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Ideias

2022-03-31 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Uns anos atrás, na iminência da eleição de Hollande, o Governo Sombra reuniu e difundiu de Paris. Celebravam um regresso iminente da esquerda e efeito benfazejo em quadrantes europeus. Hollande ganhou e arruinou o PS francês, que talvez se extinga, agora, na sequência do descalabro de Anne Hidalgo.
Sobre o afundamento do PS e sobre as fissuras da UMP, renomeada Les Republicans, cresceu o En Marche de Emanuel Macron. Ganhou de 2017 com confortável maioria, e o mais certo é que ganhe de novo, que treme o grosso do eleitorado à aproximação dos bordos. Neste espectro, há cinco anos, havia duas escolhas, hoje há três. Havia a força de Le Pen e a de Mélenchon, hoje brada Zemmour, de quem não faço a apologia. Sigo a história, unicamente.
O discurso de Zemmour cativa um eleitorado conservador e concita reacções eriçadas de adversários.
No domingo teve um comício apoteótico em Paris.
Ao torno de cem mil participantes. Menos fossem, mas ninguém avançou com cálculo em baixa.
A dado passo, escande-se «Macron Assassin». Zemmour silencia-se ante o clamor. Onze segundos de insensatez, até que levanta os braços, retomando a alocução. O que é que se comentou no próprio dia, nos seguintes? O todo? A massividade da adesão? Não, apenas os onze segundos de passividade, reveladores da sua falta de estofo para o cargo.
Comenta Zemmour que não ouvia o que do fundo do Trocadero se dizia. Comenta Macron que as próteses auditivas são gratuitas em França.
Incito o leitor a convir que o orador tenha som de palco e não som de plateia, a convir que qualquer reacção que se desencadeia na multidão é necessariamente confusa, até que se faça o uníssono. Passarão uns segundos até que o líder atinja o que se grita, alguns mais até que confirme que bem ouve o que é dito, até que corte o embalo espontâneo.
Concluo com o que me parece evidente: envenenar homeopaticamente um discurso por 11 segundos de reação da plateia é faltar à verdade, releva de manipulação claríssima. Mas tudo serve para criticar quem diabolizamos.
A Democracia não agradece.

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