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5 de Outubro... do outro lado da Europa

“Com certeza que não”

5 de Outubro... do outro lado da Europa

Ideias

2019-10-05 às 06h00

Pedro Madeira Froufe Pedro Madeira Froufe

5de Outubro de 1910. Implantação da República. 5 de Outubro de 2019. Celebração da efeméride (implantação da República) e véspera de eleições legislativas. Um feriado nacional, coincidente com o (ainda existente e talvez já anacrónico) “dia de reflexão”.
Ora, neste 5 de Outubro, o que proponho é precisamente uma breve reflexão, socorrendo-me de um texto extraído de uma obra de Bernard Spitz, recém-editada pela Grasset e intitulada “Merci, l’ Europe! – Riposte aux sept mensonges populistes” (“Obrigado à Europa! - Resposta às 7 mentiras populistas”). A tradução é relativamente livre.

“Prólego imaginário (extraído de um hipotético manual de história económica, publicado em 2026. Obra destinada a alunos em fase final do “secundário”):
A União Europeia era uma associação política e económica de Estados que delegaram o exercício de certas competências em órgãos supranacionais/comunitários.
Estendia-se por cerca de 4,5 milhões de quilómetros quadrados e tinha mais de 500 milhões de habitantes. Era a primeira potência comercial mundial. Sem terem consciência da sua qualidade de vida, suportada por um projeto político que tinha mais de 60 anos de existência e que tinha garantido a paz, a democracia, segurança social e um mínimo de igualdade de oportunidades, os Europeus deixaram-se iludir pelos seus velhos demónios. A sua negligência permitiu o ressurgimento dos nacionalismos, a mediocridade dos executivos da União e dos políticos europeus, a burocratização asfixiante da Comissão Europeia.

No século XX um secretário de estado norte-americano, Henry Kissinger, tinha brincado, formulando jocosamente a seguinte questão: «A Europa? A quem é que devo telefonar?!». No século XXI já ninguém colocou sequer (mesmo em jeito de brincadeira) a questão! (…) Desequilibrada economicamente, a Europa alargou também a dinâmica de integração muito depressa e sem consultar os povos de muitos países que diluíram o projeto europeu: 28 Estados membros por contraposição aos 6 Estados iniciais. (…) Por todo o lado, governos frágeis foram destabilizados por partidos populistas de contestação. (…) A explosão da zona Euro foi a consequência lógica desta degradação (da vida política, do pensamento irrefletido das pessoas, cidadãos – eleitores, de correntes pós-modernistas, relativistas, hedonistas e anti solidárias… acrescentamos nós) e levou á saída da União de vários países do Sul da Europa. (…) Podemos dizer que um ciclo terminou e que a União Europeia, como todas as grandes civilizações, afinal mortal!”

Ora, agora que acabou a campanha eleitoral para as “nossas legislativas”, pergunto-me: que candidatos é que trouxeram o debate fulcral sobre a Europa e o futuro da integração para cima da mesa?!
E, contudo, a Europa não só existe como é o nosso líquido amitótico, garantístico da democracia e do Estado de Direito. Um suporte e um ecossistema que garante, mais ou menos intensa e eficazmente, a subsistência do nosso modo de vida e da nossa sensibilidade (política e social). Defesa do ambiente, proteção dos consumidores, estado de direito (“União de Direito”) e a aceitação de um mínimo de cultura de solidariedade social e de desenvolvimento integrados, são, em grande medida, resultado (potenciado) da integração.
E, contudo, temos umas eleições que passaram ao lado da Europa!

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