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Vinhos Verdes de portas abertas
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Vinhos Verdes de portas abertas

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Vinhos Verdes de portas abertas

Economia

2019-09-10 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Iniciativa foi uma autêntica boda. Recheada de momentos imperdíveis e carregada de convidados. Abriram-se as quintas, mostraram-se as vinhas, contaram-se e criaram-se inúmeras histórias, num brinde aos verdes.

Verdes. Refrescantes. Requintados. A felicidade está no verde. No seu feitiço. Através deles pode-se chegar ao coração. Deve-se. No verde as notas de prova são encanto, leveza, partilha e amor. São puras emoções. É a sua magia. São os seus segredos e que seduzem cada vez mais o simples comum dos mortais. E essa foi a principal constatação da mais recente campanha da Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes: Dia de Portas Abertas.
É na presença. No toque. No olhar. Nas conversas. No sentir que se constroem relações. É assim que a região olha para as pessoas. É assim que se torna cativante. É assim que se torna apaixonante. E quando estas portas se abrem, a promessa é de uma viagem inesquecível.

Foi dessa forma que foi preparado este dia. Abriram-se as quintas, mostraram-se as vinhas. Provou-se o vinho e o verde tornou-se hipnotizante. Como um olhar que te faz chegar ao coração. Verde, claro.
Quinta do Tamariz, Barcelos. Quinta de Soalheiro, Melgaço. Quinta de Santa Cristina, Celorico de Basto. Quinta de Maderne, Felgueiras. Quinta das Arcas, Valongo. Quinta da Tojeira, Cabeceiras de Basto. Quinta da Aveleda, Penafiel. Quinta da Lixa, Felgueiras. Palácio da Brejoeira, Monção. Foram os espaços que levantaram o véu das suas histórias, das suas práticas. Criaram novas histórias. O balanço? Uma autêntica boda, cheia de convidados e muitas iguarias.

A um grupo de jornalistas foi criado um cardápio fora da caixa. Não se foi ao coração do Alvarinho, que deixa Monção e Melgaço de peito feito. Também não se viajou pelo Cávado, onde reina o Loureiro. Mas provaram--se as duas castas. Aliás, a viagem até passou a fronteira do Minho, mas naturalmente inserida na região dos vinhos verdes. Valongo, Felgueiras e Amarante. Sim. Valongo, Felgueiras e Amarante. E que tal? Soberbo.

Primeiro ponto de visita: Valongo, Quinta das Arcas. A auto-estrada ao lado não anuncia o que se avizinha. Vinhos única e exclusivamente varietais ou monacasta, já com técnica de vindima mecânica, realizada à noite inclusivamente e alguns pormenores deliciosos. Em mente está destinado 1 hectare para a criação de um museu de castas autóctones antigas, que nos entretantos se perderam, em colaboração inclusivamente com instituições do Ensino Superior. Um vinho biológico produzido através de vinhas com cerca de 70 anos e um Alvarinho que já foi premiado em vários pontos do globo. Razões? As diferenças do terroir são certamente uma delas. A mineralidade proveniente do xisto foi perceptível numa vertical, onde inclusivamente se sentiu um toque a sal, o que lhe confere características distintas. E o vinhão de 2014? Uma pérola. Entre pão quente e queijo da quinta. É de agradecer aos deuses.

Despedidas feitas, viagem para o segundo ponto. A imperdível Maderne, um espaço enoturístico em Felgueiras, que honra as tradições ancestrais até ao toque do futuro. Os seus vinhos podem encontrados nas tascas, naquele famoso vinho de lavrador, mas também no bar do ouro em Londres. No Mundo há três Madernes. Em Lugo (Espanha), há uma pequena ilha na Dinamarca com esse nome e... em Felgueiras, que curiosamente já foi um centro de culto visigodo. Talvez também por isso os seus vinhos sejam muito apreciados igualmente nos países da Escandinávia.

Em Maderne refrescam-se as garrafas dentro de uma água de mina, convive-se com os esquilos e a apresentação foi harmonizada com um manjar de eleição. Bolas de carne e sardinha, trufa de galo, carnes, bacalhau, enchidos e caldo feito a partir dos ossos do frango. Tudo preparado, escolhido e com um toque de um chef cujo restaurante tem a distinção Michelin.
O dia prosseguia e a terceira e última paragem seria Amarante. Hotel Monverde. O único vínico da região dos vinhos verdes. Propriedade da Quinta da Lixa. Almoço com bacalhau assente na broa de avintes, gambas e robalo envolvidas em arroz e também o famoso porquinho da Bairrada. Um toque de lima e hortelã. Brancos, um vinhão de eleição e um vinho de sobremesa que surgiu como joker à mesa. Em frente a vista para a vinha. E os quartos? Uma lareira encantadora, uma piscina deliciosa e muito requinte à mistura. Na mesa um espumante para mostrar que quando se abre a porta é para sentir e sorrir...

