Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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A arma que disparava flores

A Árvore da Vida

Conta o Leitor

2022-08-31 às 06h00

Escritor Escritor

Texto Mariana Azevedo Gomes

Estávamos no início de dezembro e o inverno aproximava-se rapidamente. Mais de metade da população tinha abandonado a sua habitação e os que restavam confrontavam-se com casas semidestruídas depois de mais de dois anos de um intenso conflito armado entre dois países.
Os invernos nessa região são agrestes, com temperaturas que atingem valores negativos durante meses.
As cidades apresentavam um cenário desolador: ruas esburacadas devido ao transporte permanente de material militar e às bombas que constantemente caíam; casas com plásticos a substituir as janelas, várias tábuas velhas a improvisar portas, e junto às casas, marcas de cinza bem visíveis, pois eram muitos os moradores que cozinhavam em lareiras improvisadas, ao ar livre, devido à falta de combustível!
Algumas das máquinas de guerra eram grandes e potentes, com capacidade para alcançar alvos bem distantes e de forma destrutiva e os resultados dessas intervenções militares estavam bem visíveis aos olhos de todos…
No meio deste cenário horrível, surgiu finalmente a notícia de um acordo de paz entre os beligerantes, situação que trouxe alívio à heroica população resistente!
As empresas de produção de material militar foram confrontadas com um novo cenário e a inutilidade de continuarem a construir material de guerra. Neste contexto, uma empresa de equipamento militar resolveu transformar as suas poderosas máquinas de guerra em algo que fosse útil para a população, a quem até então tinham trazido um sofrimento horrível.
Foi essa empresa, que trabalhava para o exército americano, que decidiu transformar um dos seus mais pesados tanques, o “M1 Abrams”, um tanque de guerra de terceira geração, de alta mobilidade, blindado e muito bem armado, em armas de construção, em vez de destruição.
Em apenas três semanas, já decorria o mês de dezembro, as populações das cidades destruídas puderam assistir à intervenção desses tanques pesados, a disparar contra as habitações, agora não para as destruir, mas para as construir.
Os primeiros disparos destas máquinas, efetuados contra as casas em ruínas, levavam cimento, de secagem rápida, que em poucos minutos recuperavam toda a destruição provocada nas habitações. Umas horas depois dessa intervenção, surgiam outros “M1 Abrams”, que disparavam placas de vidro que rapidamente eram transformadas em resistentes portas e janelas das habitações. Por fim, intervinham outros “M1 Abrams”, que disparavam agora litros de tinta que coloriam as habitações, ao gosto dos seus habitantes.
Em apenas dois dias, as habitações, antes destruídas pela guerra violenta, eram transformadas em habitações modernas, que traziam rapidamente conforto a uma população devastada pela guerra.
Agora, os tanques que passavam pelas ruas eram de construção e não de destruição.
No final da recuperação das casas, alguns moradores resolveram oferecer flores aos militares que agora efetuavam uma missão de paz. Foi então que um desses militares teve a ideia de colocar muitas flores no seu tanque e, ao início das ruas, pedia aos moradores que abrissem uma janela, começando a disparar contra as habitações, enchendo-as de flores, cujo perfume rapidamente se espalhou por toda a casa.
Este exemplo foi seguido por vários outros exércitos, que aproveitaram o seu material de guerra, agora inútil, e o transformaram em material construtivo. Terminava desta forma uma era de conflitos e dava-se início a uma nova era de solidariedade e de paz.
Eram 7h10 e o despertador tocou. Tinha mesmo que me levantar da cama pois o comboio não espera pelos passageiros.

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