Correio do Minho

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2017 o fim do princípio de um ciclo

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Ideias

2016-12-27 às 06h00

João Marques João Marques

Estive, desde o início, nas batalhas internas e, logo depois, nas externas, ao lado de Ricardo Rio, acreditando nas suas qualidades humanas, políticas e técnicas. Sabia, tanto quanto qualquer um de nós pode saber em matérias de fé, o que aí vinha caso pudéssemos (todos nós, bracarenses) contar com alguém que soubesse olhar para Braga de forma abrangente. Alguém a quem não custasse girar o pescoço e ver todo um mundo de oportunidades que nem sempre está à nossa frente. Um mundo que reclama proatividade e exige a humildade bastante para reconhecer que a máxima de Luís XIV (“O Estado sou eu”, entre nós, “Braga sou eu”) não se enquadra bem no contexto de uma democracia liberal moderna.

Foi um caminho longo e árduo o que permitiu que a nossa esperança se transformasse em realidade. Hoje, Braga e os bracarenses perceberam bem a diferença entre o que esteve e o que está e julgo, mantendo-me no domínio da fé, que verão com bons olhos tudo aquilo que já foi mudado, sem prescindirem de reclamar o muito que há por fazer e as correções que se impõem a tudo quanto não tenha corrido tão bem. Felizmente, há neste executivo o bom senso de ouvir, aceitar e agir de acordo com as críticas que são feitas, sempre que nelas haja o intuito de melhorar a vida de todos nós.

Faço este introito não para bajular a edilidade, mas para reconhecer que, agora que o último ano do seu mandato começa, todos nós, que apoiamos aqueles que lideram os destinos do concelho e sobretudo as ideias e políticas com que se apresentaram a votos, crescemos num conceito ideal do exercício do poder. Não é difícil perceber que partidos e pessoas que estiveram décadas na oposição tiveram de se habituar e aperfeiçoar um tipo de discurso, uma ação política e um conjunto de conteúdos e posturas que serviram dois propósitos claros: pôr a nu as insuficiências daqueles que nos governavam e, por outro lado, mostrar e demonstrar aos cidadãos de Braga que a mudança tinha um rosto e tinha ideias pelas quais valia a pena arriscar. Ainda que achassem que era bom viver em Braga, nós garantíamos que podia ser muito melhor.

A confiança dos bracarenses deu-nos o sucesso da vitória eleitoral que tanto e a tantos custou. Tivemos a oportunidade de pegar nos destinos do concelho e começar a moldá-los de acordo com a nossa ideia do que é melhor para Braga. E com essa nova responsabilidade surgiu a necessidade de reafinar o discurso, perceber o novo papel que nos havia sido dado pelos bracarenses e concretizar todos os planos que havíamos prometido.

Fazer essa transformação, da oposição para o exercício do poder, não é fácil nem linear. O desafio será mesmo esse, mas julgo que entre o deve e o haver, terminamos o início desse ciclo com a clara sensação de dever (quase integralmente) cumprido. Ser fiel à palavra dos manifestos eleitorais não tem sido, ao contrário do que vem quase incontroverso nos manuais de política para iniciados, nenhum pesadelo.

2017 é, por isso, um ano de grande relevância para o futuro que este executivo tem a dar a Braga. É certo que o horizonte de governação que Ricardo Rio sempre defendeu para os seus projetos ultrapassava a exiguidade de um mandato de quatro anos, mas agora é tempo de renovar esse compromisso já com a cultura do poder, com o “saber de experiência feito”. O que se espera do futuro programa eleitoral de Ricardo Rio já não é apenas um jovial anúncio de tudo o que de novo e diferente se pode fazer pela cidade, mas já a consolidação dos projetos presentes sem esquecer as oportunidades de futuro. O que se espera não é um manifesto de intenções, mas um ”contrato social” densificado nessa experiência, e, ainda assim, aberto, ao mesmo tempo, à genuinidade da comunidade e à ingenuidade da juventude.

Se estou certo que o desafio de um programa intergeracional e interaspiracional está ao alcance de quem lidera os destinos de Braga, estou mais cético quanto à capacidade da oposição se reinventar, ou melhor, recentrar naquele que é o seu novo papel. Estou a descontar o PCP que, neste âmbito, se mantém onde sempre esteve, pelo que, sem desprimor pela combatividade do seu vereador, não o posso colocar no mesmo nível de evolução de quem começa ou termina ciclos de poder e oposição.

O PS Braga teve e tem uma missão que não deve ser menorizada. Quase quatro décadas de poder, com um líder quase ininterrupto e incontestado internamente, deixam não só marcas de obras feitas e legados visíveis, como nódoas negras por tudo o que não foi feito ou foi mal feito e não pode ser pura e simplesmente repudiado do dia para noite. Descontando essa dificuldade, o que temos visto, porém, não augura nada de bom. Desde as lutas internas às mudanças acidentais ou incidentais de protagonistas, tudo parece, ao observador externo, resumido à manutenção do poder e ao controlo dos polos locais de onde ele brota.

Ao invés de uma verdadeira busca pelo projeto de presente e futuro que a alternativa em Braga deveria merecer, o que vemos são críticas de circunstância, uma tentativa de dinamizar uma política de casos e não, como era devido, uma política de causas. E isto não empobrece apenas a oposição, empobrece todo o espaço político no concelho e tem de ser motivo de preocupação.

Os ciclos são, por definição, temporários, exigindo a quem neles toma parte a lucidez de preparar esse final e perspetivar as ideias, os projetos e também os protagonistas que os hão-de substituir. Oxalá todos saibam estar à altura deste reciclar!

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