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Braga, segunda-feira

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A árvore dos desejos – porque a Primavera continua

Histórias de vida quem não as tem...

A árvore dos desejos – porque a Primavera continua

Escreve quem sabe

2020-04-21 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Aquela árvore! Uma árvore recheada de tantas, tantas folhas pequeninas, verdes, rijas, prontas para crescer e abraçar o mundo. Refletem os primeiros raios da manhã, num eterno agradecimento ao sol, fonte de vida, para ela, é bom de ver! Em cada folha bafejei um desejo, um pequeno desejo de como tornar o meu mundo um mundo mais bonito. Não de árvores, florestas, rios e lagos, mar… tanto mar, nem de animais, mansos e bravos, lindos e feios, pequenos e grandes, rastejantes e voadores, submersos ou hibernados, não! Com tudo isto o meu mundo já é mesmo bonito. Tão bonito como o nascer e o pôr do sol, o arco-íris de todas as cores, a aurora boreal e as cores fantásticas do céu, que dos polos alguns ventos as trazem até nós! Não! Tudo isto já não cabe em cada folha pequenina e bem verde, da minha árvore dos desejos. Não cabe porque já não é desejo. Desejo! Desejo, … é tudo aquilo que eu gostaria que acontecesse e que ainda não tenho. Espera... não tenho? Claro que sim. Hoje realizou-se o meu primeiro desejo, aquele que já não é desejo porque se realizou.

Que engraçado! Hoje vi a minha primeira aula do #EstudoEmCasa na RTP Memória (eu estou no 2º ano, não sei se já vos tinha dito). Já não precisei de refilar por não ter o computador (a minha irmã mais velha, só porque é mais velha, vejam bem, tem sempre que ser a primeira a usar). Foi mesmo giro. Foi com a Isa... a nova professora de Português. E a Isa não se chama professora. Pois! Eu bem me parecia. Professora! Professor! Professora! Na minha escola têm todos os nomes iguais. Assim, fica mais fácil: Isa! E acho que durante esta semana vou saber muitos mais nomes. Gostei mesmo! E sabem? Como ela não me ouvia, nem sempre respondi ao que me pediu! Fiquei caladinho, caladinho. Até porque algumas coisas não sabia, e esperei pela resposta da Isa. Que bom! Assim, ninguém tem que saber se eu sei ou não. Só têm que saber que ouço. E ouvi! E aprendi! Nunca mais vou esquecer a Mosca Fosca. Olhem bem para o que vos digo: Mosca Fosca não esquecerei. Para além do meu preferido, o Escaravelho Carquelho de nariz vermelho! As palavras mais difíceis que eu vi escritas pela primeira vez. E na televisão! Ver, ouvir e falar. Porque daqui a pouco vou falar com os meus amigos e a minha professora da escola sobre os nossos animais preferidos da história que a Isa leu.

Vai ser a vez da minha irmã refilar porque vai chegar a minha vez de usar o computador. Ela vai estar duas horas inteirinhas na televisão e assim eu vou ter o computador só para mim. Boa! Ver, ouvir e falar. A sorte que eu tenho! Ah... mas temos um menino lá na sala que não ouve. Mas como estava na televisão uma menina a falar em Língua Gestual, de certeza que o Ivo percebeu tudo. E assim, vai na mesma falar connosco logo. Até porque a Luísa vai ajudar a nossa professora a falar com ele. E nós todos da turma também já sabemos falar com ele.... todos os dias aprendemos palavras diferentes para falarmos com o Ivo. Mas já estou a pensar como é que vou aprender a dizer, em Língua Gestual, Escaravelho! Queria tanto dizer-lhe qual o meu animal favorito... e não consegui ver como fez a senhora que estava a traduzir. Ela falava tão rápido com as mãos. Só mesmo o Ivo para a entender. Ah!!! Já sei. Que palerma que sou! Logo vou perguntar ao Ivo como se diz Escaravelho com a ajuda da Luísa. Digo-lhe que é o animal que tinha mais sílabas... (não lhe digo que tem 5 para ele ter que pensar um bocadinho)! Ah... já me esquecia de vos dizer. Vou requisitar na minha escola uma das histórias que a Isa leu a seguir. Mas não digo qual é se não os meus amigos da sala podem ouvir e querer a mesma! A biblioteca lá da escola tem com certeza a história que quero. Tem lá tantos livros! Tantos...! De certeza que tem este. Vou pedir ao meu pai para telefonar para a escola. Só que ele não sabe que é ele que vai ler para mim! Mas não lhe digo... não vá arrepender-se de pedir! Também não demora muito. A Isa leu tantas! Eu nem estive a ouvir todas... todas. Ouvi só a que tinha a capa mais bonita para mim! Sem problema. Ela também não fez perguntas sobre as histórias...!

Melhor ainda! Não vou ter que saber nada das histórias que ela leu. Que bom!!! A minha árvore dos desejos continua. Esta foi só uma das suas folhas. Noutra folha, para hoje, tenho uma coisa pequenina... tão pequenina... mas que eu gostei muito. Foi a minha professora de apoio que me enviou. Um poema para crianças. A sério? Poemas para crianças? E também uma ópera... com um nome bem giro: “Um sonho mágico”. Pois.... ainda bem que não tenho que fazer tantas vezes a tabuada, tantas vezes linhas cheiinhas de palavras difíceis... (eu prometo que escrevo escaravelho uma vez!) ...tantas vezes responder a tantas perguntas!!! E agora... leiam a poesia. Não é gira? Agora sim, agora já podemos brincar com as palavras. E eu que pensava que era assunto muito sério!!!!


Poesia
é brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
gastam-se.
As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.
Como a água do rio
que é água sempre nova.
Como cada dia
que é sempre um novo dia.
Vamos brincar à poesia?
(de José Paulo Paes com adaptação livre)

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