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A Digitalização da Economia

Portugal de pernas para o ar!

A Digitalização da Economia

Ideias

2019-01-19 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

A Europa está a assumir a nova revolução tecnológica industrial (Indústria 4.0) como uma prioridade, disponibilizando diversas oportunidades de financiamento para as empresas. É crucial para Portugal apostar no investimento para a modernização tecnológica e globalização industrial. Portugal tem em curso o Programa Indústria 4.0 com um valor de 414 milhões de euros, totalmente suportados por fundos comunitários com o objetivo de apoiar mais de 9 mil empresas na digitalização da indústria e colocá-las na vanguarda da inovação. Num dos objetivos da Estratégia de Inovação e Empresarial 2018-2030 pretende-se alcançar um nível de liderança europeia de competências digitais até 2030, em associação com acesso e uso da internet, bem como a procura pelos mercados, desenvolvimento de negócios e desenvolvimento de competências especializadas.
Indústria 4.0 (ou a Quarta Revolução Industrial) - corresponde à nova era da Digitalização da Economia, da Inteligência Artificial, da Robótica, Impressão 3D, da Nanotecnologia e da Internet das Coisas (IoT - Internet of Things) que combina estas tecnologias com diversos fatores no trabalho e nos produtos dos consumidores, alterando de forma inovadora e disruptiva a economia, o que terá um grande impacto tecnológico nas empresas e na forma como esta digitalização da economia afetará as pessoas e a sociedade.
Cada vez mais as tecnologias estão a modificar a forma como vivemos, trabalhamos ou consumimos. Vivemos na era digital, na era da nanotecnologia, da robótica e da inteligência artificial. Com a combinação de tecnologias, da área da micro/nanoeletrónica e da robótica, e da biologia com o mundo digital, a Quarta Revolução Industrial terá o potencial de criar uma gama infinita de novos produtos ou serviços, melhorando a qualidade de vida dos cidadãos. Representa uma descontinuidade do modelo “convencional” que conhecemos de produção industrial.
As empresas deverão adaptar-se para enfrentar a competitividade crescente e as novas exigências da sociedade e do consumo. Trata-se da Indústria Inteligente: digitalização da indústria transformadora, resultado da convergência entre as tecnologias de informação e comunicação e os novos (nano) materiais, os processos produtivos, a automação, a inteligência artificial e a robótica. A fabricação industrial flexível (pequenas séries) e próxima ao consumo com influência direta do consumidor (“produzido à medida”) obrigarão a uma nova abordagem de fabrico. Ou seja, este novo modelo produtivo implica a interligação dos fluxos de dados entre parceiros, fornecedores e clientes e a integração vertical dos ciclos produtivos dentro das organizações, desde o desenvolvimento até ao produto acabado.
Toda a cadeia de valor e de produção será afetada e através dela, os produtos e os serviços beneficiarão, por exemplo, da Internet das Coisas. O próximo grande avanço tecnológico implica a incorporação de inteligência nos objetos de uso quotidiano (Internet das Coisas - IoT). De facto, já temos produtos que fazem uso do IoT. Atualmente, um cidadão comum tem, no mínimo, dois objetos ligados à Internet e, em todo o mundo, estima-se que existam cerca de 25 mil milhões de dispositivos ligados sem fios.
Os objetos de uso quotidiano, como os telemóveis, os automóveis, os eletrodomésticos, o vestuário, as embalagens alimentares estão ligados sem fios à internet através de microdispositivos eletrónicos inteligentes, podendo recolher e partilhar dados. A nanotecnologia melhorará a segurança e a qualidade de vida dos cidadãos. Novos nanomateriais para embalagens alimentares estão a ser desenvolvidos com o objetivo de aumentar a segurança alimentar (embalagens bioativas, etiquetas inteligentes sensoriais).
A computação em nuvem (“cloud”) nas empresas potencia maior flexibilidade e escalabilidade de tarefas. Os processos de fabrico convencionais poderão ser combinados com a fabricação aditiva (impressão 3D). Por exemplo, os consumidores poderão comprar e fazer o download a partir de lojas virtuais, produtos, ou peças de substituição, e imprimi-los na sua impressora 3D, economizando transporte e armazenagem de produtos.
Na Indústria Inteligente, os produtos serão inteligentes com etiquetas de auto identificação eletrónica (nano RFID ativos). Os produtos serão capazes de comunicar com o ambiente, gravar e armazenar informações sobre si. E até no processo produtivo, trocarão informações com os equipamentos de produção.
Vários projetos e iniciativas estão em curso para alcançarmos o nível de competências e de liderança na nova era da digitalização da economia. Um projeto com grande interesse industrial estratégico nacional é liderado pela Universidade do Minho. O Laboratório Colaborativo em Transformação Digital “DTx - Digital Transformation CoLab - Experiencing the Future”, centrado na transformação digital na indústria (Indústria 4.0) liderado pela UMinho tendo como parceiros, entre muitos outros, as empresas Bosch Car Multimedia, Embraer, IKEA, NOS, Celoplás, TMG Automotive, o Centro de Engenharia e Desenvolvimento, a Universidade de Évora e o INL (Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia). Os projetos do DTx abordarão a digitalização no desenvolvimento de produtos, de sistemas e de soluções de fabricação. O enfoque será dado ao projeto e o desenvolvimento de produtos-sistema ciber-físicos, bem como de sistemas evolutivos, integrando, por exemplo, materiais inteligentes, tecnologias de fabrico digital e soluções baseadas em inteligência artifici-al.

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