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2023...

O símbolo internacional (quase universal) do amor

2023...

Escreve quem sabe

2023-01-09 às 06h00

Filipe Fontes Filipe Fontes

“Ano novo, vida nova”, reza assim o ditado popular repetido e prometido ciclicamente perante a passagem de 365 dias. Oportunidade de renovadas e inventivas promessas, de exigentes e duros diagnósticos para motivar e protagonizar excelsas intenções de tudo mudar e melhorar, quase como o dobrar de uma meia-noite fosse passo de magia disponível “ao virar da esquina”. Na verdade, trata-se apenas do tempo a seguir a sua viagem programada e expectável, nada trazendo de novidade ou contexto de mudança, somente pretexto para festejar e oportunidade, que merecidamente deverá ser aproveitada, para pensarmos o caminho que queremos trilhar e , assim, contribuir para o seu melhor percurso, nada mais. E, se assim for, muito será!

2023 promete renovar temas sempre presentes ao longo de 2022. Habitação e indignidade habitacional, mobilidade e ciclovia e ferrovia, alterações climáticas, cheias e drenagem da água, paisagem e gestão do solo rústico, ordenamento do território e classificação do solo, governação e descentralização, demografia, migração e desertificação do “interior” serão componentes inevitáveis e protagonistas de todos aqueles que gerem e actuam sobre o território. Uns porque, sendo demasiado importantes, são, por natureza, omnipresentes. Outros porque pouco ou nada foi feito até ao presente e urge inverter a situação. Outros porque emergem ciclicamente como de efeitos devastadores, numa exposição franca e dura da eterna dicotomia conjuntural e estrutural (tão clara no pensamento e discurso, tão opaca e confusa na operacionalização e prática). Ainda outros porque são considerados prioritários e indispensáveis para melhor desenvolver outros temas e componentes.

Ou seja, há “temas e assuntos” para tudo e para todos. Assim, haja talento, vontade, capacidade e energia para melhos os atender, responder e superar, tratando bem e qualificadamente o que interesse a todos nós enquanto indivíduos e comunidade.
Suspeita-se que a habitação, seja a indignidade habitacional, seja a dita “habitação acessível”, seja o alojamento universitário | estudantil ou turístico, seja a morada temporária e urgente, será tema central e polarizador. Urge responder aos múltiplos cenários de dificuldade que se depara, importa (bem) dispender e aplicar o farto veículo financeiro disponível.

O diagnóstico da indignidade habitacional está feito, sabendo-se que ainda persistem inúmeras situações de sobrelotação, falta de acessibilidade física, parca qualidade térmica ou condições de salubridade reduzidas para lá do admissível. O levantamento dessas situações apresenta-se anunciado e já quantificado e tipificado. Os necessários projectos (supostamente e alguns) estão já em curso, em menor quantidade, revela-se a concretização em obra.
Deseja-se que tudo se materialize conforme publicitado e que não se caia na tentação de acabar (sempre) na mesma solução facilitada e mais fácil: construir em catadupa e de supetão.
Perante este enorme desafio, reconhece-se que o mesmo é imenso, porventura, tão imenso que temos dificuldade em conhecer os seus limites físicos e temporais, e perante a baixa velocidade de execução (em contraponto às grandes dificuldades demonstradas) teme-se que “o tempo vá passando”, pressionando, cada vez mais, o projecto e a obra, quem decide e faz, num processo (mostra-nos a experiência) que tenderá a forçar a visibilização de resultados e a acantonar aqueles que decidem e gerem a recorrer às soluções mais imediatas, visíveis e impactantes: construir “novo”, rapidamente e de forma concentrada, aumentando a expressão do impacto visual, satisfazendo as necessidades de forma menos (ainda) demorada possível, exponenciando a abrangência e quantidade da resposta.

Julga-se que a tentação será muita, soluções diversas, apelativas, necessárias e alternativas, poderão ser “abandonadas” em função do tempo de resposta física e temporal e da satisfação do veículo financeiro. Reabilitar, disseminar a resposta habitacional pelo território, não gerando desenraizamento ou perda de afectividade da população com o território, renntabilizar o parque imobiliário disponível são soluções possíveis, assertivas e qualificadas se atendidas e praticadas atempadamente. Demoradas e problemáticas se a resposta a dar tiver de ser “de um dia para o outro”.
O ministério da habitação agora criado é um sinal prometedor da valorização e centralização do tema da habitação. E indício que se deseja ir além da tergiversação para, depois, escapar à inevitabilidade.
Neste início do ano, este é um bom sinal e uma promessa que não permite ao gestor político esconder-se e adiar-se. Ou repetir-se na decisão e opção…

Paralela e completarmente, espera-se que 2023 seja ano visibilizador de um passo de gigante na resposta ao alojamento universitário | estudantil, materializando-se (ou iniciando-se fisicamente) a construção de múltiplas unidades de alojamento direccionadas para este público alvo.
Na verdade, há muito que urge resposta capaz e robusta a um problema que se repete e agrava (na ausência de soluções) ano após ano.
Também aqui, nada de novo sobre análise, diagnóstico e caminho a seguir. Realidade conhecida, opção tomada, veículo financeiro disponível… importando agora dar o passo mais significativo e concreto: a obra e a disponibilização do alojamento.

Em tudo isto se reconhece existir muito trabalho realizado, muito esforço dispendido. Trabalho e esforço inevitável e necessário. Mas não o suficiente. E, na verdade, por muito que se corra, bem e rapidamente, só se ganha a corrida se se ultrapassar a meta. E de que vale a pena ser o primeiro durante a corrida se a meta nunca é superada?
Neste e noutros domínios e temas… que 2023 seja momento feliz e percursor, sinal de que se fez (bom) caminho. O momento é difícil e o mundo apresenta-se conturbado. O que mais ainda nos obriga a cumprir o nosso dever, a perseguir o nosso direito: cuidar de nós, cuidar do mundo, tudo fazer para que tudo seja melhor, seja de que tamanho for!

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