Correio do Minho

Braga, segunda-feira

2016

O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2016-12-27 às 06h00

Hugo Soares

Este será a última vez que lhe escrevo este ano. Um ano vivido em emoções. Um ano carrossel para um povo que viu partir alguns dos seus melhores (Lobo Antunes, Almeida Santos, Barbosa de Melo, Miguel Veiga, ou Nicolau Breyner ou Camilo de Oliveira) e se regozijou com a conquista inaudita do europeu de futebol em França, contra a França. Um povo que quer sempre mais, mas tem a sina de lhe darem menos.
2016 foi, do ponto de vista político, um ano, diria, de confirmações.

António Costa confirmou que só tem um propósito: sobreviver politicamente. O País já percebeu que este é um Primeiro-Ministro sem horizonte, antes procura colocar na sua sobrevivência o alfa e ómega da governação. Todas as decisões têm uma lógica imediata e eleitoralista. Todas as não decisões (ainda que delas o país precisasse) têm por base o não incomodar grupos de interesse ou nichos eleitorais. O paradigma deste estilo inconfundível de quem sobrevive e não governa foi a recente afirmação de António Costa, num dos raros momentos em que deixou que a emoção lhe toldasse a frieza da encenação, em que defendeu que nunca teria dito que “não” a Ricardo Salgado. Costa sobrevive. E nós, em 2016, também.

A geringonça confirmou a sua solidez. Como plataforma de sustentação governativa, PCP, BE e PS entendem-se na perfeição. PCP e BE berram para enganar o “ Zé Pagode”. PS ri-se de socapa. E, atrás das cortinas, no palco onde os três geringonçam, entendem-se na perfeição e combinam futuras falsas desavenças. A Troika da governação tem cumplicidade.

Estão oleados e são corresponsáveis por todas as decisões. De resto, um dos motores da geringonça, o Secretário de Estado Pedro Nuno Santos, já afirmou publicamente que tem mais afinidade com a extrema esquerda (BE e PCP) do que com o PSD. Quo vadis, PS? No entanto, governar não é geringonçar. E enquanto os três partidos brincam aos entendimentos, o País pára. Sobrevive. Entretido com a nova solução governativa que parece tão caricata e tão moderna. Mas parou.

Marcelo Rebelo de Sousa confirmou a sua condição de número 1. Número 1 na hierarquia (efetiva) do Estado. Número 1 da popularidade. Número 1 dos afetos. Número 1 do comentário político e da política. Número 1 das selfies. Sem par. Marcelo é o Presidente que o povo sempre quis. E há-de ser, enquanto quiser ser.
Assunção Cristas confirmou que o CDS mudou de estilo. Hoje é mais light na política e mais soft nos argumentos. Mais cool nas ideias e mais fashion na intervenção.

Pedro Passos Coelho confirmou que não muda. Não muda porque veio para a oposição. Não muda porque não altera convicções em razão de sondagens. Passos Coelho demonstrou em 2016 que ser líder da oposição não é sinónimo de ser vendedor da banha da cobra. Ficou a confirmação para todos portugueses que Pedro Passos Coelho é um estadista. No poder ou na oposição. Em primeiro lugar está Portugal.

Permita-me, leitor, antes de lhe desejar o melhor para 2017, que olhe os protagonistas locais.
Se Ricardo Rio confirmou que é do melhor que o País tem como autarca, o PS confirmou que se eclipsou. O PCP ora se ri do PS ora procura liderar a oposição; e não é que tem conseguido?
Agora sim: desejo a todos os leitores do Correio do Minho um ano de 2017 que corresponda aos anseios de cada um.

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