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1972, annus uberrimus

Os amigos de Mariana (1ª parte)

1972, annus uberrimus

Escreve quem sabe

2022-06-25 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

1972 foi um ano bissexto. Coincidiu, por isso, com os jogos olímpicos de Verão realizados em Munique, que ficaram tristemente célebres pelo sequestro e morte de onze membros da equipa israelita e de um polícia alemão na vila olímpica perpetrado pela organização terrorista palestiniana Setembro Negro.
Apesar de ir sempre ser lembrado por esse trágico acontecimento, ele foi também um ano de viragem no plano da tomada de consciência dos problemas ambientais, que se foi progressivamente tornando mais global.

A esse respeito, logo em janeiro do mesmo, a revista britânica The Ecologist publicou um número especial (que mais tarde adquiriu a forma de livro) contendo o texto A Blueprint for Survival, assinado por dezenas de influentes cientistas, a alertar para a magnitude dos problemas ambientais existentes e para a consequente urgência de uma reestruturação radical da sociedade para evitar o colapso irreversível dos sistemas vitais do planeta.
Meses mais tarde, a 5 de junho, realizou-se em Estocolmo a “United Nations Conference on the Human Environment”, considerada a primeira dedicada ao assunto, ponto de partida para uma nova era na cooperação global sobre problemas ambientais e que abriu caminho para o conceito de desenvolvimento sustentável.

Pouco depois, a economista baronesa Jackson of Lodsworth, Barbara Ward e o microbiólogo René Dubos deram à estampa o influente livro Only One Earth: The Care and Maintenance of a Small Planet, assumido como o relatório não oficial dessa Conferência de Estocolmo.
Igualmente por essa altura, o grupo de cientistas sociais e ambientais Donella Meadows, Dennis Meadows, Jørgen Randers e Behrens William III publicou o muito debatido relatório para o Clube de Roma Limits to Growth, no qual a questão dos limites planetários começou a colocar-se.

Em agosto desse ano, o cientista britânico James Lovelock, agora com 102 anos, formulou no curto artigo “Gaia as seen through the atmosphere” a controversa "hipótese Gaia" sobre o envolvimento geológico da vida que, em termos gerais, postula que a Terra e os seus sistemas biológicos se comportam como uma singular entidade que controla e mantém as condições do planeta favoráveis à vida.
James Meeker, um biólogo interessado pela literatura, publicou The Comedy of Survival: Studies in Literary Ecology, onde lançou as bases desse campo de investigação, a “a ecologia literária” ou estudo das relações entre as artes literárias e a ecologia científica, ensaio que se revelará seminal da Ecocrítica.

A 7 de dezembro de 1972, a tripulação da missão Apollo 17 da NASA obteve, a 45 mil quilómetros da Terra e a caminho da Lua, a icónica imagem “The Blue Marble” que, para além de ser um dos grandes marcos da fotografia tirada do espaço, alterou profundamente a nossa perceção sobre a Terra, desde então parecendo um lugar pequeno e frágil, e a nossa experiência comum de viver nela.
Passados cinquenta anos, podemos perguntar: que aconteceu, entretanto? Continuamos a ter uma só Terra, mas como estamos a cuidar dela? E que existência nos é permitido levar nela?
Estas são as questões que investigadores e académico, das Geociências e das Ciências Sociais, das Humanidades e das Artes, das Engenharias e das Tecnologias irão explorar e discutir, numa perspetiva interdisciplinar, no Green Marble 2022-Encontro Internacional de Estudos do Antropoceno e Ecocrítica, entre os dias 30 de junho e 2 de julho, na Universidade Fernando Pessoa, Porto.
Essas são também as duas questões definidoras do nosso tempo!

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