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“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” CONHECIMENTO

Histórias de vida quem não as tem...

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” CONHECIMENTO

Escreve quem sabe

2021-04-20 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilho neste espaço, durante 10 meses. Nos meses anteriores, SERENDIPIDADE, ESPANTO, OTIMISMO, RESILIÊNCIA, HUMOR, LIDERANÇA, TALENTO. Hoje: CONHECIMENTO. Procurando uma pequena e rápida distinção dos tipos de conhecimento encontramos o seguinte: Sensorial/sensível - É o conhecimento comum entre seres humanos e animais. Obtido a partir das nossas experiências sensoriais e fisiológicas (tato, visão, olfato, audição e paladar). Intelectual - Trata-se de um raciocínio mais elaborado do que a mera comunicação entre o corpo e o ambiente. Já pressupõe um pensamento, uma lógica. Vulgar/popular - É a forma de conhecimento do tradicional (hereditário), da cultura, do senso comum, sem compromisso com uma análise metodológica. Não pressupõe reflexão, é uma forma de apreensão passiva, acrítica e que, além de subjetiva, é superficial. Científico - Procura por leis e sistemas, no intuito de explicar de modo racional aquilo que se está a observar. Não se contenta com explicações sem provas concretas; os seus alicerces estão na metodologia e na racionalidade. Filosófico - Busca as verdades do mundo por meio da indagação e do debate; do filosofar. Portanto, de certo modo, assemelha-se ao conhecimento científico - por se valer de uma metodologia experimental -, mas dele se distancia por tratar de questões imensuráveis, metafísicas. Religioso/teológico - Conhecimento adquirido a partir da fé teológica, é fruto da revelação da divindade. Declarativo - O conhecimento declarativo seria o referente a coisas estáticas, paradas, como por exemplo os conceitos de uma ciência, ou a descrição de um objeto. E o que faz a escola? Qual o papel da escola? Gosto sempre de pensar no professor como um gestor - gestor de sala de aula (das suas interações, dos seus conflitos, das suas aprendizagens, do seu ensino). O gestor é o professor no processo de dirigir ações que utilizam recursos para atingir objetivos. O que fazemos então com o conhecimento? O professor/gestor quer alunos sábios (felizes, livres, autores do seu próprio conhecimento) e não depósitos (de conhecimentos). A sabedoria é interna. Daí a importância do professor como gestor do conhecimento - ele determinará, mediante a sua prática diária, se os alunos que tem na sua frente são alunos sábios ou alunos depósito. Se promove a compreensão ou a informação. Temos que refletir se os nossos alunos vão sendo depósitos cheios de conhecimentos e vazios de sabedoria. Porque a diferença quando falamos de conhecimento está entre ser sábio ou depósito de conhecimentos, que tantos professores ainda confundem, não está no que ensinamos mas no como ensinamos, não está em aprender, mas no como levamos a aprender… O ensino-aprendizagem reveste-se hoje de uma nova roupagem, quando pensamos no papel de professor-gestor. Gestor de conhecimentos, gestor de emoções. E este gestor de conhecimentos tem que ter em conta o aluno que está na sua frente, para promover a sua sabedoria. Assim são os nossos alunos que apresentam características de sobredotação: são sujeitos da sua própria aprendizagem. Adquirem rapidamente a informação e retêm-na, tendo uma atitude de investigação ativa, uma curiosidade intelectual e uma motivação intrínseca enorme; apresentam habilidades invulgares para conceptualizar, abstrair e sintetizar; apreciam desafios que impliquem atividade intelectual, procurando a sua sistematização; têm um amplo vocabulário e capacidade verbal, demonstrando também um alto nível de informação sobre temas complexos e avançados para a idade; grande criatividade e imaginação e interesse em experimentar coisas novas; concentram-se intensamente num tema de interesse, dispondo de elevada energia e vitalidade com períodos de esforço intensos; são normalmente empáticos e têm grande desejo de ser aceite pelos demais; sendo mais independentes, preferem o trabalho individualizado; e, têm um grande sentido de humor. O professor gestor tem assim uma enorme tarefa pela frente: ensinar com a intenção de levar a aprender. Ao fazer tábua rasa da sabedoria dos seus alunos não leva a aprender, não ensina nada. E estes alunos merecem-no, tal como todos os outros. Não podem ficar esquecidos! Este professor gestor remete-nos para o “ser professor”: desenvolvendo um estilo pessoal de ensinar, explorando e descobrindo maneiras de utilizar a sua própria pessoa, os seus conhecimentos, para tomar as decisões mais acertadas. É um grande desafio humanista e que cada vez mais, hoje, deveria ser reclamado para a formação de professores. Não há lugar em educação para se ser mau professor ou professor “assim-assim”. Um professor tem que necessariamente ser um bom professor: os riscos que se correm em educação são demasiados. As mudanças nas caraterísticas pessoais, de ser e perceber, terão que levar os professores a sentirem-se como profissionais em situações de ajuda, muito para além do currículo escolar e do seu manual. É a capacidade de transformação de “professor” em “tornar-se professor”.
Para que não apareçam mais crianças, como esta, que ao iniciar o 1º ano do 1º ciclo a saber ler e escrever, chega ao final do ano letivo e diz: “Tive que aprender a ler e a escrever como se não soubesse nada.”

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