria a parte restante com fundos próprios.
“Infelizmente, não há mecenas”, lamentou Varico Pereira, adiantando ser “impossível fazer esta intervenção sem apoio comunitário”.

Vinte e dois técnicos especializados em inventário, conservação e restauro de património cultural trabalham, nesta altura, na segunda fase da empreitada de reabilitação do interior da Basílica do Bom Jesus do Monte. Em Janeiro do próximo ano, fiéis e turistas descobrirão um templo com muita mais cor, resultado do trabalho minucioso de limpeza e retoque das pinturas, estátuas e outros elementos artísticos.
“A grande diferença vão ser as cores das paredes, neste momento com muita sujidade e que vão passar a ter cores mais vivas”, adiantou, ontem, Luís Aguiar Campos, coordenador da obra que está a ser executada com o “desafio” de manter a Basílica aberta ao culto e às visitas, embora de forma condicionada.

A segunda fase da empreitada de reabilitação do Templo do Bom Jesus decorre até Janeiro de 2019 nos espaços da sacristia, transepto e capela mor, concluída que foi a reabilitação da capela do Senhor do Monte, a funcionar provisoriamente como sacristia.
“O primeiro grande desafio que enfrentámos foi na sacristia. Tinha uma cor creme em todas as paredes. Abrimos janelas de prospecção e encontrámos um marmoreado em tudo igual ao que existe dentro da igreja, de qualidade excepcional. Estamos a levantar a camada de tinta e salvaguardar o máximo possível o original do marmoreado”, revelou aos jornalistas Luís Aguiar Campos, justificando que “a intenção é preservar o máximo possível de originalidade do recheio artístico”.

Para o sócio da empresa Signum, “esta será a primeira grande obra executada no templo do Bom Jesus”, inaugurado em 1811, garantindo que, até Junho de 2019, “não vai haver um único centímetro que não seja alvo da nossa atenção e do nosso carinho”.
Para além dos trabalhos de restauro, que permitirão estabilizar os processos de degradação do espólio artístico, o Templo passará a dispor de um sistema de monitorização em tempo real da temperatura e humidade relativa. “O Bom Jesus é a segunda igreja em Portugal onde este sistema foi implementado, o que nos permite ter informação, através de 12 sensores, que ajuda a controlar os processos de degradação”, referiu Luís Aguiar Campos. A empreitada contempla igualmente novos sistemas de iluminação, detecção de incêndios e videovigilância.

Pórtico, capelas e escadório salvaguardados

O projecto ‘Bom Jesus: Requalificar II’ contempla a recuperação do Pórtico e das primeiras seis capelas do escadório, bem como algumas melhorias na alameda de acesso ao Santuário, espaço público sob gestão da Confraria por acordo com a Infraestruturas de Portugal. Alguma degradação dos degraus do escadório está também a ser atacada.
As seis capelas chegaram a um estado avançado de degradação estrutural e do seu recheio artístico, em resultado sobretudo do excesso de humanidade e da acção perniciosa do fumo de velas, “o grande inimigo do património”, como enfatizou ontem a arquitecta Teresa Ferreira, coordenadora dos trabalhos. Os trabalhos já realizados permitiram detectar a sobreposição de pinturas decorativas, avaliando os técnicos as vantagens de pôr a descoberto as pinturas originais, mantendo alguns elementos posteriores.

A reparação dos rebocos e das coberturas das capelas é outra das frentes de trabalho desta empreitada. A estatuária das capelas está a ser reabilitada nos laboratórios da empresa AOF, responsável por anteriores intervenções de restauro no Santuário do Bom Jesus do Monte.
Nos próximos meses, a Confraria do Bom Jesus do Monte vai convidar entidades da região e nacionais a avaliarem o andamento desta última etapa do projecto ‘Bom Jesus: Reabilitar II’.

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