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10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte

Histórias de vida quem não as tem...

10 palavras no caminho? Apanho todas. Um dia construo uma ponte

Escreve quem sabe

2020-09-08 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

“Voltaremos à escola…. Finalmente... O verão parece não ter fim.” Esta a expressão que tanto pode ser feita por professores, por pais, mas, especialmente, por alunos... Está quase! - diríamos. Se há espaços geográficos que contrariam a expressão de Chris Peterson que tanto gosto de reler “Os lugares mais felizes na terra não são os internos. Não são os geográficos. São os espaços entre nós.”, a escola como espaço toma hoje um sentido geográfico tão importante! Porque nos foi retirado, nos foi interdito, porque o sentimos insubstituível... que bom! Por vezes a ausência ajuda a perceber o quão importante é. E assim, não sendo o espaço geográfico – a escola - o lugar mais feliz na terra, porque o vamos voltar a ter, podemos dedicar-nos ao espaço entre nós. Ohh... pois. Mas também este espaço entre nós vai ser distante – a distância de segurança que o confinamento exige. Não... não! Não estamos a falar deste espaço entre nós. Estamos a falar do lugar mais feliz na terra: o espaço entre nós. O espaço da generosidade, da equidade, da aceitação, da celebração – aquele espaço que, na escola, nos coloca em relação com os alunos.

O espaço entre o professor e o aluno. Quis o acaso (ou algo parecido com ele) que tropeçasse há uns anos numa palavra que apanhei – tal como se apanham as pedras pelo caminho para construir um castelo – que de vez em quando recordo convosco. SERENDIPIDADE: acasos felizes que levam a descobertas inesperadas. Considerada uma das muitas técnicas de desenvolvimento do potencial criativo que alia perseverança, inteligência e senso de observação, muito comummente apelidada de insight, a serendipidade não pode ser assumida, erradamente, como sinónimo de um “acidente feliz”, tal como Ferguson nos alerta. As descobertas inesperadas necessitam de uma mente adubada, como também dizia Louis Pasteur. Um dos mais referenciados exemplos de serendipidade é o de Arquimedes (287-212 a.C.), um grande matemático e inventor grego, que ao tomar banho imerso numa banheira, teve o que hoje chamamos de insight e, repentinamente, encontrou a solução para um problema que o atormentava há muito. Seria a coroa do rei de Siracusa realmente de ouro? Dizem que Arquimedes teria saído à rua nu a gritar: Eureka! Eureka! (Encontrei!). Tinha descoberto um dos princípios fundamentais da hidrostática, hoje conhecido como o "Princípio de Arquimedes".

Mas em todos os exemplos de inovações que a história reconhece e presente neste exemplo de Arquimedes também, há uma característica importante a realçar: foram feitas por indivíduos capazes de “ver pontes onde outros viam buracos”. E é precisamente esta a característica que é necessário aliar à Serendipidade – ver pontes e não buracos. Assim, como iremos nós iniciar este ano letivo? Vamos ver pontes ou buracos? O que faremos do espaço entre nós? O espaço entre nós, o espaço entre o professor e o aluno é um buraco? Ou uma ponte? Vai ser uma ponte com certeza.... E ao atravessá-la estaremos, diariamente, a promover esta característica nos nossos alunos: que vejam sempre pontes onde outros veem buracos. Adubamos assim as suas mentes para que tenham muitos momentos serendipidosos, muitos momentos de insight, muitos momentos de aprendizagem, de inovação, de criatividade. Porque, por acaso, somos os seus professores, porque, por acaso, são nossos alunos. E se queremos, por acaso, que as suas mentes brilhem, que as suas habilidades naturais se transformem em talentos, temos que acima de tudo acreditar. Acreditar que uma mente aberta não vê buracos, vê pontes. Serendipidade, Espanto, Otimismo, Resiliência, Humor, Liderança, Talento, Conhecimento, Excelência e Felicidade. As 10 palavras desta caminhada que partilharei neste espaço, durante 10 meses. Palavras em que fui tropeçando, que fui apanhando, construindo, não um castelo, fechado e imponente, mas uma ponte, aberta e simples. E será esta ponte o espaço entre nós, o espaço da generosidade, da equidade, da aceitação, da celebração – aquele espaço que, na escola, nos coloca em relação com os alunos. Por acaso...!

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