Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A compra de casa com recurso ao crédito bancário

O Estado da União

Escreve quem sabe

2010-10-23 às 06h00

Fernando Viana

Uma das decisões mais importantes na vida de uma pessoa é a que envolve a decisão de adquirir uma habitação própria, atentas as consequências pessoais e patrimoniais envolvidas.
Nas últimas décadas do século passado, em que se viveu um período de euforia económica, tudo, desde o Estado (leis, fisco) ao mercado, parecia empurrar o consumidor para a aquisição de habitação.

Dado o elevado custo que a aquisição de habitação envolve, a compra era normalmente financiada com recurso ao crédito bancário hipotecário (os bancos emprestavam o dinheiro necessário e em troca garantiam-se através da hipoteca da casa ao banco). Todo o sistema bancário nesse período entrou em feroz concorrência pelo mercado do crédito à habitação, facilitando imenso na concessão de empréstimos destinados à aquisição de habitação própria.

Agora, encontramo-nos todos a pagar a crise, cá e lá fora, sendo que boa parte dela, é o resultado de um crescimento desmesurado e irrealista do crédito bancário. Estão a pagar as famílias, muitas das quais, em boa verdade, nunca dispuseram de condições que, a longo prazo, garantissem o cumprimento das obrigações, nomeadamente num cenário de alteração das condições de funcionamento do mercado.

A generalidade dos empréstimos foram negociados com taxas de juro variáveis e quando as taxas de juro começaram a subir, o valor das prestações a pagar disparou, comendo o rendimento disponível das famílias, gerando muitas situações de incumprimento. Estão a pagar as empresas construtoras que se multiplicaram como cogumelos nesse período e cuja actividade foi sempre a crescer até ao mercado entrar em recessão.

Agora vêem-se a braços com grande dificuldade em encontrar comprador para os milhares de apartamentos e moradias que de norte a sul se encontram à venda. Enquanto que no período de boom económico referido, os empreendimentos imobiliários chegaram a ser vendidos ainda em projecto, hoje é banal um prédio com 8 apartamentos demorar 3 ou 4 anos até que estejam todos vendidos. Esta contracção da economia levou muitas empresas do sector da construção à falência, deixou outras em grandes dificuldades e gerou uma onda de desemprego num sector que se encontrava sobredimensionado, já que a construção representava no nosso país mais de 20% de toda a actividade económica, quando nos outros países europeus representa normalmente menos de 10%.

Por seu lado, no actual contexto, os bancos defrontam-se com um aumento do risco sempre que emprestam dinheiro, seja às empresas promotoras de empreendimentos imobiliários, seja às famílias que pretendem adquirir casa. Daí que, acabando com o facilitismo excessivo na concessão de crédito, entrou-se exactamente no oposto, ou seja no excessivo rigor.

Também os bancos enfrentam dificuldades, antes desconhecidas, seja no crescimento do crédito malparado, seja na obtenção de refinanciamento no mercado financeiro internacional, dada a situação económico-financeira que o país atravessa.

Este é pois um período de grandes desafios. Contudo, o mercado não para. Continuam a constituir-se agregados familiares, com as inerentes necessidades de habitação.
Paradoxalmente, também é um período de grandes oportunidades. George Soros, um conhecido investidor internacional costuma afirmar que o bom investidor é aquele que decide comprar quando todos vendem e decide vender quando todos estão a comprar. Ou seja, nunca como hoje foi possível a quem quer comprar casa, dispor de tantas e tão boas oportunidades.

Haja dinheiro.
Caro consumidor, caso esteja a ponderar a compra de habitação com recurso ao crédito, nas próximas crónicas iremos dar-lhe algumas dicas que o poderão ajudar a concretizar a sua decisão.

Caso queira saber mais sobre este tema ou tenha alguma dúvida, não hesite:
Contacte o CIAB

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