Manuel Pinheiro: “A região está pujante”

Foi no idílico Monverde - wine experience hotel, já com o sol em curva descendente, que Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes, traçava o balanço da iniciativa e abria o horizonte para o futuro. “A região está pujante”, regojizou-se, garantindo igualmente que o processo de crescimento e incremento de qualidade vai continuar. “Vamos manter o dinamismo”. No total foram 1600 visitantes que participaram no Dia de Portas Abertas e a próxima edição já tem data marcada: 5 de Setembro de 2020.
“Este é o primeiro ano de Dia de Portas Abertas. Curiosamente estamos quase a celebrar 111 anos da região demarcada dos Vinhos Verdes e lançámos neste ano este projecto e correu muito bem. Nestes nove produtores havia cultura do vinho e festa do vinho e isso é muito importante para todos. Foi um dia de festa da região”, referiu Manuel Pinheiro.

“A região dos vinhos verdes está-se a reinventar e isso é a regra da vida. Cada vez mais a aposta é em vinhos mais ricos, é pegar nas raízes da região e criar uma simbiose com o presente e o futuro. É curioso que tivemos muitos estrangeiros inclusivamente nesta iniciativa, o que é demonstrativo que a região está a ganhar cada vez mais apaixonados e que estamos inclusivamente a ajudar a aumentar a oferta turística do Minho”, considerou o presidente da Comissão. “Aqui na nossa região o vinho está muito próximo dos locais onde estão os turistas. Porto, Braga, Guimarães e Viana do Castelo são grandes centros urbanos que têm vinhas a quinze ou trinta minutos de distância. Há uma proximidade enorme e quem visita o Minho pode programar um fim-de-semana indo a Centro Histórico como Braga, indo a um Parque Natural como o Gerês, visitando património edificado com Guimarães e, ao mesmo tempo, fazer uma visita a uma quinta de vinhos, participar numa prova e até usufruir das unidades de enoturismo que existem na região”, acrescentou ainda.

“As várias cidades podem servir de impulso para o negócio do vinho e o vinho está a adquirir um conceito agregador entre as várias cidades”.
“Nós temos que aproveitar o facto de o vinho verde em particular e a nossa região ser grande e com força. Temos um grande vinho. Quando vamos aos Estados Unidos da América, ao Japão ou à Alemanha e procuramos vinho verde ele está lá. Está na carta dos restaurantes. Por isso, temos que estar à vontade, sem sobranceria, perceber que estamos no bom caminho e afirmar que esta região tem óptimas condições”, frisou Manuel Pinheiro.
“Portugal é um grande país produtor de vinhos e temos uma diversidade enorme. Os vinhos portugueses mais exportados são o vinho do Porto e o Vinho Verde e temos como objectivo aumentar os nossos números. A região dos vinhos verdes investe cerca de 3,5 milhões de euros na promoção em mercados externos ao longo do ano. Agora no segundo semestre temos acções mais no hemisfério sul. Já nas próximas semanas vamos estar em São Paulo e no Rio de Janeiro. Este ano fizemos uma primeira experiência no mercado russo e vamos avaliar no final. Em Israel estamos em avaliação e um mercado muito interessante é o japonês, que já recebe cerca de um milhão de litros de vinho verde e que valoriza o vinho de qualidade”, analisou Manuel Pinheiro.

O mundo está em transformação, igualmente no que diz respeito ao clima. As alterações climatéricas anunciam mudanças que podem ser significativas para as próximas décadas. “Os mais velhos lembram-se quando o vinho verde tinha muita acidez e pouco álcool. Hoje isso já não acontece. Os vinhos verdes têm menos álcool que as outras regiões, mas são muito mais redondos e agradáveis. O que mudou? A agricultura, as castas e a forma como se planta. Temos mais horas de sol. Temos mais calor. Estamos a vindimar mais cedo. Antigamente a vindima acontecia perto do 5 de Outubro e agora estamos a começar em Agosto. Esta alteração tem sido agradável para o vinho verde e menos para os vinhos do sul do país. O vinho verde gradualmente está a afirmar-se e, esta construção em conjunto, poderá tornar o vinho verde no principal cartão de visita de Portugal. É com essa ambição e com esse desejo que a região olha para o futuro”, asseverou ainda Manuel Pinheiro.

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