Correio do Minho

Braga, terça-feira

90 Anos a Educar

Repensar a Lógica do Livro de Instruções

Ideias Políticas

2013-05-28 às 06h00

Francisco Mota

O Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português - completou ontem 90 anos de existência ao serviço da juventude portuguesa. O movimento escutista começa a dar os primeiros passos no ano de 1923, aqui mesmo, na nossa cidade de Braga. D. Manuel Vieira de Matos, o então Arcebispo de Braga, e o Dr. Avelino Gonçalves, inspirados pelo que tinham assistido em Roma, no congresso eucarístico, onde testemunharam um enorme desfile de escutas, decidiram implementar o movimento em Portugal.

Reunidos em pleno coração da cidade dos arcebispos, no edifício da actual Associação Comercial de Braga, conjuntamente com mais 11 figuras da sociedade bracarense, fundaram o Corpo de Scouts Católicos Portugueses, mais tarde designado por Corpo Nacional de Escutas - Escutismo Católico Português.

Muito mais que uma resenha histórica, o movimento escutista merece o reconhecimento e valorização de todo o seu plano educativo, bem como a definição do seu papel no futuro de Braga enquanto agente não formal de educação dos nossos jovens.

O Escutismo assumiu, e assume-se (ainda hoje) , como uma escola de formação com valores e espírito de missão. Com valores porque incute nos mais novos a nobreza e a humildade de todos os seus actos, na valorização do trabalho em patrulha e equipa, salvaguardando sempre o sucesso e a felicidade do grupo como objectivo final, mas nunca deixando para trás o reconhecimento e progresso de cada um individualmente.

A camaradagem, o respeito e a responsabilidade fazem da instituição um diferencial na sociedade contemporânea, elevando todos os dias os valores da Humanidade. É ainda uma escola de missão, pelo facto de, ao longo da sua história, se saber encontrar em cada momento, demonstrando, assim, uma forte maturidade. Exemplo disso foi o aparecimento das metodologias educativas das quatro secções, reconhecendo que era importante um plano educativo de acordo com a faixa etária dos jovens envolvidos. O espírito é reforçado pelo regime de voluntariado dos seus educadores (chefes), bem como pelo serviço desprendido e desinteressado que cada agrupamento presta na sua comunidade.

Braga deve olhar para o movimento escutista como uma oportunidade no plano de afirmação de cidade educadora. Traçar metas na educação não formal no município é premente do ponto de vista estratégico, para que possamos preparar de uma forma distinta os jovens do nosso concelho, dando-lhes as melhores oportunidade e condições para o seu progresso Humano e Social.
Acredito que Braga terá que discutir urgentemente este modelo educativo, e que o escutismo deve assumir-se não só como um exemplo, mas também como um parceiro de primeira hora do governo municipal.

O nosso concelho tem todas as condições de, fisicamente, receber um empreendimento dedicado à educação não formal. Um local que contemple um espaço de campismo, áreas de formação, contacto com a natureza, bungalows, centro de actividades educativas, entre outros equipamentos, que permitam que esta aposta se projecte no contexto nacional e europeu, tornando-se assim uma referência do voluntariado e do modelo educativo além-fronteiras.

Com noventa anos de história e experiência o movimento escutista seria o parceiro mais do que evidente para a concepção e gestão de um espaço desta natureza, e Braga faria assim a homenagem merecida e condigna a esta escola para a vida dos jovens.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias Políticas

25 Setembro 2018

Confiança máxima

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.