Correio do Minho

Braga, quinta-feira

A dependência da ida ao psicólogo

As Bibliotecas e a cooperação em rede

Escreve quem sabe

2011-04-17 às 06h00

Joana Silva

Actualmente, verifica-se que cada vez mais os jovens procuram e recorrem aos serviços de ajuda, nomeadamente do âmbito da psicologia. Vive-se numa sociedade que “nada falta” mas que ao mesmo “falta ainda muita coisa”. É certo que, comparativamente a décadas anteriores, houve ganhos alcançados, há um acesso mais facilitado à alimentação, quando antigamente uma sardinha, por exemplo, seria o jantar de três pessoas. Também, no que diz respeito à educação, muito se evoluiu, sendo que outrora estudar até ao 4.º ano de escolaridade era o “limite” para muitos, porque tinham de trabalhar para ajudar as famílias, hoje os jovens podem prosseguir os seus estudos e uma grande maioria frequenta posteriormente a universidade. Mas serão estas “conquistas” suficientes?! São insuficientes, porque prevalece uma carência emocional, onde as pessoas têm a necessidade de serem escutadas, compreendidas e orientadas face aos problemas os quais se deparam no dia-a-dia. Devido ao ritmo acelerado que vivem por questões profissionais, pais e filhos não tem tempo para interagir. Os pais chegam a casa cansados, procurando a quando no regresso a casa de “paz e sossego”, exaustos fisicamente e psicologicamente, onde por vezes, a relação com o chefe no local de trabalho não é a melhor e tem de aguentar porque tem de pensar nas contas que tem de ser pagas ao final do mês e como tal por vezes não prestam ou dedicam a atenção necessária aos filhos. Ora quando estas situações ocorrem de forma repetida pode desencadear outros problemas mais sérios. Alguns pais não admitem a responsabilidade e a sua parte de culpa na causa do problema do filho, como tal, de forma a atenuar a “consciência pesada” procuram o apoio do psicológico acreditando que este irá “fazer o milagre de curar” o filho. É na adolescência há uma tendência para acções que são consideradas comportamentos de risco. Quando acontecem estes comportamentos os jovens são encaminhados para o apoio psicológico cuja finalidade é a modificação do comportamento humano, como também, a ajuda no encontro de estratégias mais adequadas face aos problemas que surgem. Hoje, as escolas, centros de saúde, institutos de apoio à juventude, entre outros, tem como colaboradores psicólogos. Estes técnicos com as suas diferentes formas de intervenção prestam às várias faixas etárias que não somente jovens, um apoio imprescindível. Todavia, recentes estudos têm apontado para uma certa dependência do cliente face ao psicólogo. Referem que quando confrontados por questões de fácil resolução procuram o psicólogo quando o pretendido seria maior autonomia. Os problemas da criança estão, por vezes, associados a características dos pais, da família e dos contextos. Os jovens não se propõem de forma voluntária para terapia são normalmente os pais que o fazem. Exemplificando, os pais mais inseguros, mais ansiosos que tendem a sofrer por antecipação recorrem à ajuda do psicólogo de forma a precaver-se por exemplo, da mudança de escola do filho que irá acontecer no próximo ano quando ainda não há certezas da inadaptação do filho relativamente à nova escola. Há também pais mais exigentes e inflexíveis que quando o sucesso escolar (por vezes, o “tudo excelente”) não é alcançado dirigem-se ao psicólogo porque consideram que o filho está com problemas de aprendizagem. O acompanhamento psicológico permite a aquisição de um maior bem-estar emocional relativamente aos problemas no entanto é também necessário ponderar as situações as quais se deve recorrer a esse apoio para não ser em demasia.

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