Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” FELICIDADE

O dia em que José Saramago passou em Padim da Graça

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” FELICIDADE

Escreve quem sabe

2021-06-15 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilho neste espaço, durante 10 meses. Nos meses anteriores, SERENDIPIDADE, ESPANTO, OTIMISMO, RESILIÊNCIA, HUMOR, LIDERANÇA, TALENTO, CONHECIMENTO, EXCELÊNCIA. Hoje: FELICI- DADE. No livro “Psicologia Positiva: Educação, Saúde e Trabalho” de Caroline Tozzi Reppold & Leandro S. Almeida, o último capítulo “Felicidade para o bem comum: das intervenções em psicologia positiva à educação para a paz global sustentável”, de Luís Miguel Neto e Helena Águeda Marujo, a Psicologia Positiva tem vindo a estudar a felicidade, afirmando a necessidade de alienar formulações individualistas em direção a uma abordagem social e comunitária estruturante, reconhecendo a importância da racionalidade e da ação pró-social para o bem-estar humano comum. Os caminhos vitais para a felicidade do bem comum estão na construção de comunidades participativas, caracterizadas pela reciprocidade, gratuidade e pelas formas pacíficas de comunhão, e sobre a sustentabilidade ambiental. Assim, dizem os autores, se há déficit de relações é imperativo que fiquemos mais generosos – porque ser bom traz felicidade ao próprio – mas essa ação tem que se ligar a outras dimensões da vida que nos envolve. De todas as frases deste artigo, escolhi uma que poderia estar à porta de todas as escolas: “Os lugares mais felizes na terra não são os internos. Não são os geográficos. São os espaços entre nós.” (Chris Peterson) Feli- cidade. Espaços entre nós. Fundindo as três frases do autor, numa só, ficaria assim: Os lugares mais felizes na terra são os espaços entre nós. Será que a escola promove este lugar feliz? Será que a escola é apenas um espaço geográfico, ou é um espaço “entre nós”? Dos muitos mitos que povoam na nossa comunidade educativa, que já em 2000 o Professor Javier Tourón da Universidade de Navarra, Espanha, equacionava, destaco um por ir de encontro à temática de hoje: “As crianças sobredotadas estão pior ajustadas, são menos populares e felizes que os alunos médios”, reiterando a crença de que a inteligência conduz ou é diretamente proporcional à infelicidade. O que a literatura vem demonstrando, isso sim, é que há variáveis intelectuais e/ou cognitivas que nos permitem avaliar positiva e/ou negativamente as emoções revertendo-as em experiências mais ou menos positivas, mais ou menos negativas, às quais atribuímos uma maior ou menor grau de felicidade ou infelicidade. Este mito, que os professores e pais interiorizaram, está diretamente relacionado com o grau de aceitação da diferença e a valorização da diversidade. As crianças/jovens com características de sobredotação não são menos felizes por serem mais inteligentes. São menos felizes porque a escola não as reconhece, não as valoriza nem intervém. Porque a escola se fixou num espaço geográfico, e ainda não consegue ser um “espaço entre nós” O ajuste pessoal, social e escolar dependerá do grau de aceitação das suas diferenças, em primeiro lugar, por ele(a) próprio(a), e quando são tidas em conta no âmbito social, familiar e escolar em que se desenvolvem. Tudo passa então pela aceitação (própria e dos outros) de se ser diferente. Interessa pensar na felicidade na escola enquanto realidade diária, de satisfação de uma paixão grande pela aprendizagem, de uma curiosidade pelo mundo que os rodeia sedenta de explicações e de saberes. “O que aprendeste hoje na escola?” “Nada, nada de novo” dir-me-á. Então sim, então atrevo-me a dizer que a escola não é o lugar dos sonhos destes meninos. Atrevo-me a dizer que eles não são felizes, porque a escola não soube, e ainda muitas vezes não sabe, aceitar a diferença. E aceitar a diferença é acima de tudo promovê-la. Tolerância para aceitar, e paixão para promover. A generosidade, a reciprocidade, a gratuidade. Neste caso, promover a diferença é ir de encontro à profundidade e nível de desenvolvimento, à complexidade e ao repto intelectual. É ir de encontro ao ritmo de aprendizagem, conceito que implica, entre outras coisas, a apreensão do aluno pelo currículo à velocidade que convenha ao seu ritmo de aprendizagem, evitando as tarefas repetitivas sobre assuntos já dominados e longe do desenvolvimento cognitivo. É ir de encontro às suas curiosidades e necessidades de saber para além do currículo. É promover pedagogias e práticas colaborativas inovadoras para alcançar culturas de Paz e bem-estar. É dar o novo. É dar o espanto. É ser “espaço entre nós”. É dar... para que ele chegue ao fim do dia e quando lhe perguntarmos “o que aprendeste hoje na escola?” ele possa responder, com a felicidade estampada no rosto: “Tanta coisa…. Tanta!”.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho