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“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” OTIMISMO

Alguém ao seu lado...

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” OTIMISMO

Escreve quem sabe

2020-11-03 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilharei neste espaço, durante 10 meses. Nos meses anteriores, SERENDIPIDADE, ESPANTO. Hoje: OTIMISMO. Palavras em que fui tropeçando, que fui apanhando, construindo, não um castelo, fechado e imponente, mas uma ponte, aberta e simples. E será esta ponte o espaço entre nós, o espaço da generosidade, da equidade, da aceitação, da celebração – aquele espaço que, na escola, nos coloca em relação com os alunos. Ao procurar o que já tinha lido, o que li agora pela primeira vez e o que também já escrevi sobre esta palavra em que tropecei, OTIMISMO, encontrei em Seligman, citado no livro “Psicologia Positiva” de Caroline Tozzi Reppold & Leandro S. Almeida, o seu grande contributo na consolidação de uma perspetiva científica no início deste século ao abordar o bem estar e ao valorizar as potencialidades humanas. Seligman traz para o plano científico a discussão de temas como o amor, felicidade, espiritualidade ou OTIMISMO, promovendo a procura de evidências científicas.
A Psicologia Positiva encontra assim novos construtos psicológicos que emergiram para se ler o desenvolvimento e o comportamento humano. Mas, paralelamente, e porque suporte da teoria, surgem também programas de intervenção favoráveis ao desenvolvimento do bem-estar, OTIMISMO, autorrealização, excelência, sabedoria, compaixão, perdão. Um dos aplicados por este autor - programa implementado com alunos entre os 8 e 15 anos de idades com o objetivo de fortalecer as suas competências e auxiliá-los a enfrentarem dificuldades relacionais de modo assertivo e, sobretudo, a desenvolverem uma perspetiva de vida OTIMISTA, realça a grande mudança no desenvolvimento das gerações futuras: como educadores, temos o dever de inspirar nos nossos alunos uma visão OTIMISTA da vida baseada na consciência de que mais importante do que aquilo que nos acontece é a forma como lidamos com isso. Não é tarefa fácil, fruto de muitos séculos e séculos de uma filosofia essencialmente europeia em que o OTIMISMO era considerado algo negativo.
As pessoas OTIMISTAS sempre foram consideradas ingénuas e ignorantes, tal como dizem Helena Marujo, Luís Miguel Neto e Fátima Perloiro, no livro ‘Educar para o OTIMISMO’. “A pessoa OTIMISTA olha para o insucesso como uma consequência de algo que pode mudar de forma a vencer a etapa seguinte, enquanto a pessoa pessimista aceita a culpa do fracasso atribuindo-a a uma caraterística inata que não pode mudar“ (Seligman). É esta visão que também vem de encontro direto à descoberta e aceitação de alunos talentosos, sempre negligenciados. Com uma visão positiva e OTIMISTA sobre os nossos alunos e filhos teremos uma possibilidade muito superior de descobrir e valorizar os seus talentos.
Ajudar a facilitar um crescimento confiante não é uma tarefa fácil quando os próprios educadores vivem na desilusão: rasgam os desenho dos alunos na sua frente porque não estão bem; têm comentários desastrosos: “não podes saber ler porque eu ainda não ensinei, aqui na sala só lês o que eu disser.”; desdenham das suas reais capacidades e comentam: “afinal também erras - este exercício está errado”... enfim, um sem número de situações em contexto de sala de aula em que os educadores estão sempre prontos para “apanhar” o aluno em falta, “apanhar” os seus erros, “apanhar” o que não sabe, e não para tentar descobrir os seus talentos. E todos os alunos têm imensos talentos.
Os maus tratos emocionais, humilhações e pura maldade, não podem ser tolerados em sala de aula. Sabem qual o maior sonho de uma criança pequena quando chega à escola, ao primeiro ciclo, pela primeira vez?
O sonho de estar a entrar no maior palco de aprendizagem, no maior palco de vida, no maior e mais encantador palco que sonhou dias e noites, em que a personagem principal era ela. Ela e a sua aprendizagem. E ao fim de uns dias, de uma semana, de um mês, nesse palco afinal, a personagem principal é o professor e o seu ensino, e nem um simples papel secundário deixou para os seus alunos pudessem brilhar. Se não estivermos bem, como podemos nós transmitir bem-estar e OTIMISMO àqueles que nos rodeiam, como podemos transmitir uma mensagem positiva da vida para que as crianças acreditem que é bom crescer? Só podemos dar aquilo que temos, que somos. E ser uma pessoa OTIMISTA é o primeiro passo para transformar a sala de aula num imenso palco de vida em que não se está preocupado com o amanhã (entenda-se consumir o currículo) mas antes preocupado em fazer brilhar todos e cada um dos nosso alunos (entenda-se construir o currículo), encantando-os. Como no filme ‘O clube dos poetas mortos’, aproveitem o dia, como se não houvesse amanhã. Carpe diem.

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