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A Boa Ação na Vida de um Escuteiro

O sentido da técnica e do humano e a política científica

A Boa Ação na Vida de um Escuteiro

Escreve quem sabe

2019-10-25 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

O escuteiro obriga-se a praticar diariamente uma Boa Ação, pelo menos.
Baden-Powell, in, Escutismo para Rapazes, p.32.

Ofundador mundial do escutismo foi beber este desígnio da boa ação diária ao código da cavalaria, ao qual deu sempre uma grande importância, de tal forma, que o consagrou no código de honra dos escuteiros: a Lei do Escuta, onde podemos ler no terceiro de dez artigos: “O Escuta é útil e pratica diariamente uma boa ação”.
Na formulação deste artigo, Baden-Powell, teve o cuidado de juntar o “ser útil” à boa ação, objetivando e caracterizando esta com o sentido da utilidade e teve a delicadeza, leia-se, o bom senso, de não quantificar nem a utilidade, nem a dimensão da boa ação.

É certo que a situação caricata, a que muitas vezes se recorre para, de forma irónica, caraterizar a boa ação de um escuteiro que ajuda uma velhinha a atravessar a rua, quando esta não desejava fazê-lo, ilustra bem que a boa ação para com os outros tem de ser útil a que a recebe, e não a quem a pratica.
Na página 33 do Escutismo para Rapazes, B.-P. afirma: “A boa ação pode ser coisa pequena. Será uma boa ação, mesmo que não seja senão lançar uma moeda numa caixa de esmolas, ou ajudar um velhinho a atravessar a rua, ou a ceder a outrem o lugar num banco, (...) ou a apanhar uma casca de banana do passeio. Mas é preciso fazer uma por dia, e só conta quando se não recebe por ela qualquer recompensa”. O fundador junta também, à boa ação, o conceito de gratuitidade, sinal de “bondade” e “gentileza”, poderíamos evocar o ditado popular “faz o bem, não olhes a quem” para dar uma dimensão de altruísmo à boa ação, para lhe reconhecermos a importância e o impacto na vida dos outros e na vida de quem a pratica.

Madre Teresa da Calcutá lembra-nos “nós sentimos que o que fazemos é apenas uma gota no oceano. Mas o oceano será menor por causa dessa gota que falta” ou ainda, “o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”, antes de mais, notar a coincidência de pensamento em duas grandes personagens do nosso tempo. Depois, cruzar ambos no contexto de educação não formal, segundo o método escutista, onde cada criança ou jovem é o protagonista da sua própria educação e onde o serviço ao próximo assume um grande relevo, o papel da boa ação, assim caraterizado, permite, que, sendo a boa ação realizada com Amor, crie autossatisfação, na criança ou no jovem, que sustenta a vontade de fazer mais e melhor. Permite que, gradativamente, possa evoluir no grau de grandeza e de complexidade, marcando, positivamente, a personalidade ou caráter de cada um, promovendo uma verdadeira educação com e para valores.

Baden-Powell também alarga a boa ação ao âmbito coletivo, do pequeno grupo (Bando, Patrulha, Equipa e Tribo) ao nível nacional e internacional. Naturalmente que estas experiências dão à criança e ao jovem uma dimensão de comunidade onde todos, graças à vivência da boa ação, participam no bem-estar comum, por vezes de comunidades que não conhecemos e que talvez nunca chegaremos a visitar, mas o importantes é ter consciência que, cada um, está a contribuir para que o outro seja beneficiário da nossa ação e do nosso empenho.

No fundo, a boa ação, individual ou coletiva, permite que cada escuteiro (ou cidadão) se sinta como sujeito ativo na missão “criando de um mundo melhor” que a 35.ª Conferência Mundial do Escutismo, reunida em Durban, África do Sul, em 1999, adotou e incorporou na marca do Escutismo Mundial.
Finalmente, poderíamos dizer que, com a prática da Boa Ação, os escuteiros, de todo o mundo, estão a seguir o conselho que Baden-Powell deixo na “Última Mensagem do Chefe”, texto também conhecido como sendo o “Testamento Espiritual do Chefe”, onde o podemos escutar: “Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor do que o encontraste”.

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