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“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” TALENTO

Histórias de vida quem não as tem...

“10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte.” TALENTO

Escreve quem sabe

2021-03-23 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilho neste espaço, durante 10 meses. Nos meses anteriores, SERENDIPIDADE, ESPANTO, OTIMISMO, RESILIÊNCIA, HUMOR, LIDERANÇA. Hoje: TALENTO.
TALENTO. A palavra tem origem no Cristianismo e é uma referência à Parábola dos Talentos. Na parábola, um homem entrega a três servos, respetivamente, cinco talentos, dois talentos e um talento; os dois primeiros investiram o dinheiro e dobraram o capital, porém o terceiro enterrou o talento e devolveu-o ao seu senhor. Os dois primeiros recebem elogios, mas o terceiro é punido. E esta parábola faz lembrar a nossa sala de aula. Quantas vezes na sala de aula os nossos alunos enterram os seus talentos? E com a nossa ajuda! A palavra investimento, em educação, é subvalorizada, e assim os nossos alunos vão enterrando os cinco, os dois, ou o apenas um talento, e não os fazem render. Porque nós, professores, assim os levamos a fazer. Quando nos esquecemos de ser catalisadores. Pior ainda: quando somos catalisadores que em vez de ajudar a render, ajudamos a enterrar. “Se a professora soubesse como passei a detestar matemática por causa dela! Era a minha disciplina preferida!”. Mas também sei o quanto seremos capazes de levar os alunos a fazer render os seus talentos. “O que me faz gostar de uma disciplina é o professor: um professor compreensivo, que deixa os alunos pensar pela cabeça deles.” O primeiro passo da nossa responsabilidade é o de manter a mente aberta para reconhecer os talentos, o segundo, para os aceitar, e o terceiro, para os ajudar a pôr a render. Reconhecer, porque eles existem! Aceitar, porque acreditamos! Levar a aprender, porque queremos! Reconhecer. Acreditar. Querer! Três pequenas palavras, três pequenas ações... E porque “as sementes germinam numa mente adubada” cabe a todos (do sistema educativo tão esquecido aos professores tão desistentes) criar as possibilidades para que os talentos dos nossos alunos rendam... o dobro, o triplo, não interessa o quanto, renderão até onde só eles conseguem chegar. Já em 1986, a Professora Eunice Alencar (reconhecida internacionalmente grande especialista nesta área), do Brasil, na primeira edição do seu livro “Psicologia e educação do superdotado”, chamava a atenção para a importância do desenvolvimento dos talentos e para a implementação de programas educacionais específicos para estes alunos. Dizia ela: “... o futuro de qualquer nação depende da qualidade e competência de seus profissionais, da extensão em que a excelência for cultivada e do grau em que condições favoráveis ao desenvolvimento do talento, (...), estiverem presentes desde os primeiros anos da infância”. (...) “O fato de que uma boa educação para todos não significa uma educação idêntica para todos tem levado a um interesse crescente pelos alunos mais competentes e capazes, a par de uma consciência de que um sistema educacional voltado apenas para o estudante médio e abaixo da média pode significar o não-reconhecimento e estímulo do talento e, consequentemente, o seu não-aproveitamento”. Hoje, quer a escola, quer a família, quer a sociedade têm esta responsabilidade: no reconhecimento, no estímulo, no aproveitamento dos talentos humanos e/ou dos seus potenciais nas diversas áreas do saber humano, identificando e potencializando ao máximo. Temos de desenvolver melhores respostas nocontexto escolar e familiar, indo de encontro às necessidades afetivas e cognitivas específicas decorrentes dos seus talentos, fomentando mais pesquisas na área e essencialmente no desenvolvimento de políticas públicas nacionais que favoreçam o reconhecimento, o estímulo e o aproveitamento dos nossos potenciais/talentos humanos. Queremos uma nação de gente que brilha. E para isso a escola tem que ser o primeiro local onde todos e cada um desenvolvem e ampliam o seu brilho. Porque os professores não têm medo do brilho dos seus alunos. Porque sabem que quanto mais brilharem os seus alunos, mais brilham também. Só assim conseguirão olhar para os seus alunos, ajudando-os na descoberta dos seus talentos e na certeza porém que, qualquer aluno, seja ele como for, tem o seu talento. E talento não é capacidade, é competência. O talento a render, valorizado, investido, elogiado.... brilhando!

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