Correio do Minho

Braga, terça-feira

A chave para o sucesso do território

Combater a DPOC

Ideias

2016-12-05 às 06h00

Filipe Fontes

Porque território de todos nós, a actuação sobre o mesmo deve ser democrática e regulada em nome de uma liberdade e igualdade, qualidade e coerência que todos, sem excepção, devem ambicionar e trabalhar para a sua concretização.
Ao longo do tempo, e fruto de contextos e razões várias, esta actuação sobre o território conheceu uma regulação e regulamentação aberta e abrangente, admitindo autorias, responsabilidades, subscrições de projectos muito variadas e diferenciadas.

No presente, observa-se um afunilamento desta regulação e regulamentação e uma especialização disciplinar que, no âmbito das denominadas operações urbanísticas, sejam privadas ou públicas, espaço exterior e / ou edificado, realça o papel do arquitecto e do urbanista.
Sem qualquer juízo de valor sobre esta realidade (demonstrando o anterior texto que o território se faz da multiplicidade das histórias e por camadas e nunca por juízos de valor subjectivos ou dogmáticos), hoje, julga-se importante relevar o significado e papel central que uma actuação colectiva e coerente de todos nós sobre o território assume na sua qualificação e valorização.

Porque, na verdade, mais do que a acção e mérito individual, mais do que o critério disciplinar ou a competência profissional específica de cada um, é na conjugação coerente de todos estes factores e qualidades num projecto comum e comunitário que encontramos (acredita-se) a chave para o sucesso do território (“temos que pensar no colectivo porque não há arquitectura sem pessoas. A arquitectura sem pessoas é ruínas” - Souto Moura, 2011).

Independentemente de tal, e porque na visão conjunta do território, é inquestionável a relevância e o contributo que a arquitectura transporta, recorda-se as palavras sábias do arquitecto Nuno Teotónio Pereira “o arquitecto deverá sempre tentar trazer algo de novo (2012) para reconhecer que, se à arquitectura assiste o direito de reclamar um protagonismo central na ocupação e transformação do território, á mesma é inerente o dever de desempenhar o seu papel de forma exemplar e constante.

E, num momento em que o número de arquitectos nunca foi tão elevado e geográfica e institucionalmente tão distribuído, não deixa de ser questionável, a título de exemplo (sendo a relação profissional entre o arquitecto profissional liberal e o arquitecto funcionário público outro exemplo significativo que merecerá texto autónomo), a “soutomourização do território” como processo de mimetismo e caminho contorcido para alcançar (pseudo) qualidade ou disfarçar a falta de (real) qualidade. Porque, como diz souto Moura “se são processos que levam a uma qualidade, fico contente. Se vir aberrações, fico tristíssimo”.

Na verdade, há momentos m que a “caixa” (esse elemento tido como tão identitário da arquitectura de Souto Moura), volume paralelepipédico, baixo e de face rectangular, bordadura de “pedra e cal” e plano recuado de vidro e alumínio, parece “receita” usada independentemente dos seus ingredientes. Outros momentos há que concretizam, de facto, essa procura e tentativa de qualidade que Souto Moura reclama (e tentar alcançar é, desde logo, meritório…).
No final, é convicção que o retorno à essência da atitude é a chave para a qualidade. Ou seja, por muito que disciplinarmente haja qualidade, profissionalmente exista competência, nada se reverterá em favor de um território qualificado e democrático sem a Ética tantas vezes reclamada, tantas vezes esquecida.

E Ética significa fazer o bem: Fazer o que tem de ser feito. Fazer bem o que se faz!
“Trazer qualquer coisa de novo é uma exigência que o arquitecto (de todos, acrescenta-se) deverá saber pôr a si mesmo; não de uma maneira forçada, mas deve ter isso presente no seu trabalho. Não ao culto da novidade pela novidade, mas como aperfeiçoamento do seu trabalho” (Nuno Teotónio Pereira, 2012).

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