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A Cultura abre Horizontes

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A Cultura abre Horizontes

Ideias

2021-03-11 às 06h00

Leonel Rocha Leonel Rocha

Em tempo de pandemia e de confinamento, uma das áreas que mais sofreu foi a cultura… Deixamos de poder organizar e/ou assistir a eventos culturais, deixamos de poder frequentar, com a normalidade de outros tempos, espaços que emanam cultura, deixamos de poder estar a assimilar e a trocar impressões, acerca do que assistimos e do quanto nos impressionou, durante ou no final dos eventos artísticos… em suma, não conseguimos alimentar o nosso ser com interpelações imateriais tão importantes para nos tornarmos mais humanos e com horizontes mais largos.
Em consequência da impossibilidade de consumirmos cultura, também assistimos às enormes dificuldades pelas quais passam os artistas profissionais, aqueles que dedicam a sua vida à arte e põem o seu talento ao serviço dos outros.

É verdade que a pandemia não afeta apenas os artistas e que há muita gente a passar enormes dificuldades, por ter perdido o emprego, qualquer que seja. Naturalmente que todos merecem o meu mais profundo respeito e, enquanto agente ativo na comunidade, tenho a preocupação de ajudar a que ninguém passe dificuldades extremas, nem sinta que está a perder a sua dignidade. Para ajudar todos aqueles que estão a passar momentos mais difíceis e com dificuldade de ter os bens mais essenciais, sejam eles a alimentação, a sua casa ou a educação dos seus filhos, há muitas medidas de apoio na comunidade, ora levado a cabo pelas autarquias, ora pelas mais diversas instituições de solidariedade que, graças a Deus e às políticas de ação social que as autarquias vão implementando (falo, de modo especial, pela Autarquia de Vila Nova de Famalicão, aquela que conheço melhor), vão dando uma boa resposta, juntamente com algumas medidas que o estado tem implementado.

Voltando aos artistas, vamos ouvindo relatos, a nível nacional, da falta de apoio do Ministério da Cultura e do corte que foi feito pela esmagadora maioria das autarquias, pelo facto de a pandemia não “permitir” organizar eventos…
No concelho de Vila Nova de Famalicão, temos assistido, ora presencialmente, quando isso é possível, ora online, quando estamos em confinamento, a eventos que valorizam e apoiam os nossos artistas, enquanto “alimentam”, culturalmente, quantos da cultura sentem falta. Os artistas famalicenses - lembro apenas que, a título de exemplo, temos 4 companhias profissionais de teatro, vários projetos na área da música, uma companhia de novo circo, uma companhia de dança, vários artistas plásticos de renome nacional, etc – reconheceram o trabalho do Município de Famalicão, há cerca de algumas semanas atrás, no Conselho Municipal de Cultura, quando, por iniciativa própria e sem qualquer agendamento prévio na ordem de trabalhos, quiseram fazer um voto de louvor à Câmara pela forma como tem estimulado a cultura em Famalicão, mesmo em tempo de pandemia.

O trabalho dos artistas e o apoio que a Autarquia dá à Cultura e às Artes faz mais sentido quando os cidadãos procuram e consomem cultura. A realidade, porém, mostra-nos que há ainda uma grande percentagem de pessoas que não sente “fome” de Cultura… por essa razão é que os programas escolares do Plano Nacional das Artes, com a elaboração do Projeto Cultural de Escola, auxiliado pelo Programa Municipal “De Famalicão para o Mundo” e dos mais diversos serviços educativos da tão elogiada Rede de Museus de Vila Nova de Famalicão e de outras estruturas promotoras de arte e cultura, como a Casa das Artes e o Labirinto das Artes procuram ajudar os nossos alunos a despertar para a importância das Artes e da Cultura na sua formação pessoal e estética, despertando novos talentos e mostrando quanto a cultura pode abrir novos e grandes horizontes, no presente e no futuro.

Também toda a programação cultural que é colocada à disposição da comunidade – a maioria dela de forma gratuita – ora pelas instituições culturais famalicenses, ora pela própria autarquia, numa lógica de proximidade, em todas as freguesias, através do Programa “Há Cultura”, pretende ajudar os Famalicenses a continuarem, ao longo da vida, o seu “crescimento”, a sua formação e o alargamento dos seus horizontes. A prepósito da programação cultural descentralizada, não posso deixar de acentuar o papel que as Juntas de Freguesia devem ter no desenvolvimento cultural das suas comunidades. Importa que se apliquem no desenvolvimento de infraestruturas da sua terra, dando melhor conforto, bem-estar e beleza aos seus territórios, mas não podem deixar para segundo plano a cultura, pois trata-se de algo determinante no maior desenvolvimento dos seus fregueses e, consequentemente, das suas Freguesias.
Saibamo-nos “alimentar” de cultura – e já agora, do culto (vida espiritual), que tem a mesma raiz etimológica - e seremos construtores de um mundo mais humano e mais fraterno, com comunidades mais coesas e empenhadas no bem comum, por terem cidadãos mais solidários e participativos.

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