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Toca a reunir autarcas do Alto Minho na luta contra o lítio
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Toca a reunir autarcas do Alto Minho na luta contra o lítio

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Alto Minho

2019-06-19 às 06h00

Teresa M. Costa

Cinco Concelhos do Alto Minho estão no mapa da prospecção de minerais, incluindo lítio. Presidente da Câmara de Caminha apela a uma posição comum para que a união faça a força.

O presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves, apelou ontem à união do Alto Minho para uma posição comum de rejeição da prospecção de minerais, onde se inclui o lítio.
O autarca de Caminha falava na sessão de apresentação do projecto intermunicipal ‘Da Serra D’ Arga à Foz do Âncora” que decorreu em S. Lourenço da Montaria, concelho de Viana do Castelo, numa primeira reacção ao pedido de parecer emanado da Direcção-Geral de Energia e Geologia.

O pedido de parecer abarca área geográfica de cinco concelhos: Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Ponte de Lima e Paredes de Coura. Salvaguardando que irá informar-se mais sobre o tema, o edil de Caminha garante que “o Município de Caminha nunca aceitará que um valor menor seja o substituto de um valor maior que é a biodiversidade, a paisagem, a população”.
O trabalho já realizado no âmbito do projecto intermunicipal que visa a classificação da Serra D’ Arga como paisagem protegida de âmbito regional é mais uma arma e será mais rápido que uma eventual prospecção, acredita Miguel Alves.

“Se classificarmos a Serra, acho que será impossível que aqui exista exploração de minério, nomeadamente lítio” sustenta o edil de Caminha.
Miguel Alves defende “uma posição articulada” entre os cinco municípios.
Recorde-se que o Município de Vila Nova de Cerveira já anunciou publicamente a intenção de emitir parecer desfavorável. O município de Ponte de Lima, na última reunião do executivo, também já assumiu uma posição contra. O vereador do Ambiente, Paulo Sousa, também realçou ontem, em Montaria, a importãncia de todos se unirem “para terem força”.

Presente na sessão, o vereador do Município de Viana do Castelo, Ricardo Carvalhido, mostrou-se “relativamente descansado”, apesar de reconhecer que “é feroz a luta” que se anuncia, por ver nos municípios envolventes “provas dadas” em matéria de protecção ambiental.“Temos aqui um comprometimento político” realçou, assumindo a posiça “frontalmente contra” do Município de Viana do Castelo.
Miguel Alves apelou ao envolvimento de todos e criticou a hipocrisia de quem, no passado, no seu próprio município, nem se pronunciou quando foi auscultado.
O autarca de Caminha lembra que os pareceres dos municípios não são vinculativos e que “a decisão final não é das empresas é do Estado português”, mas acredita que a união irá fazer a força. “Se estivermos juntos e fortes é difícil sermos batidos” reforçou.

Classificar a Serra D’ Arga como área protegida

Os Municípios de Viana do Castelo, Caminha e Ponte de Lima estão prontos a avançar com o processo de classificação da Serra D’ Arga como Paisagem Protegida de Âmbito Regional.
A sustentação científica era o trabalho mais moroso e está concluído, tendo sido já apresentado nos três concelhos. Ontem, foi a vez da população de S. Lourenço da Montaria, em Viana do Castelo, conhecer mais de perto a fauna, a flora e o património geológico da Serra D’ Arga.

"A candidatura como Área de Paisagem Protegida de âmbito regional é para avançar imediatamente. Vou reunir com técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) para saber, exactamente, que passos têm de ser dados com vista à sua a formalização", afirmou o coordenador do projecto "Da Serra d'Arga à Foz do Âncora", Guilherme Lagido, na apresentação dos estudos realizados desde 2017.
O antigo director do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e actual vice-presidente da Câmara de Caminha adiantou que "a candidatura tem o trabalho principal, técnico e científico já concluído".

"Agora é apenas a definição política sobre o que devemos incluir na Área de Paisagem Protegida, mas a candidatura é para avançar o quanto antes", referiu.
O responsável, que falava ontem na apresentação dos estudos realizados desde 2017, explicou que o "valor patrimonial" da Serra d'Arga "é de tal modo elevado, o conhecimento agora existente é de tal modo avançado", que se tornou necessário "criar um mecanismo de protecção desse património".

O presidente da Câmara Municipal de Caminha, Miguel Alves, lamenta: “só é pena que só agora estejamos a fazer isto” admitindo que “é muito por culpa de Caminha, porque os municípios de Viana do Castelo e Ponte de Lima já há algum tempo queriam fazer da serra D’ Arga uma paisagem protegida” e apontando o dedo aos executivos anteriores a 2013 que “não manifestaram interesse em fazer este trabalho”.
Em representação do Município de Ponte de Lima, o vereador Paulo Sousa, classificou como “extremamente importante o trabalho de parceria entre os três municípios” e realçou a necessidade de avançar para uma segunda fase, criando valor económico associado a este território, através do turismo e dos recursos endógenos, para fixar população e dar qualidade de vida.
O projecto "Da Serra d'Arga à Foz do Âncora" incide sobre o território classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 Serra d'Arga, uma área de 4493 hectares.

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